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Dia mundial de doação de medula óssea: como funciona?

O transplante de medula óssea em casos de anemia falciforme já está disponível pelo SUS e é uma arma a mais no combate à doença

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Foto Shutterstock.com

por Redação Alto Astral
Publicado em 19/09/2016 às 11:19
Atualizado às 20:57

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), anemia é a condição na qual o conteúdo de hemoglobina – pigmento dos glóbulos vermelhos responsável por transportar o oxigênio dos pulmões aos tecidos ‒ no sangue está abaixo do normal, pela carência de um ou mais nutrientes essenciais, independentemente da causa dessa deficiência. Existe, ainda, um tipo diferente de anemia: falciforme.

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FOTO: Shutterstock

Do que se trata?

A anemia falciforme recebe esse nome porque provoca um dano nas hemácias que as fazem ficar no formato de uma foice e não redondas. Essas células “afoiçadas” têm muita dificuldade de circular pelas veias, favorecendo a ocorrência de trombose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, o organismo combate os glóbulos vermelhos por serem considerados estranhos, causando anemia. Trata-se de uma doença passada de pais para filhos, e é mais frequente em negros, embora, por causa da miscigenação do povo brasileiro, também afete pessoas de pele branca. Estima-se que 8% da população afrodescendente do país sofra com o problema.

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Como tratar?

Quando o bebê passa pelo teste do pezinho, pode-se identificar a presença ou não de anemia falciforme. O tratamento consiste na administração de medicamentos e em transfusões de sangue, além de exigir o acompanhamento médico constante por toda a vida.

Medula Óssea

Considerado o único tratamento capaz de curar a anemia falciforme, o transplante de medula óssea foi incluído no rol de procedimentos coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2015. Segundo informações do Ministério da Saúde, a decisão por proporcionar este tratamento via SUS surgiu após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que debateu o assunto com especialistas e diversos segmentos da sociedade por meio de consulta pública.

O procedimento é indicado para pacientes com doença falciforme em uso de hidroxiureia que apresente, pelo menos, uma das seguintes condições:

  • alteração neurológica devido a acidente vascular encefálico
  • alteração neurológica que persista por mais de 24 horas ou alteração de exame de imagem
  • doença cerebrovascular associada à doença falciforme
  • mais de duas crises vasoclusivas (inclusive Síndrome Torácica Aguda) graves no último ano
  • mais de um episódio de priapismo (ereção involuntária e dolorosa)
  • presença de mais de dois anticorpos em pacientes sob hipertransfusão
  • ou osteonecrose em mais de uma articulação.

Reconhecendo o problema

Além dos sintomas comuns às anemias, a partir do sexto mês de vida, o portador da doença pode apresentar:

  • Crises de dor, especialmente nos ossos e nas articulações;
  • Síndrome mão-pé, que causa dor, inchaço e vermelhidão nessas áreas do corpo de crianças;
  • Icterícia (olhos e pele amarelados);
  • Infecções frequentes;
  • Feridas nas pernas, especialmente a partir da adolescência;
  • Retenção de sangue no baço, que deve filtrar o líquido, mas pode impedir sua distribuição para o restante do corpo.