Tire suas dúvidas sobre transtornos mentais

Ainda há muita dúvidas sobre transtornos mentais, que acabam gerando muita desinformação e preconceito. Tire algumas dessas dúvidas aqui.

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IMAGEM: iStock.com/Getty Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 02/08/2016 às 19:31
Atualizado às 21:02

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Em todo o mundo, os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da abrangência dos distúrbios (13% de todas doenças são desse tipo), ainda há muitas dúvidas e desinformação sobre o assunto.

Veja aqui algumas das dúvidas mais comuns sobre os transtornos mentais:

dúvidas transtornos mentais

IMAGEM: iStock.com/Getty Images

Esquizofrenia é o mesmo que dupla personalidade?

NÃO. A confusão, em parte, se dá pela origem da palavra esquizofrenia, que provém das palavras gregas schiz, (fragmentado) e phren (mente), ou seja, “mente dividida”, o que pode levar ao entendimento como “dupla personalidade”. “O paciente esquizofrênico não tem duas personalidades, e sim uma fragmentação do pensamento e uma inadequação do discurso”, destaca a neurologista Vanessa Muller.

De acordo com a psicanalista Júlia Bárány, embora o esquizofrênico apresente uma confusão de identificação devido à personalidade fragmentada, não há uma identificação com outra personalidade como ocorre com pacientes de dupla personalidade. “Dupla personalidade, ou tripla, ou várias, é uma doença mental em que o paciente assume personalidades conforme sua necessidade e cada uma delas não tem consciência da existência das outras”, define a psicanalista.

O transtorno de ansiedade não passa de frescura?

NÃO. O transtorno de ansiedade generalizada é uma doença causada por múltiplos fatores em que há alterações funcionais em estruturas cerebrais, portanto, trata-se de algo sério e não somente algo “inventado” pelo paciente. Uma prova disso é que alguns sintomas surgem de forma intensa, como taquicardia, medo e sudorese.

“Não é frescura, pois a pessoa não tem controle sobre sua reação ansiosa exagerada a estímulos corriqueiros. Quem tem transtorno de ansiedade generalizada (TAG) leva uma vida de muito sofrimento e interferência na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional”, lembra a psicanalista.

O primeiro sintoma de Alzheimer é a perda de memória?

DEPENDE. De acordo com as especialistas, como o transtorno é uma doença neurodegenerativa, provoca declínio nas funções intelectuais; contudo, os sintomas, a gravidade e a velocidade variam em cada indivíduo.

A esquizofrenia é um tipo de loucura?

NÃO. A definição de loucura é algo muito vago, usado de forma popular e nada científico. Por isso, não é correto usar o termo para definir a esquizofrenia, como explica Muller: “Não existe na classificação internacional das doenças médicas o diagnóstico de louco.

Na ciência, a esquizofrenia é uma doença biológica de origem multifatorial, que leva a alterações cerebrais e resulta em uma incapacidade de associar os pensamentos e as emoções. Desta dissociação ocorre a psicose, que é caracterizada pela perda do contato com a realidade, presença de delírios e alucinações”.

A pessoa com transtorno bipolar alterna de humor o tempo todo?

SIM. “Variação de humor durante o dia ocorre em qualquer indivíduo e isso é normal. Em pessoas com TB, há uma variação extrema de humor representado por duas fases: maníaca e depressiva”, explica Muller. Diferentemente de variações cotidianas de humor, quem é bipolar chega aos extremos, como na fase maníaca, quando fica eufórica, com muita energia e se sentindo muito bem.

Por outro lado, na fase depressiva, a pessoa apresenta falta de motivação ao ponto de não sentir prazer em nada. “As durações das fases variam de indivíduo para indivíduo. Por exemplo, em um dia, uma pessoa pode ter alterações no humor e outra ficar no estado depressivo por quatro semanas e três dias com mania”, conta a neurologista.

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Consultorias: Júlia Bárány, psicanalista; Vanessa Muller, neurologista e diretora médica da VTM Neurodiagnóstico, no Rio de Janeiro (RJ).

Texto e entrevistas: Natália Negretti – Edição: Augusto Biason/Colaborador

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