ESTILO DE VIDA

Primeiros-socorros: saiba o que deve ser feito para tratar os acidentes

Você sabia que alguns curativos feitos em casa acabam prejudicando os ferimentos ao contrário de ajudar? Saiba o que deve ser feito no caso de acidentes!

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Foto: PureStockX/DIOMEDIA

por Redação Alto Astral
Publicado em 16/12/2016 às 13:00
Atualizado às 16:12

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Caiu, machucou, queimou, cortou, esfolou… Nessas situações é difícil quem não conheça uma “dica infalível” e um produto baratinho para tratar as lesões dos acidentes.

acidentes curativos dedo

Foto: PureStockX/DIOMEDIA

Em busca de um tratamento acessível, algumas pessoas apostam no creme dental para queimadura, infusões de ervas ou água oxigenada para machucados, bicarbonato para cicatrizar afta etc. Mas será que as receitas domésticas e produtos baratos funcionam? “A maioria das coisas que são feitas em casa para lidar com um ferimento ou outros acidentes são problemáticas depois, quando a pessoa procura um médico ou pronto-socorro”, defende o clínico geral Alfredo Salim Helito. Aprenda como agir adequadamente em cada situação.

Só um raladinho

A primeira medida para tratar um machucado é lavar com muita água corrente. Nem pense em passar pastas, cremes, chás ou qualquer outro produto. “Isso só vai complicar o curativo posterior, pois o que for espalhado terá de ser retirado, gerando muita dor sem necessidade”, defende o clínico geral. O uso de sabonete neutro para a limpeza também é indicado. Para os cortes superficiais, arranhões e ralados, os curativos esterilizados estão liberados. “Não prejudicam a cicatrização pela porosidade, que oferece certo grau de respiração”, detalha Salim.

É grave?

O atendimento em casa só é indicado para casos de acidentes mais simples. “Para descobrir quando procurar atendimento especializado, é recomendado verificar a intensidade da dor, a vermelhidão local, a saída de secreção e se o paciente tem febre. Lembrando que é complicado, para um leigo, avaliar a necessidade de ajuda médica”, alerta a enfermeira Francisca Adriana Costa. Se o ferimento for sério e necessitar de pontos ou de um tratamento mais complexo, corra para um hospital. “Em caso de sangramento, pressione uma toalha limpa ou gaze para obstruir o local”, explica Salim.

Outras dicas

  • Compressas de água fria agilizam a absorção de hematomas (como manchas roxas)
  • Prefira procurar o pronto-atendimento para retirar lascas de madeira, pedaços de metal, anzóis ou outros objetos enroscados na pele, já que germes e bactérias presentes em pinças e agulhas são capazes de agravar a situação
  • Queimaduras são acidentes sério. Coloque a área afetada embaixo da torneira por 5 minutos ou em uma bacia em temperatura ambiente. Não cubra a queimadura, nem aplique gelo ou passe nada no local, para evitar a contaminação. Nunca estoure as bolhas

Fique atento!

Entenda por que água e sabão são a melhor escolha para o tratamento de machucados causados pelos acidentes, conhecendo melhor alguns itens disponíveis na caixinha de remédios:

  • Soro fisiológico: : o produto é excelente para olhos irritados (com um cisco ou conjuntivite, por exemplo), além de higienizar e hidratar as mucosas (bucal, nasal e ocular). “É possível lavar um machucado com um pouco de soro para tirar a sujeira, mas não apresenta muita vantagem em comparação com uma boa lavagem com água corrente”, orienta o clínico geral
  • Água oxigenada: é lesiva para as mucosas, pode ferir a pele e não deve ser usada de modo rotineiro por quem não é médico
  • Bicarbonato de sódio: uso sem indicação não é aconselhado, um dos efeitos possíveis são lesões na pele
  • Água boricada: é outro exemplo de pro – duto que não deve ser aplicado sem orientação prévia. “Uma das consequências são graves alergias, resultantes do uso errado do ácido bórico”, alerta Salim
  • Pomadas e cremes: podem gerar transtornos graves. Só devem ser utilizados com recomendação médica.
  • Desinfetantes de ferimentos: quando a pazinha do produto é aplicada sobre o machucado leva as bactérias do local para dentro do vidro. Algumas bactérias mais agressivas são capazes de sobreviver e se desenvolver, sendo transferidas para a próxima ferida em uma nova aplicação

Alerta vermelho

seringa médico automedicação

Foto: Shutterstock

Todo ano, cerca de 20 mil pessoas morrem no país vítimas da automedicação, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma). Por isso, nunca caia na tentação de tomar um remédio sem ordem médica. “O indivíduo não sabe se o remédio que está ingerindo é certo, e mesmo se for o correto, não tem conhecimento de como agir caso esse remédio cause alguma adversidade, já que todo medicamento pode causar efeitos colaterais”, reforça o clínico geral. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10%. A combinação indiscriminada de remédios é outro fator de risco, uma vez que um produto pode anular a ação do outro ou intensificar o efeito colateral.

Texto: Redação Alto Astral

Consultoria: Alfredo Salim Helito, clínico geral do Hospital Sírio-Libanês; Francisca Adriana da Silva Costa, enfermeira

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