Gravidez na adolescência: como orientar os filhos sobre esse assunto?

Você conversa com seu filho sobre sexo e orienta ele sobre prevenção? Manter um papo aberto é ideal para evitar a gravidez na adolescência!

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Manter um diálogo com os filhos é a melhor forma de alertá-los | FOTO: Shutterstock

por Redação Alto Astral
Publicado em 29/01/2018 às 08:42
Atualizado às 11:41

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A gravidez na adolescência caiu em 17% (comparando os anos de 2004 e 2015), segundo dados divulgados pelo Sinasc (Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos) do Ministério da Saúde. Entretanto, mesmo com essa diminuição, o assunto ainda gera polêmica: o adolescente tem maturidade para encarar a situação quando ela acontece? Possivelmente, não! Por isso, a melhor forma de prevenção é a clara conversa entre pais e filhos sobre o assunto. Malu bateu um papo com Albertina Duarte Takiuti, obstetra e ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia da Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo, que indica a melhor forma de lidar com essa situação!

Fale sobre gravidez na adolescência de maneira natural

“Falar de sexualidade é falar do dia a dia, pois desde os três anos a criança pergunta sobre seus genitais e de onde vieram. Explicar com palavras simples é o grande caminho, falar de sexualidade é falar de emoções e sentimentos, é falar, ouvir e ser sincero quando não souber o que responder. As crianças percebem quando os adultos estão mentindo.”

Educação sexual nas escolas

“A melhor educação seria as rodas de conversa, grupos educativos, oficinas, onde cada um pudesse dizer suas dúvidas, medos e inseguranças, mesmo que falasse dos amigos como exemplo. Aulas expositivas afastam os alunos que já buscam nas mídias sociais muitas respostas. Rodas de conversas dinâmicas poderiam incluir teatros, vídeos
curtos, simulações e até juri.”

Estimule a prevenção

“A melhor maneira é falar que quem usa preservativo se cuida, se gosta e se conhece. Costumo falar e demonstrar que usar preservativo aumenta o prazer e é um cuidado com o parceiro(a). O autocuidado é cuidado com o outro(a); o fato de ambos se prepararem para o uso de preservativo masculino ou feminino demonstra compromisso com a prevenção e com a busca do prazer e principalmente o prazer do ‘dia seguinte’ em não ficar com medo. Costumo falar que quem não tem tempo para usar preservativo não está preocupado com ele mesmo, nem com o outro(a).”

Além da informação

“Na pesquisa que fizemos, o adolescente menino tem medo de falhar e a menina de não agradar. Também constatamos que os adolescentes conhecem os métodos anticoncepcionais e o fato de conhecerem não garante o uso. Para que os adolescentes mudem sua atitude é preciso que a abordagem vá além da informação. É preciso que se garanta a confiança, a imagem positiva deles e saber negociar. É preciso estimular que adolescente tenha múltiplos grupos, seja eles de amigos, da família, da escola, de atividades esportivas e culturais. Deve-se observar se o adolescente tem muito de seu tempo em grupos virtuais, e não é necessário falar de gravidez, e sim é fundamental fortalecer a autoimagem do adolescente e sua autoestima. Comparar, censurar, criticar, falar de tragédias não ajuda o
adolescente.”

Gravidez na adolescência: o que fazer quando ela acontece?

“Quando acontece a gravidez na adolescência, é importante que a adolescente faça o pré-natal o mais precocemente possível, pois nesse momento perguntar o que aconteceu não adianta… Estimule para que ela continue adolescente, não abandone a escola, não abandone os amigos e não force que fique com o pai da criança. A fórmula é ouvir e acolher. As adolescentes que não são acolhidos voltam a engravidar em dois anos, pois não conhecem outro caminho que não seja ser mãe. Os pais devem ajudar, sim, a cuidar do bebê, pois se esse momento de mudança é muito difícil para um adulto, imagina para um adolescente.”

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