A importância de se ter um hobby

O hobby pode ser de grande utilidade para estimular seu cérebro e fortalecer sua inteligência. Entenda de que forma isso ocorre!

por Redação Alto Astral
Publicado em 15/09/2016 às 19:33
Atualizado às 11:35

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ORITMO ACELERADO DO DIA A DIA É UM CLÁSSICO DA VIDA MODERNA. MILHARES DE PESSOAS ACORDAM CEDO, SAEM PARA O TRABALHO, VOLTAM CANSADAS, JOGAM-SE NO SOFÁ E ADORMECEM. Assim, consomem todo o tempo livre, não se organizam e têm a sensação de que nunca sobra um único momento para dedicar em si mesmos. A culpa fica em cima dos filhos, do trabalho extenuante ou do trânsito: em tudo, menos na própria responsabilidade em não se organizar e aproveitar o tempo com seu eu para refletir sobre a vida. No entanto, é possível melhorar esses aspectos ao cultivar um hobby.

Inúmeras opções

Existe uma diversidade incrível de hobbies. Para pessoas mais tranquilas e tímidas, há a fotografia, pintura, jogo de cartas, coleções, culinária, jardinagem, quebra-cabeças, leitura, yoga e muitas outras. Já para os mais desinibidos, é possível investir no teatro, dança, mágica, um instrumento musical ou comédia. Por outro lado, um espírito mais aventureiro permite se arriscar em corrida, escalada, basquete, skate, surfe, natação, exploração da natureza, pesca, ou inclusive salto de paraquedas. Segundo o psicólogo João Alexandre Borba, o hobby precisa funcionar como um passatempo. “A ideia é que você entre em contato com seu eu. É preciso ver se te nutre emocionalmente”, explica.

Benefícios

De acordo com o psicólogo, “a primeira coisa importante a se destacar é que ter um hobby é sinal de autoconhecimento e de autoestima porque, no momento em que você está executando uma ação em que está tendo prazer – e ajuda a passar o tempo de uma forma saudável e agradável –, você está estimulando a autoestima. Está mostrando para si que tem escolhido ações que estão sendo agradáveis, que estão te beneficiando”.

Por isso, em meio à rotina moderna e à enxurrada de notificações de redes sociais como WhatsApp e Facebook, praticar um hobby é uma ótima forma de refletir sobre sua realidade interna, deixando de lado prazeres e ganhos superficiais e, assim, cultivar a felicidade verdadeira (plena) sem interrupções.

Os hobbies também podem ajudar a melhor administrar seus horários e motivar a eficiência. Isso ocorre porque, quanto menos tempo nós temos, mais nos organizamos para concluir as tarefas e não deixarmos tudo para a última hora. Dessa maneira, definimos partes do dia para cada situação/ação, por exemplo, toda terça-feira à noite, após o trabalho, você pode dedicar uma hora ao seu hobby de pintura. Assim, não agendará outros compromissos para o mesmo período.

Mas atenção: a atividade não precisa gerar algo produtivo externamente, por exemplo, ser uma forma de obter renda. “Se trouxer, tudo bem, mas a ideia do hobby é que ele não funcione tanto como algo que gere uma produção porque vou ter uma obrigação com relação a ele. No hobby, a ideia é relaxar”, destaca João Alexandre. Assim, é preciso desassociá-lo da produtividade.

Criativos e prestativos

Um estudo realizado por psicólogos da San Francisco State University, nos Estados Unidos, publicado em 2014, mostrou que quanto mais as pessoas são engajadas em seus hobbies, é mais provável que desenvolvam soluções criativas para problemas no trabalho. Além disso, esses mesmos indivíduos estão mais propensos a ajudar seus colegas caso precisem de auxílio

A pesquisa entrevistou 350 pessoas – com trabalhos e hobbies variados – e questionou o que faziam em seu tempo livre, além do comportamento dentro das empresas. Aquelas que afirmaram ser mais engajadas em tarefas criativas foram de 15 a 30% melhores nos rankings de desempenho do que os funcionários que praticavam ocasionalmente.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores resolveram entrevistar 90 capitães da Força Aérea Norte-Americana, visto que são treinados para resolver problemas difíceis e ajudar o próximo dentro da corporação. O objetivo era verificar se ter um hobby afetava o desempenho de alguma maneira. Além de perguntar aos oficiais como avaliavam sua performance no trabalho, também checaram as avaliações anteriores de seus colegas e chefes.

