"Dá um pouco de esperança", comenta Taís Araújo sobre prisão de agressores

Em entrevista, a atriz falou sobre a nova temporada de Mister Brau e desabafou sobre a prisão dos responsáveis pelos ataques racistas

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por Redação Alto Astral
Publicado em 22/03/2016 às 09:48
Atualizado às 20:50

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Durante coletiva de imprensa, Taís Araújo conversou com nossa reportagem e falou um pouco da estréia da segunda temporada do seriado Mister Brau. Confira:

Segunda temporada de Mister Brau

A gente não parou, Emendou uma temporada na outra. Só tive um mês de férias. Mas esse mês foi bom pra gente pensar essa segunda temporada que vem com muitas novidades. Continua tendo uma música nova por episodio, que na verdade é um grande desafio. Agora, os episódios são temáticos. Tem um episodio que eu amo, que é o episodio de terror, de suspense e foi gravado todo a noite. É maravilhoso! Nessa temporada tem a Michelle cantando, uma coisa que ela não se encaixa de jeito nenhum. No último episodio, ela estava fazendo sucesso nos Estados Unidos. Nessa temporada começa ela ainda fazendo sucesso lá fora, mas completamente desencaixada  no tipo de musica que ela canta. Ela está acostumada com show  popular com milhares de pessoas e nada muito sofisticado. Não é o que ela se identifica. Enfim. Em relação as novidades dessa temporada, nada pra mim é novo, estou gravando tanto tempo que nada é novidade (risos).

Virada da personagem

Então, acontece esse desencontro entre ela e o Brau. Ela (Michele) vai viver essa carreira internacional durante um tempo e volta. Ela morre de saudade dele, morre de saudade desses shows mais populares, do Brasil, da verdadeira raiz dela. Isso que eu acho mais legal desses personagens: eles são muito fieis as origens deles. E foi a origem deles que os transformou nos artistas que eles são, na potencia que eles são. Então, quando eu falo desse desencaixe dos Estados Unidos, dessa vida lá fora, é porque ela é muito feliz com a vida dela aqui no Brasil e com o som que eles fazem, com o público deles. Quanto mais ela faça sucesso lá fora, o que encanta ela é essa vida que eles têm aqui.

Foto: Estevam Avellar/Globo

Foto: Estevam Avellar/Globo

Repercussão do público

A repercussão é muito boa, tão legal. A gente não tinha noção do que seria. Quando a gente se encontrou na coletiva da primeira temporada, não tínhamos ideia do sucesso. Só sabíamos que fazíamos uma coisa que é era muito divertido de fazer. A gente não sabia que era divertido de ver (risos). E acabou que as pessoas gostam muito também. Isso é muito legal. Fomos gravar uma parte dessa nova temporada em Salvador, Bahia, e era tão impressionante o carinho do público, como as pessoas receberam bem a gente lá. A gente atrapalhou o Carnaval de Salvador, porque foi o que a gente foi fazer: atrapalhar! (risos) Tudo já rola em um esquema e a gente teve que pedir licença pra trabalhar ali naquele momento. E as pessoas ficavam tão felizes de participar, sabe? De fazer parte. É uma resposta muito boa. Graças a Deus!

Tietada dentro dos Estúdios Globo

Nada disso. A gente não grava aqui nos Estúdios Globo, só gravamos na mansão. A gente vem aqui uma vez no mês. O que acontece é que quando a gente encontra os colegas de profissão, não só atores, colegas que trabalham com a gente aqui, eles vem falar muito do serie. Eu acho que vem falar muito da série, sim, mas porque quase não vêem a gente aqui (risos). Quando a gente chega aqui, viramos quase uma novidade (risos). É tipo assim: ‘vocês estão aqui, a gente gosta tanto da série’. É muito legal! Não só aqui, como nas ruas. Até alguns cantores elogiam o projeto. Nessa temporada vamos ter participações de vários cantores, só não posso revelar que são. A gente quer que fique tudo incrível.

