Sonambulismo: entenda como e por que ocorre esse distúrbio do sono

O sono é fundamental para nosso organismo. Entretanto, o sonambulismo pode oferecer alguns riscos a quem sofre com esse transtorno cercado por mitos

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IMAGEM: Shutterstock.com

por Redação Alto Astral
Publicado em 01/12/2017 às 09:20
Atualizado às 14:59

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O sono é fundamental para nosso organismo descansar e executar algumas funções importantes. No entanto, para muitas pessoas, o momento mais relaxante do dia pode ganhar contornos de preocupação e risco. E o grande culpado disso atende pelo nome de sonambulismo!

Para entendermos como ele funciona, é necessário, antes de tudo, que se saiba o que é esse transtorno. São identificados no sono dois estados distintos: o sono REM (do inglês, movimentos rápidos dos olhos), com atividade cerebral mais rápida, e o sono mais lento, ou sono não REM. De acordo com a neurologista Marcela Cordellini, o sonambulismo “é uma parassonia de alterações nos estados normais do ciclo de sono não REM, com o indivíduo executando uma sequência de comportamentos complexos para essa etapa”.

Durante um desses acessos, o indivíduo pode se levantar da cama, andar, lavar louça, abrir e fechar portas e janelas, entre outras atividades aparentemente inofensivas. Mas existem, também, registros de comportamentos bizarros, como urinar em locais não apropriados. “A pessoa entra num estado de despertar parcial, sem consciência do que está fazendo, realizando um comportamento automatizado. Geralmente, não se tem memória do evento, pois não é um estado de completo alerta”, afirma a especialista. Normalmente, tais acessos terminam instantaneamente, “com o paciente acordando no novo local no qual foi parar ou, simplesmente, voltando a dormir”, completa Cordellini.

Causas do sonambulismo

Segundo a neurologista, não existe uma resposta definitiva sobre os motivos específicos que causem o sonambulismo, podendo ele ser descrito como uma disfunção de todo ciclo sono-vigília. “Para que o sono ocorra, é necessário que alguns fotomecanismos sejam ativados no córtex e na região do tronco cerebral. Uma das áreas é a conhecida como Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA) que, literalmente, controla o estado de alerta e sono da pessoa. Só que existe uma sequência complexa de liberações para você entrar em sono. Quando alguma dessas etapas não ocorre na ordem correta, o sono não se aprofunda adequadamente. É o que ocorre no sonâmbulo”, acrescenta Marcela.

Quem é atingido?

O sonambulismo ocorre com mais frequência em crianças, sendo menos comum em adultos. “Geralmente os adultos que o possuem foram crianças que permaneceram sonâmbulas”, pontua Cordellini. Essa parassonia não é comum de ser apresentada. Porém, Marcela lembra que há uma dificuldade na mensuração dos casos, justamente por a pessoa não contar sobre o transtorno ou mesmo por não se lembrar dos acessos que teve, cabendo aos familiares alertar e relatar a ela ou aos médicos o evento.

Riscos e tratamento

O sonambulismo em si não tende a ser perigoso. É sabido, entretanto, que alguns comportamentos do sonâmbulo podem ser de risco para ele, colocando-se em situações que podem lesá-lo fisicamente como mexer com facas, tesouras, agulhas, etc. Por isso, é necessária a atenção no ambiente que este indivíduo está circulando. “É preciso descobrir o padrão de sonambulismo dessa pessoa. Se você perceber que existem certos locais de risco para ela, abaixe a altura da cama, tranque as janelas e as portas, retire coisas perigosas e afiadas de perto, tudo com o intuito de evitar ferimentos”, orienta Marcela.

A segunda medida importante a se tomar é tentar evitar potencializadores dessa parassonia. “Existem certos elementos que podem piorar o quadro de quem é sonâmbulo, como o consumo de bebida alcoólica, o uso de medicamentos que sabidamente interferem no ciclo do sono-vigília, antidepressivos, ou até mesmo alterações de ansiedade e comportamento. Quando bem identificados esses fatores, devemos evitá-los”, afirma a especialista.

Por fim, considera-se o uso de medicações que tendem a aprofundar o sono, de forma clínica. As mais utilizadas são sedativos como as benzodiazepinas e similares, que sedam o cérebro do paciente, diminuindo a tendência em acordar.

Texto e entrevista: Leonardo Guerino / Colaborador | Consultoria: Marcela Cordelini, neurologista

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