Existem graus de manifestação de autismo?

Existem alguns níveis que diferenciam o Transtorno do Espectro Autista. Saiba também como o autismo pode comprometer o desenvolvimento

None
Imagem: Shutterstock Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 20/09/2016 às 18:00
Atualizado às 11:36

COMPARTILHEShare to WhatsappShare to FacebookShare to LinkedinShare to TwitterShare to Pinteres

Como o Transtorno do Espectro Autista é enquadrado como um espectro, é preciso entender que há distinções nas características dos pacientes, mas não há mais de um tipo de transtorno. De acordo com psicóloga Ana Carla Vieira, especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo e mestre em psicologia do desenvolvimento e aprendizagem, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) propõe três classificações em níveis, de acordo com a necessidade de auxílio: exigindo apoio muito substancial, exigindo apoio substancial e exigindo apoio.

Imagem: Shutterstock Images

Imagem: Shutterstock Images

“Sendo assim, no momento do diagnóstico, o médico deve considerar o quanto o indivíduo precisa de ajuda para as atividades de seu dia a dia”, explica Ana Carla. Segundo o DSM-5, os níveis do transtorno do espectro autista estão divididos da seguinte forma:

NÍVEL DE GRAVIDADECOMUNICAÇÃO SOCIALCOMPORTAMENTOS RESTRITOS E REPETITIVOS
NÍVEL 1 – EXIGINDO MUITO APOIO SUBSTANCIAL

• Prejuízos intensos na capacidade de comunicação social verbal e não verbal;

• Dificuldades severas em dar início a interações sociais;

• Pouca resposta quando as pessoas dão abertura para iniciar uma comunicação.

• Inflexibilidade de comportamento;

• Dificuldade severa para lidar com mudanças e ações restritas ou repetitivas;

• Sofrimento para mudar o foco ou ações.

NÍVEL 2 – EXIGINDO APOIO SUBSTANCIAL

• Sérias dificuldades nas habilidades de comunicação social verbal e não verbal;

• Prejuízos sociais notáveis mesmo com auxílio;

• Limitação ao iniciar interações sociais; • Resposta anormal a aberturas sociais de outras pessoas.

• Inflexibilidade de comportamento;

• Relutância em lidar com mudanças e ações restritas e repetitivas frequentes, sendo notados por observadores e interferindo em outros contextos;

• Sofrimento para mudar o foco ou ações.

NÍVEL 3 – EXIGINDO APOIO

• Quando não têm apoio, apresentam dificuldade na comunicação social, com danos perceptíveis;

• Complicações para iniciar interações sociais e respostas incomuns ou inexistentes a aberturas das pessoas;

• Pouco interesse por interações sociais.

• Inflexibilidade de comportamento, interferindo no funcionamento de um ou mais contextos;

• Dificuldade em trocar de atividade;

• Problemas de organização e planejamento, que interferem na conquista da independência.

Como o autismo interfere no desenvolvimento?

Ana Carla Vieira ressalta que a evolução de qualquer pessoa pode sofrer interferências, como as características que podem mudar ao longo da vida e indivíduos que não se limitam ao diagnóstico. O primeiro caso sofre intervenção principalmente se contar com a ajuda de equipes multiprofissionais e estimulações precoces, “o que não significa que haja uma cura para o TEA, mas que é essencial olhar para as potencialidades das pessoas e investir em seu desenvolvimento e inclusão”, explica.

Já na limitação ao diagnóstico, diversas variações de características estão relacionadas a outros aspectos da vida, como experiências pessoais e individuais. Segundo a psicóloga, outro fator que pode afetar o desenvolvimento é o aparecimento de comorbidades, como são chamados os transtornos que são associados ao TEA. “Os mais comuns são a deficiência intelectual, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)”, conclui.

LEIA TAMBÉM!

TEXTO E ENTREVISTA: Karina Alonso / Colaboradora – Edição: Ricardo Piccinato

CONSULTORIA: Ana Carla Vieira, psicóloga, especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestre em psicologia do desenvolvimento e aprendizagem na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP).

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Ao assinar nossa newsletter, você concorda com os termos de uso do site.