#Gratidão: a febre que tomou conta das redes sociais e divide opiniões

Tendência no mundo digital, a #gratidão se popularizou e levantou o debate: é possível manter intacto o verdadeira significado dessa virtude?

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(Foto: Shutterstock Images)

por Redação Alto Astral
Publicado em 21/08/2017 às 13:50
Atualizado às 16:35

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O termo gratidão é uma derivação de duas palavras do latim: gratia – que significa favor – e gratus – agradar. O desenvolvimento etimológico manteve a ideia relacionada a aspectos como bondade, beleza de dar e receber, retribuir, partilhar, ser gentil e generoso. Com o passar do tempo, a religião garantiu uma visão mais sagrada sobre o tema. E assim seguiu-se por um bom tempo, até que, recentemente, a internet o redescobriu. Popularizada com a tag #gratidão, a virtude, de acordo com alguns críticos, foi desvirtuada de sua verdadeira intenção. Outros, por sua vez, pensam que a ideia permanece a mesma, fomentando o debate.

No Facebook, o botão de reação criado para o dia das mães em 2016 deu luz ao tema na rede social. No Instagram, postagens envolvendo a #gratidão, ou seu derivado sem til, ultrapassaram o número de 10 milhões. A versão em inglês – #grateful ou #gratitude – alcança a marca de 25 milhões. Números que apontam para uma disposição dos usuários a valorizarem as coisas que têm ou obtiveram, compartilhando a experiência com quem os segue.

Acontece que nem todas essas manifestações de #gratidão apresentam de maneira clara aquele sentido sagrado de outrora. Com isso, o movimento é satirizado no mesmo local onde ganhou força. Não é difícil de encontrar, nas redes sociais, pensamentos e desabafos muitas vezes satirizando os agradecimentos. “Aparentemente, a fórmula mágica pra aparecer no ‘explorar’ do Instagram é botar uma sunga, plantar uma bananeira e usar a hashtag #gratidao”, escreveu um usuário do Twitter. Mesmo assim, o tópico sobreviveu e permanece frequente nas timelines.

É gratidão?

Mas, afinal, colocar um #gratidão nas postagens – seja de um almoço, fazendo ioga em cima de uma pedra, abraçando um cachorro ou uma criança, em frente ao espelho da academia – acaba diluindo o verdadeiro sentido da palavra gratidão?

“O termo nos é caro, não é tão simples assim encontrá-lo cotidianamente. É bom as pessoas desejarem ter e revelar o que há de melhor em si próprio, principalmente se não for apenas uma exposição vazia, mas uma busca interna de conhecimento”, observa Renata Bento, psicóloga e psicanalista. De acordo com ela, muitos casos nesse movimento têm a ver com algo comum no meio digital: o fato de querer parecer o que não é. “Nas redes sociais, mostra-se o que se espera de si mesmo ou dos outros, o que nem sempre condiz com a realidade”.

Por outro lado, Mauricio Souto, palestrante e autor do livro Ouse Ser Grande, acredita ser necessário considerar qual o sentimento que acompanha a expressão #gratidão. “Se simplesmente estiver associada a uma emoção positiva ou a mais uma palavra dita ‘da boca para fora’, realmente ela perde o poder transformador. Entretanto, se estiver associada a um sentimento de alegria pela conquista ou obtenção de algum êxito, estará exprimindo ao Universo uma profunda sensação de bem-estar e felicidade, gerando mais do mesmo, isto é, mais felicidade”, explica.

Propagar a palavra

Utilizando bem ou não o significado de #gratidão, Mauricio vê como positivo abordar esse tema nas redes sociais, pois acaba gerando uma compulsão inconsciente para expressar o sentimento de ser grato, gerando mais alegria. “Em um mundo onde somos bombardeados por palavras e imagens negativas e de violência, é importante reproduzir termos ou expressões positivas até que elas se expressem no nosso mundo exterior. Como seria interessante se escrevêssemos todos os dias as palavras gratidão, amor, compreensão, caridade, solidariedade, perseverança…”, complementa o palestrante e escritor.

A ideia é compartilhada pela psicanalista Virgínia Ferreira: “Tratase de um fenômeno benéfico por pelo menos três motivos: primeiro, porque as pessoas estão, de forma consciente ou não, exercitando a prática; segundo, porque estão levando outras pessoas a praticar o agradecimento; e terceiro, porque todos os fenômenos nas redes sociais têm uma abrangência muito grande e se espalham com a velocidade de um trem-bala”. Sentenças dadas por Virgínia e comprovadas por números.

Texto: Fabio Toledo/Colaborador

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