Esclerose é um conjunto de doenças, algumas vezes sem relação com o cérebro

Há vários tipos de esclerose, conjunto de doenças sem relação entre si e que muitas vezes não tem o cérebro como principal afetado

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Foto: Shutterstock

por Redação Alto Astral
Publicado em 07/12/2016 às 12:55
Atualizado às 12:54

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Esclerose compreende um conjunto de doenças sem relação entre si que atingem milhões de pessoas no Brasil e no mundo. E, ao contrário da percepção geral, elas não possuem, necessariamente, conexão com o cérebro. Entenda!

mulher com a mão na cabeça

Foto: Shutterstock

Esclerose múltipla (EM)

É uma doença inflamatória autoimune que afeta o sistema nervoso central, comprometendo o cérebro e a medula espinhal. De acordo com o neurocirurgião, Eduardo Barreto, ela caracteriza-se pela perda da bainha de mielina, protetora das fibras nervosas, em decorrência de um processo inflamatório no qual o próprio corpo “ataca” as células cerebrais. Esse quadro resulta na perda da capacidade de condução das fibras nervosas até a medula espinhal, o que pode causar quadros de paralisia, dificuldade de se locomover ou de movimentar outros membros, além de afetar a sensibilidade corporal. Os sintomas mais comuns identificados nos pacientes que convivem com a esclerose múltipla são fadiga, cansaço, visão turva, fala arrastada e dificuldade para se locomover e realizar tarefas diárias. Esses sintomas aparecem, geralmente, em surtos que servem para classificar cada caso:

Esclerose múltipla remitente recorrente ou surto remissão (EMRR): consistem em surtos que duram dias ou semanas, mas depois desaparecem e o paciente tem períodos de melhora.

Esclerose múltipla primária progressiva (EMPP): há progressão da doença, apesar dos tratamentos e o paciente não tem surtos com frequência.

Esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP): pacientes que evoluíram do quadro de surto remissão e vão piorando lentamente. O diagnóstico da esclerose múltipla é clínico e feito com a ajuda de testes laboratoriais. “Os exames de imagem, em especial, a ressonância magnética, são essenciais para a comprovação da hipótese clinica. Já os tratamentos visam a recuperação do sistema imunológico e incluem diversos medicamentos e os cuidados dependem do estado neurológico do paciente”, completa Eduardo. A esclerose múltipla é degenerativa e ainda não tem cura.

Esclerose lateral amiotrófica (ELA)

Quem não se lembra do desafio do balde de gelo que movimentou as redes sociais no ano de 2014? Pois bem, ele não era só uma brincadeira divertida. Na verdade, o desafio era uma forma de chamar a atenção para esse tipo de doença, ainda sem cura e pouco conhecida entre a população, além de arrecadar doações para a ALS Association, uma organização sem fins lucrativos que arrecada fundos para pesquisas e para ajudar pacientes com esclerose lateral amiotrófica. A ELA afeta principalmente os neurônios e as fibras situadas na parte lateral da medula, responsável pelo controle dos movimentos corporais. Segundo Cristiane Gussi, médica da família, os sintomas da ELA são decorrentes da deterioração do neurônio motor e podem causar fraqueza, atrofia muscular, câimbras, dificuldade na fala, entre outros prejuízos. O diagnóstico é clínico e a ressonância magnética com difusão tem auxiliado na descoberta dos pacientes com a doença. “O tratamento e os cuidados com o paciente dependem da evolução do quadro clínico e os medicamentos visam controlar a resposta imunológica anormal”, comenta Eduardo.

Esclerose sistêmica (ES)

“É uma doença do tecido conjuntivo que se apresenta por fibrose na pele e nas vísceras. Pode ocorrer em qualquer idade, mas tem maior incidência dos 35 aos 54 anos”, afirma Cristiane. Ela pode ser classificada em ES limitada e ES cutânea, que se diferenciam pela extensão da pele acometida. Na esclerose limitada, o espessamento da pele envolve a face, as mãos e antebraços, pernas e pés. Na cutânea, além das partes já citadas, as coxas e o tronco também são afetados. Dessa forma, é importante identificar o tipo de esclerose, pois a extensão da pele atingida pode refletir o grau do acometimento dos órgãos internos. A médica ainda relaciona a incidência do Fenômeno de Raynaud – no qual os dedos ficam pálidos ou azulados quando está frio e só voltam à cor normal quando expostos ao calor – com ambas as formas de esclerose sistêmica. Segundo a Associação Brasileira de Pacientes com Esclerose Sistêmica, o fenômeno acomete 95% das pessoas com a doença. É preciso ressaltar que a ES não tem nenhuma relação com o cérebro e, assim, não compromete a parte cognitiva do paciente.

Esclerose tuberosa (ET)

“É uma síndrome genética rara, caracterizada pelo crescimento de tumores benignos em vários órgãos do corpo, como cérebro, rim, coração, pulmão e pele”, explica a médica da família. Assim como a esclerose sistêmica, esse tipo de doença não compromete o funcionamento cerebral. Ela é causada por má formação genética nos genes TSC1, localizado no cromossomo 9 e no TSC2, encontrado no cromossomo 16. Os sintomas podem ser convulsões, problemas no desenvolvimento, alterações comportamentais, anormalidades de pele e doenças nos pulmões e nos rins.

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Consultoria: Eduardo Barreto, neurocirurgião; Cristiane Gussi, médica especializada em Medicina de família e pós-graduada em Medicina Chinesa