Como conclusão, descobriram que cultivar um hobby e ser criativo no trabalho estão correlacionados, reforçando um ao outro. Além disso, essa atividade pode ajudar as pessoas a se sentirem mais ativas e engajadas no trabalho, isso porque auxilia cada indivíduo a conhecer suas forças (qualidades) e fraquezas (defeitos).

Os estudiosos também levaram em conta critérios como a personalidade, pedindo para que os participantes indicassem – numa escala de um a sete – quão abertos eram a novas experiências e o quanto valorizavam a arte em geral.

Em comunidade

Embora alguns hobbies sejam cultivados de forma solitária, também é possível praticá-los com outras pessoas, criando novos laços sociais. É o caso de clubes de leitura e aulas de pintura ou dança.

Além disso, um hobby pode trazer novos conhecimentos, histórias de vida e estimular a curiosidade. Assim, em uma festa, pode ser que você compartilhe essa paixão com outras pessoas e as inspire. Além disso, pode mostrar quem você é na intimidade e características da sua própria personalidade.

Com um hobby, segundo João Alexandre, “você consegue perceber o quanto ter tido aquele tempo para você gerou energia para outras coisas. Gerou força de ação, de reflexão e mais vitalidade”.

Para estresse e ansiedade

Indivíduos que produzem demais e têm um trabalho estressante precisam, em algum momento, relaxar. Para isso, muitos acomodam-se no sofá e ligam a televisão, sendo consideradas breves distrações que ajudam a aliviar o estresse. No entanto, quem busca o verdadeiro bem-estar, e não apenas uma forma de escape, pode investir em uma nova prática. “O hobby é uma atividade que vai ajudar a passar o tempo de maneira mais light, já que você está se dando prazer”, explica o psicólogo. O profissional ainda elucida que “as pessoas, quando estão no momento do hobby, estão liberando a tensão, o estresse e a ansiedade. Estão se conectando mais a elas mesmas e, assim, a autoestima se eleva”.

No caso dos apaixonados pelo trabalho e que transformaram o hobby em um meio de ganhar dinheiro, é preciso ter cuidado! Embora seja algo que goste muito, é necessário avaliar, de tempos em tempos, se tem contribuído para o seu desenvolvimento pessoal e emocional e descobrir se investir em uma nova atividade para relaxar não é uma opção viável.

No caso da ansiedade, uma prática nova e que exige autocontrole pode ajudar a atenuar a sensação de correr contra o tempo e, como consequência, promover uma paz interna. “Esse momento de calmaria ajudaria a pessoa a se recuperar mais rápido. É como se o lenhador parasse para afiar um pouco a serra para poder cortar mais rápido”, compara o psicólogo. Além disso, ajuda a entender como é a sua própria personalidade e em quais momentos a ansiedade surge, analisando-a e aprendendo a identificar maneiras de evitá-la. “O hobby é um movimento que você passa a ter contato com você mesmo, ele te ajuda a ficar mais presente, mais conectado”, conclui João Alexandre Borba

Encontre o seu

O que é necessário para escolher um hobby e investir nele? O psicólogo João Alexandre Borba explica que, em um primeiro momento, é preciso “verificar uma atividade que você gosta, experimentar fazê-la e ver como se sente”. Algumas opções bem comuns são:

  • Exercícios físicos: ir à academia, frequentar aulas de dança, jogar futebol, praticar natação, entre outros;
  • Ler e escrever: faça a leitura de blogs, livros, histórias em quadrinhos ou ainda participe de um clube de leitura. Você também pode investir no seu próprio talento e escrever poemas, contos ou experiências de viagens;
  • Trabalhos manuais: bordado, pintura, desenho ou modelagem em argila são algumas opções;
  • Música: é possível investir no aprendizado de um novo instrumento musical, aulas de canto ou fazer parte de um coral.
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