Carreira internacional

Deus me livre! Eu morro de preguiça. Só se cair no meu colo. Se cair no meu colo, eu não perco a oportunidade. Mas de tentar não, nem pensar.

Foto: João Miguel Junior/Globo

Foto: João Miguel Junior/Globo

Comparação com astros internacionais

Eu acho tão engraçado as pessoas falarem isso. Claro que tinha essa comparação sim. É legal, ótimo, maravilhoso, adoro os dois. Mas o ‘The Guardian’, falava na verdade do país, né? De como esse país é atrasado nessas questões, enfim. Era mais uma critica ao país do que um elogio propriamente dito.” – O jornal inglês The Guardian publicou extenso material há alguns meses comparando os dois aos astros pop norte-americanos Jay Z e Beyoncé (também casados na vida real).

Experimentação como cantora

Afinada eu sou! É a única coisa que eu sou (risos). É muito divertido cantar no trabalho, brincar de pop star. Na novela Cheias de Charme a gente já brincava e era ótimo. Mas é muito divertido brincar, até porque a gente não é. Vida de pop star é muito barra pesada, eu não aguentaria. Vida de noite, trabalhar muito a noite… Já fico muito mal humorada quando estou com sono. Eu não tenho a menor vocação pra isso, sou muito diurna. Mas que é engraçado brincar nesse universo, é. Semana que vem vamos gravar em uma casa de shows. Vai ser bem bacana. A gente brinca de verdade de pop star (risos). Até ficamos nervosos

Canta em casa para os pequenos?

“Eu canto muito em casa, canto muito no chuveiro, canto muito com as crianças, canto muito. Eu queria tanto saber cantar, mesmo! Acho muito legal. Eu canto para os meus filhos (João Vicente, de 4 anos, e Maria Antônia, de 1). Mas tem hora que o João fala: ‘mamãe, eu quero dormir, faz favor’. A gente canta muito. O João em especial canta bastante. Eu queria saber mesmo, sabe? Aquela gente que já abre a boca e faz o show? Eu não assisto ‘The Voice Kids’ com as crianças, mas queria muito! É domingo de manhã, eu estou fazendo teatro em São Paulo, então, quando as crianças estão com a gente em São Paulo, eles vão a cada quinze dias, a gente não fica em casa, ficamos fora. Mas adoraria ver. Dizem que você chora muito com as crianças. Adoro chorar!”

Foto: Estevam Avellar/Globo

Foto: Estevam Avellar/Globo

Parceria com o marido

É ótimo, sabia? Trabalha-se tanto, que não tem tempo para pensar em quase nada. Você sabe que eu li em uma entrevista que ele falava que a gente não briga mais. Eu me toquei e falei: ‘é verdade!’. Com tanto trabalho, você não tem tempo de brigar. Porque é muito trabalho mesmo, não só aqui na Globo. A gente tem dois filhos pequenos, uma casa para administrar. Não sei se você reparou, mas eu estou o  tempo inteiro com o celular, porque eu estou administrando a minha casa. Eu estou fazendo uma mudança essa semana. Eu estou que nem uma maluca (risos). Mas tem sido muito bom. Ele é um excelente diretor, generoso, tranquilo, objetivo, eu acho que ator-diretor tem isso de conseguir acessar o ator, né? De uma maneira mais fácil. Porque ele está naquele lugar também.

Primeiro filho de vidro e o segundo de borracha…

Total! E o terceiro, coitado… (risos) Depois do primeiro filho a gente relaxa, na verdade. O primeiro a gente cobra muito. A gente deposita todo o nosso desejo, nossa experiência, vai pra uma pessoa só. É tão cruel para uma criança, né? É bom ter um segundo filho. Aí você vê que não precisa ser tão dura. No meu primeiro eu fui bem dura e no segundo eu percebi que não precisava ser tanto. O meu filho é uma criança muito doce, muito obediente e eu percebi que não precisava ser tão dura com ele. A gente vai aprendendo com eles também. Ninguém nasce sabendo ser mãe-pai. A gente vai aprendendo com o tempo.

