Entrevista com Thiago Lacerda

Ator fala sobre perseguição de fotógrafos e a exposição de seu filho na mídia

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por Redação Alto Astral
Publicado em 21/10/2014 às 17:49
Atualizado às 20:52

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Thiago Lacerda conversou com a Guia da Tevê e falou um pouco sobre Alto Astral, a nova novela das sete da Globo, que estreia no próximo dia três. O ator, de 36 anos, que vai viver um dos personagens principais da trama, falou também como encara o fato de ser perseguido por fotógrafos quando vai à praia, por exemplo, sua relação com a tecnologia e sobre seu filho: “ele que não tem nada com isso é exposto. É incômodo!”. Confira a conversa:

Foto: Luciano Vicioni/Rede Globo

Foto: Luciano Vicioni/Rede Globo

GTV: Em Alto Astral você fará o vilão Marcos. O que você pode adiantar?
Thiago: “É um vilão, um antagonista. Na verdade, eu implico um pouco com essa palavra. Ele é um cara que tem valores desvirtuados e passa por alguns conflitos com a família. Ele é adotado e tem muitas dificuldades de autoafirmação, autoestima. Um personagem riquíssimo e com muitas possibilidades. Ele tem uma amante que é a Sueli, vivida pela Débora Nascimento. Mas é noivo da Laura (Nathália Dill). Com isso, forma-se um triângulo amoroso. A novela está sendo muito bem escrita e vai para um caminho que acredito que as pessoas estejam sentindo falta e que vão gostar muito. Uma novela com o pé no clássico, com um tom de humor que o diretor Jorge Fernando sabe fazer. É uma novela muito interessante!”

GTV: O Marcos é um médico. Você precisou fazer algum laboratório? 
Thiago: “Eu já fiz um médico em outra novela (Viver a Vida). Mas, na verdade, não precisei fazer nenhum laboratório especifico, porque o trabalho é feito em cima da questão psicológica do personagem, do aspecto da personalidade dele que estão presentes no texto, que por sinal está muito bem escrito e com informações vastas a respeito do personagem.”

GTV: A novela aborda a questão da mediunidade. Esse tema também te envolve de alguma forma? Você gosta desse tipo de assunto?
Thiago: “Respeito profundamente a ponto de já ter lido bastante sobre o assunto, mas não faz parte do meu dia a dia. Não tenho canal de sensibilidade, não tenho prática espiritual, mas já li bastante e respeito muito qualquer forma de fé. E também nunca tive nenhuma experiência. Eu ri da pergunta porque, na verdade, pensei em responder como personagem, mas tem aquela velha história. Você faz uma piada e depois quando sai a notícia perde o tom da brincadeira. Quando a gente fala tem um tom do que estamos querendo dizer, mas quando você escreve não… As pessoas se ofendem por pouco. É essa caretice que vem imperando hoje em dia, você não pode falar mais nada… Essa coisa do politicamente correto é tão chato, mas seria só uma brincadeira, mas respondi como eu mesmo!”

GTV: Hoje em dia os celulares possuem muitas ferramentas. Você curte tecnologia?
Thiago: “Não sou aficionado em tecnologia, nem mestre tecnológico. Sou curioso e atento as novidades que surgem no século 21. Trabalho com isso e com a maneira de chegar às pessoas mais rápido de forma abrangente, contando minhas histórias e descobrindo personagens pra vida da gente. Convivo de forma saudável e atenta, mas nada exagerado porque é importante ter a medida das coisas.”

GTV: Você comentou que seu filho (Gael) anda pela casa com o tablet. Ele é mais esperto que você neste sentido?
Thiago: “Sem dúvidas! As gerações nascem reprogramadas na medida em que o tempo passa. O Gael certamente será parte da figura tecnológica mais do que eu sou hoje. Acredito ser importante porque é uma forma de introduzir a tecnologia na vida deles. Eles andam pra cima e pra baixo com tablet querendo assistir um filme, ouvir uma música, pesquisar algo na internet. Se deixar fica o dia inteiro…”

GTV: Você chega a impor limites ou até mesmo horário?
Thiago: “Horário não, mas imponho algumas circunstâncias. Acredito que tem hora pra tudo. E achar a medida do equilíbrio saudável disso é um desafio da educação moderna. A ideia é fazer com que ele seja apresentado, que ele use e se desenvolva naquele universo, sem que seja algo desmedido ou fique refém daquilo…”

GTV: A tecnologia nos trouxe os smartphones capazes de fotografar tudo e todos em qualquer momento. E tem também os paparazzi que fotografam na praia, no aeroporto… De alguma forma, isso te incomoda?
Thiago: “Me incomodo com a qualidade do que as pessoas consomem. Não acho que estar na praia ou o fato de pegar um voo pra São Paulo, seja uma notícia relevante. Lamento o esforço do profissional que vai pra aquele ambiente ganhar o pão de cada dia, porque sinceramente não tem a menor relevância. Não existe justificativa pra isso. Do ponto de vista humano, é claro que me incomoda. Quando estou na praia, quero no mínimo não ser incomodado com uma perseguição, que é o que normalmente acontece… O incômodo maior, na verdade, é quando se expõe uma criança. Não vejo nenhuma razão pra que os órgãos responsáveis, seja OAB, constitucional, seja a nível político ou humano, permita que meus filhos, por exemplo, sejam expostos a esse tipo de situação. Uma criança cheirando cola tem o rosto dela vendado numa publicação de jornal. Meu filho que não tem nada com isso é exposto. Não existe nenhuma justificativa que me convença.”

GTV: Seu filho lida bem com essas questões?
Thiago: “Claro, mas porque eu lido bem com isso. Entendo que faz parte de um processo que não depende da gente, mas como pai eu fico indignado porque eles não têm nada com isso. Eles não têm nada com as escolhas que eu fiz. É incômodo! Mas o que mais constrange é a qualidade do que as pessoas consomem.”

GTV: Sobre o mal-estar que aconteceu com o narrador Cléber Machado, ficou tudo resolvido?
Thiago: Na verdade eu já respondi essa pergunta. Eu não o critiquei. Tenho o maior respeito por ele. Já pedi desculpas. Na verdade, foi uma brincadeira e é muito importante nós entendermos isso. Quando escrevemos numa rede social o comentário pode ser despretensioso. O tom, às vezes, perde e fica parecendo uma coisa delicada. Já pedi desculpas e foi irresponsabilidade da minha parte fazer esse tipo de brincadeira. Não somos amigos, mas nos conhecemos. Foi um comentário que fiz com um amigo. É claro que o tom de brincadeira se perdeu. Foi irresponsável da minha parte não ter pensando antes. Mas essas coisas acontecem e não foi pra atingir ninguém. O importante é a gente entender como funciona. Às vezes a gente perde o que está sendo dito, por isso é importante termos muito cuidado ao emitir opinião, porque de repente a gente ofende alguém sem querer.”

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