ESTILO DE VIDA

Mitos e verdades sobre a obesidade infantil

Os mitos e verdades sobre a obesidade infantil podem, frequentemente, confundir os pais sobre quais as melhores decisões sobre a saúde do filho. Confira, aqui, quais as indicações corretas para o problema.

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“A obesidade infantil pode ser evitada de forma muito simples, principalmente por meio de mudanças nos hábitos da família”, Laura Cudizio, nutricionista. FOTO: iStock/Getty Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 20/09/2018 às 07:00
Atualizado às 17:09

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Segundo estudo publicado em 2017 pela revista científica The Lancet, o número de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos obesos em todo o mundo aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas. E mais: em um artigo recente publicado no Journal of Paediatrics and Child Health, de 15 a 20% das crianças menores de cinco anos já apresentam sobrepeso ou obesidade, com evidências de que a intervenção no controle de peso da mãe durante a gestação já pode ter impacto na programação metabólica da criança, mesmo antes do nascimento. Por esses motivos é tão importante distinguir os mitos e verdades sobre a obesidade infantil.

As dúvidas sobre como evitá-la são muito comuns e existem alguns mitos que costumam confundir os pais. Por isso, a pediatra Gabriela Nunes e a endocrinologista pediatra Laura Cudizio, membros da plataforma Doctoralia, ajudaram a separar o senso comum do que realmente é verdade sobre o problema. Confira!

Mitos e verdades sobre a obesidade infantil

“Sou obeso e por uma questão genética meu filho também será”

Quando um dos pais é obeso, a criança pode ter um risco 15% maior de ser obesa. Quando o pai e a mãe são obesos esse risco pode aumentar para 30%. Contudo, apesar de a obesidade por fatores genéticos existir, corresponde a menos de 10% dos casos. Em geral, a obesidade infantil acontece porque os hábitos de vida da família são favoráveis para o ganho de peso das crianças.

Acontece pouca prática de atividades físicas, horários irregulares para as refeições e consumo exagerado de alimentos processados, que são ricos em gorduras e açúcares. Se os adultos têm hábitos que levam ao ganho de peso, as crianças também terão, mas isso não é genético, é comportamental.

Portanto, o fundamental é que as pessoas ensinem seus filhos a terem uma alimentação balanceada e saudável e a sempre praticarem exercícios físicos. Para isso, também é recomendável manter a regularidade de visitas aos médicos para avaliar a saúde e orientá-los corretamente.

Só não emagrece quem não quer”

Dizer que ninguém ganha peso de um dia para outro é mais correto. Quando o pediatra identifica que o ganho de peso inadequado está acontecendo, em geral, as mudanças nos hábitos são suficientes para interromper esse processo. É muito difícil perder peso, principalmente com o passar do tempo.

“Criança não pode fazer dieta”

Mitos e verdades sobre a obesidade infantil: dieta

Dietas restritivas não são recomendadas para crianças. FOTO: iStock/Getty Images

Se comer nos horários corretos, quantidades adequadas, sem excesso de gorduras e açúcares for fazer dieta, então deveríamos todos fazer dieta. O conceito de dieta que temos para adultos, com restrição de calorias e grupos alimentares (low carb, 100 calorias, entre outros) realmente não é o recomendado para crianças.

Quando uma criança está acima do peso ou apresenta problemas de saúde relacionados diretamente com maus hábitos alimentares (alteração de colesterol, por exemplo) é necessário consultar um especialista para entender onde está o erro e como corrigi-lo.

“Uma criança obesa será um adulto com tendência a engordar mais fácil”

Mitos e verdades sobre a obesidade infantil: crianças obesas se tornam adultos obesos?

A tendência é que, caso nada seja feito, a obesidade permaneça e, até mesmo, continue nas gerações seguintes. FOTO: iStock/Getty Images

Os mitos e verdades sobre a obesidade infantil estão muito relacionados com a prevalência do problema por toda a vida. Estatisticamente, uma criança obesa tem maior risco de ser um adolescente obeso; um adolescente obeso tem mais chances de ser um adulto obeso; pais obesos têm maior probabilidade de terem filhos obesos.

Quando se identifica o ganho de peso na criança, o tratamento com mudança de hábitos de vida pode ser suficiente para evitar que esse ganho de peso se perpetue até a idade adulta. Não importa a idade, ter hábitos alimentares saudáveis é sempre fundamental.

“Criança não pode comer açúcar até os dois anos”

Mitos e verdades sobre a obesidade infantil: açúcar

Alimentos com acréscimo de açúcar não são recomendados para os pequenos. FOTO: iStock/Getty Images

Essa é uma recomendação das sociedades de pediatria e endocrinologia pediátrica do mundo todo. Não é recomendado oferecer alimentos ultraprocessados nem adicionar açúcar aos alimentos oferecidos às crianças menores de 2 anos de idade. A criança está desenvolvendo o paladar e conhecendo o sabor dos alimentos. A adição de açúcar, na maioria das vezes, é desnecessária, portanto deve ser evitada.

“É melhor substituir o refrigerante pelo suco de caixinha”

Mitos e verdades sobre a obesidade infantil: refrigerante

Frutas naturais são a melhor opção. FOTO: iStock/Getty Images

A orientação atual é não oferecer sucos para as crianças menores de 2 anos, deve-se oferecer a fruta inteira em razão de ser uma melhor fonte de vitaminas e fibras. O líquido de escolha é água!

Se for oferecer suco, a melhor opção é o suco natural da fruta da estação, que não precisa ser adoçado, pois a fruta é naturalmente doce. Atualmente há sucos de caixinha que são 100% suco e sem adição de açúcar ou conservantes. Eles são melhores do que os “sucos de caixinha” do tipo néctar – menos de 30% de suco e adição de açúcar. Refrigerantes devem ser consumidos com moderação e muito esporadicamente, nunca antes dos 2 anos de idade.

Esses mitos e verdades sobre a obesidade infantil representam apenas algumas indicações gerais, nenhuma dessas respostas exclui a necessidade de consultar um especialista

Texto: Redação Alto Astral | Consultoria: Gabriela Nunes, pediatra da Doctoralia e Laura Cudizio, endócrino pediatra da Doctoralia

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