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Existe tratamento para psicopatia? Descubra!

Existem diversas dúvidas sobre a existência de tratamento para psicopatia. Descubra se é possível tratar os distúrbios de personalidade!

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A forma de tratamento para psicopatia varia de pessoa para pessoa, dependendo do transtorno e da intensidade apresentada. FOTO iStock.com/Getty Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 20/12/2017 às 13:13
Atualizado às 16:50

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Se é tão difícil de diagnosticar e conceituar, como seria possível tratar a psicopatia? Para início de conversa, o problema nem sequer é considerado uma “doença”, mas sim um transtorno de personalidade. Portanto, seria um trabalho para psicólogos. E a primeira etapa para se pensar um tratamento para psicopatia que possa dar resultados é saber qual o tipo de transtorno do paciente, uma vez que não se trata de algo específico. Na verdade, há várias classificações para o problema.

De acordo com um estudo apresentado por Dalton Croce, em parceria com Dalton Croce Jr., a psicopatia deve ser considerada “uma anormalidade mental pré-constituída” e não uma enfermidade mental. Juridicamente, isso impede que um psicopata que cometa algum crime seja considerado inimputável, ou seja, ele terá de cumprir pena em caso de condenação.

Mas, para aqueles não violentos, ou que ainda não cometeram nenhum crime, torna a possibilidade de um possível tratamento para psicopatia ainda mais distante. Diante de tudo isso, a grande questão é: o que pode ser feito? A resposta pode ser bastante incômoda. Antes de agirem, não há como identificá-los. Depois, não há como curá-los, talvez, apenas, mantê-los sob vigilância constante, ou, em casos extremos, isolados da sociedade.

A psicopatia pode atingir as pessoas de formas variadas, dependendo do grau e do tipo desenvolvido.

A psicopatia pode atingir as pessoas de formas variadas, dependendo do grau e do tipo desenvolvido. FOTO iStock.com/Getty Images

Complexidade na questão do tratamento para psicopatia

A psiquiatra Gwen Adshead, autora de um artigo publicado em 2001, fez uma interessante argumentação sobre a viabilidade de um tratamento para transtornos de personalidade. Segundo a autora, seria possível avaliar a possibilidade de uma terapia eficaz analisando os mesmo fatores que indicam se uma doença física pode ou não ser tratada.

Primeiro fator: deve-se avaliar a natureza e a gravidade da patologia. Ou seja, que tipo de psicopatia se pretende tratar, uma vez que há psicopatas violentos e agressivos, mas há aqueles chamados “predadores sociais”, que agem dissimuladamente apenas para prejudicar suas vítimas, muitas vezes, sem que essas sequer percebam. Há ainda psicopatas sexuais, depressivos e outros tipos. Além disso, todos apresentam graus variáveis.

Segundo fator: é o “o grau de invasão do transtorno em outras esferas psicológicas e sociais, bem como o seu impacto no funcionamento de diferentes setores de sua vida”, o que pode ser traduzido em quanto o transtorno afeta a vida do indivíduo e das pessoas que convivem com ele. De certo modo é uma avaliação de quanto o transtorno já “contaminou” a vida social do indivíduo, da mesma maneira que se avalia, por exemplo, quanto um tumor já se espalhou no organismo.

Os transtornos de personalidade podem causar alteração frequente no humor.

Os transtornos de personalidade podem causar alteração frequente no humor. FOTO Reprodução

Terceiro fator: é a “a saúde prévia do paciente e a existência de comorbidade e fatores de risco”. Como acontece na maioria dos transtornos de origem psíquica, o histórico de vida do paciente é importante, assim como a possibilidade de haver outras disfunções associadas. É muito frequente entre os psicopatas o abuso de substâncias entorpecentes ou ainda serem possuidores de distúrbios de humor severos, ou seja, podem se irritar facilmente. Além disso, o histórico pode indicar traumas de infância ou em decorrência de tragédias pessoais.

Quarto fator: esse aspecto é o momento da intervenção diagnóstica e terapêutica. Ou seja, avalia-se a condição atual do indivíduo e tem muito a ver com a realização de um diagnóstico precoce. No entanto, pode esbarrar na dificuldade de se identificar a patologia previamente, uma vez que, em geral, o psicopata só e descoberto após agir.

Os psicopatas podem apresentar comportamento instável ou não sofrer com as alterações na personalidade.

Os psicopatas podem apresentar comportamento instável ou não sofrer com as alterações na personalidade. FOTO Reprodução

Quinto fator: é a experiência e a disposição da equipe terapêutica em “abraçar a causa”. Muitas vezes, quem vai fazer o tratamento para psicopatia não está suficientemente preparado e é muito comum entre terapeutas a ideia de que os transtornos de personalidade sejam impossíveis de serem tratados. Predomina o conceito de que todos os psicopatas são violentos e incuráveis, em prejuízo daqueles que apresentam um grau mais leve do distúrbio e acabam excluídos de uma terapia que, em tese, poderia evitar o agravamento de sua condição.

Sexto fator: tem muito a ver com a condição anterior, da disponibilidade de unidades especializadas no atendimento de condições especiais. Uma vez que a maioria dos sistemas de saúde não possuem unidades específicas para atender psicopatas, algo que poderia custar muito dinheiro aos cofres públicos, sem qualquer garantia de resultados positivos. Por fim, deve-se considerar o conhecimento científico sobre esse transtorno, bem como atitudes culturais em relação à concepção do tratamento.

Texto David Cintra/Colaborador

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