Hipnose: ela pode ajudar você

Descubra os benefícios com tratamentos por meio da hipnose, técnica que vem ganhando cada vez mais importância na ciência

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No século 18, o médico alemão Frans Anton Mesmer começou a propagar a hipnose, com a teoria de que existiam fluídos magnéticos no cérebro humano que, em desequilíbrio, causariam transtornos mentais.
A teoria de Mesmer já caiu por terra, mas essa fama durou por muito tempo, chegando aos dias de hoje ainda com um pouco de desconfiança pelo grande público. Contudo, a hipnoterapia se desvencilha cada vez mais do seu passado, ganhando a confiança das pessoas.

 

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Atividades cerebrais

A hipnose é frequentemente confundida com o sono fisiológico, porém os estados de consciência de ambos são diferentes. A pessoa que entra em um estado hipnótico tem uma espécie de dissociação entre algumas áreas cerebrais.

Nesse estágio, as interpretações da região que cuida da consciência (o neocórtex) em relação ao sistema límbico (parte responsável pela memória, pelo aprendizado e controle de emoções) são interrompidas. Com isso, a mente fica mais acessível às sugestões do hipnoterapeuta, possibilitando as ressignificações por um tempo determinado.

Tratamento pela hipnose

Apesar do receio das pessoas em buscar o auxílio da hipnoterapia para o tratamento de traumas, vícios, ou outros distúrbios, a eficácia do método vem sendo comprovada cientificamente. “Definitivamente, pode ser usada no combate a inúmeras dependências, como o fumo e o alcoolismo, e na ajuda para a perda de peso”, explica o psicanalista Stephen Paul Adler. O especialista ainda diz que há a possibilidade de a técnica ajudar o paciente a desenvolver aptidões e, ainda, recuperar-se de processos de vitimização por algum fato ocorrido, ansiedade, fobias, bipolaridade, obsessões e outros distúrbios.

 

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Cada especialista pode apresentar uma técnica diferente para chegar a um trauma ou vício por meio da hipnoterapia. O hipnólogo Alessandro Baitello utiliza um processo próprio de criar um novo significado em relação à causa do que incomoda o paciente, buscando-a no passado do indivíduo e mostrando outra história ao seu inconsciente. “Esse método demonstra a eficácia da ressiginificação de um problema na mente inconsciente”, afirma Baitello.
Outra maneira de lidar com vícios, seja em tabaco, álcool ou outra droga, é induzir a relação de prazer e satisfação que a pessoa tem com a sua causa a um sentimento ruim.

Porém, é importante lembrar que nenhum desses processos vai curar qualquer trauma ou vício com apenas uma sessão de terapia. Assim como outros meios de tratamento, a hipnose exige um trabalho contínuo e prolongado para a redução de sintomas. O psicólogo João Oliveira ainda ressalta que “a hipnose, sozinha, não é o tratamento; ela é uma ferramenta dentro da psicoterapia”.

Pontos contra a hipnose

Apesar de todas as possibilidades de terapia comprovadas por meio da hipnose, o método, assim como outros, possui contraindicações ou ineficácia em certos casos. Mesmo sendo útil contra alguns transtornos mentais, a hipnose não é recomendada para pessoas em quadros graves. Pois, segundo Oliveira, para que o paciente entre em estado hipnótico, é preciso que apresente uma capacidade de estruturação do pensamento para que consiga manter o foco e atingir o estado de alteração da consciência.
Outro ponto a ser levado em consideração, antes de se buscar a hipnoterapia, é a presença de alguma patologia hereditária. Mesmo que a hipnose consiga diminuir o respectivo sintoma, é improvável a superação total da manifestação apenas por esse procedimento.

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Basta querer

Sim, todo mundo pode ser hipnotizado. Afinal, toda vez que estamos muito concentrados em algo, como quando procuramos a chave de casa, mas ela está em nossas mãos e, mesmo assim, continuamos tentando achá-la, nos encontramos em uma espécie de hipnose. “O hipnoterapeuta serve como um caminho para algo que a pessoa já sabe como fazer – entrar em transe. Assim, toda hipnose é auto-hipnose. Se o paciente não quer entrar em estado hipnótico, ele simplesmente não vai”, esclarece Adler.
O psicanalista indica que, para haver bons resultados, é necessária uma relação de confiança entre o terapeuta e o paciente. Outra questão que pode interferir na eficácia é a abertura e a disposição do indivíduo ao tratamento pela hipnose.

 

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Consultorias: Alessandro Baitello, especialista em hipnose, presidente e fundador da Rede Clínica da Hipnose, em São Paulo (SP); João Oliveira, psicólogo, diretor de cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer, no Rio de Janeiro (RJ) e professor de cursos presenciais e on-line no site www.hipnose.com.br; Stephen Paul Adler, psicanalista, consultor e membro do Conselho Nacional de Hipnoterapeutas Clínicos Certificados.

Texto e entrevistas: Giovane Rocha/Colaborador

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