Psicólogo ou psiquiatra? Saiba quando e como recorrer a cada profissional

É só aparecer um problema de ordem emocional que o conselho sempre acaba surgindo: “Vá para a terapia”. A situação, no entanto, não é tão simples assim

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(Foto: Shutterstock)

por Redação Alto Astral
Publicado em 19/09/2017 às 13:04
Atualizado às 13:04

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A pergunta presente no título da matéria “é muito frequente e geralmente gera confusão por parte dos pacientes, já que as duas profissões estão ligadas a problemas psíquicos”. É o que responde a psiquiatra Licia Milena de Oliveira quando perguntamos se um determinado problema mental deve ser tratado por um psicólogo ou um psiquiatra. Na verdade, tudo vai depender do que o paciente está se queixando, assim como dos sintomas diagnosticados pelo profissional da saúde mental em questão. A partir daí, podemos ter pistas ou indicações de qual (ou quais) especialidade procurar.

Cuidados com o emocional

Segundo a professora e psicóloga Valéria Lopes da Silva, para todos os problemas e sofrimentos emocionais, sem que haja causas orgânicas, são recomendados o tratamento psicológico. “O psicólogo é o profissional preparado para lidar com o sofrimento afetivo humano em seus vários âmbitos”, defende. “A ênfase do psicólogo é nos métodos terapêuticos, considerando o desenvolvimento, a personalidade do seu paciente”, diz Alexandre Rivero, psicólogo clínico.

Dois em um

Há casos em que psiquiatras possuem formação em psicoterapia e, dessa forma, podem praticar esse tratamento combinado com a medicação. Porém, o médico psiquiatra Guido Boabaid May enfatiza que “a indicação do tratamento mais adequado para cada paciente é sempre responsabilidade do profissional, seja ele psiquiatra ou psicólogo”.

Já o psiquiatra Mário Louzã diz que, em princípio, todo paciente com algum tipo de transtorno emocional em início deve passar em um psiquiatra. “Às vezes, uma doença física, se não for detectada com exames, pode passar batida. É comum a depressão causada por hipotireoidismo”. Nesse caso, passa despercebido um problema cujo tratamento é completamente diferente de uma terapia. “É até uma questão de cuidado em termos de se fazer um diagnóstico acertado e, se for o caso, encaminhar para uma terapia”, ressalta Mário.

Lado a lado

Contudo, muitos dos profissionais defendem que psiquiatra e a psicologia caminhem lado a lado em prol do paciente. “Um psiquiatra pode tratar com medicação um caso de ansiedade e encaminhar para tratamento psicológico conjunto. Já o psicólogo pode estar atendendo um paciente em separação conjugal e solicitar avaliação psiquiátrica por desconfiar que o paciente começou a desenvolver um transtorno depressivo”, revela Licia Milena de Oliveira, psiquiatra.

A psicóloga clínica Lia Honório chama a atenção para pessoas que se encontram tão debilitadas emocionalmente no início dos atendimentos que não conseguem aproveitar as sessões de psicoterapia. “O diálogo estabelecido com o psicólogo parece não fazer sentido para ele. Geralmente a pessoa tem dificuldade em trabalhar, dormir e até se alimentar”.

Nesses casos, Lia indica a ajuda de um psiquiatra, que irá iniciar paralelamente à psicoterapia um tratamento medicamentoso. “Esse equilíbrio químico é um aliado importantíssimo para o reestabelecimento emocional, uma vez que os aspectos corpo-mente estão intimamente ligados. Muitas vezes, é possível seguir apenas com a psicoterapia, e alguns optam por apenas se submeter à terapia medicamentosa, sem buscar compreender a raiz desses sintomas mentais. Nesses casos, há grandes chances de o paciente ficar dependente da medicação por um longo período ou até mesmo a vida inteira, o que geralmente não ocorre com quem opta seguir com as duas terapias”.

Indicações

Consultamos vários psiquiatras e psicólogos a fim de saber quais transtornos, problemas emocionais e doenças são tratados por quais profissionais. Embora a galeria abaixo reúna os principais, quem irá averiguar o melhor caminho de tratamento são os profissionais, dependendo dos sintomas e a intensidade de cada um deles manifestados pelo paciente. Confira:

Texto: Ricardo Piccinato

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