O Topo da Montanha, de Katori Hall

Eu adoro fazer esse espetáculo, sou tão feliz ali. Porque é um assunto que mexe muito comigo. É um assunto que fala em tudo que eu acredito, sobre como eu quero criar os meus filhos, como eu gostaria que o mundo fosse. Então, fala muito direto a mim aquele texto. Não foi atoa que a gente escolheu comprar e montar. Esse espetáculo toca muito as pessoas. É tão bonito ver aquele teatro lotado, de pessoas que estão afim de falar  sobre isso. Quando acaba a peça eu costumo dizer que o mundo não está perdido não. O teatro sempre lotado, de pessoas sabendo o que vão ouvir. Ninguém está ali de desavisado. Acho que no inicio iam os desavisados, encontrar sei lá, outro tipo de assunto. Mas quando acaba e quando eu vejo todo mundo ali tão comprometido, sabe? Tão envolvido com o que está sendo dito, eu vejo que está valendo a pena. O trabalho está sendo bonito mesmo.” – O Topo da Montanha conta a história da última noite de Martin Luther King, ícone da luta pela igualdade social e racial, que arrastou multidões em marchas pelo  direito ao voto, fim da segregação e discriminações no trabalho, além de outros direitos civis básicos.

Foto: Reprodução/Instagram

Foto: Reprodução/Instagram

O texto do espetáculo O Topo da Montanha é a preparação de um mundo que você quer para os seus filhos?

Sem dúvida nenhuma! A gente está ali falando do que a gente acredita, né? A gente acredita e espera que o mundo seja assim um dia. Adoro quando as crianças vão ao teatro. Eles não podem assistir a peça ainda mas entram sempre na hora dos aplausos. Eles ficam sem entender nada. Um dia, o João conseguiu escapar do colo da minha prima, e subiu no palco. Ele abaixou a cabeça e agradeceu os aplausos. Foi lindo! Costumo ensinar para eles como a diferença é importante. Eu crio eles com a premissa mais importante, que é o respeito ao próximo, que a diferença vem para somar. Que é muito mais interessante o que o outro tem diferente de você, do que o outro tem de igual. O que tem de igual você já tem.  Muito mais legal o que o outro tem de diferente e o que ele possa lhe oferecer.”

Como você recebeu a prisão do rapaz que ofendeu você nas redes sociais?

Olha, eu achei muito bom saber que uma denuncia foi adiante nesse país, né? Espero que não aconteça mais. E se acontecer, vão saber que a gente tem esse direito e que dá certo, que vai para frente. E que vale a pena ir a delegacia e exercer o seu direito de denunciar, para qualquer tipo de violência em si. Vale a pena a gente ir lá na delegacia, se expor. Ir a delegacia é chato demais. É horrível, uma sensação horrorosa. Nunca tinha entrado na delegacia na minha vida para você ter uma ideia. Não é bom mesmo. Mas quando eu vi o resultado, eu achei tão importante, sabe? Qualquer cidadão precisa ir atrás de seus direitos. E é muito bom saber que dar certo, que funciona, que você tem os seus direitos. Achei bonito assim. Dá um pouco de esperança também.

Você está preparada para falar com os seus filhos a respeito do racismo?

Preparada, preparada, a gente nunca está, né? Claro que eu tenho as minhas experiências, e, meus filhos vão ter as deles. Eu acho que eu tenho como mãe é dar muita autoestima. Fazer com que eles sejam crianças muito fortes, para enfrentar esse país que a gente tem que não é mole. Eu acho que isso vem com autoestima, segurança, etc. Isso que eu tento passar para eles todos os dias.

A nova temporada de Mister Brau tem previsão de estreia para o dia 12 de abril e será exibida às terças-feiras, após ‘Velho Chico”.

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