Glaucoma: entenda como a doença se manifesta e seu diagnóstico

O glaucoma é uma doença crônica e progressiva, que pode causar danos irreversíveis á visão. Conheça um pouco mais sobre o problema e o seu diagnóstico

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O glaucoma é causado por alterações na pressão do olho. Foto: iStock/Getty Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 07/06/2017 às 17:00
Atualizado às 17:00

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O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo e a segunda causa geral de cegueira, atrás somente de catarata. A doença atinge cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma. Porém, apenas metade sabe disso.

A oftalmologista Natália Pietra Papa explica que trata-se de uma doença do sistema nervoso óptico, crônica, progressiva caracterizada por alterações no nervo da visão e na camada de fibras nervosas da retina que causam perda do campo visual, que podem ou não ser acompanhados de pressão intraocular acima dos níveis considerados normais. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a pressão intraocular normal é entre 10mmHg e 21,5mmHg, mas cada paciente responde de forma diferente a mesmos níveis de pressão. Há pacientes que apresentam glaucoma com pressão baixa e outros com pressão alta. Portanto, cada um tem a sua pressão ideal, que deve ser definida por seu oftalmologista.

Conheça o problema

Existem diferentes tipos de glaucoma, podendo ser classificados como primários, que são os sem causas identificáveis, com ângulo aberto ou com ângulo fechado, ou secundários com causas identificáveis.

Inimigo sutil

Natália explica que no glaucoma primário de ângulo aberto a malha trabecular (espécie de esponja) alterada impede a saída do humor aquoso por aumento da resistência. “Ele apresenta desenvolvimento insidioso e lentamente progressivo, causando dano ao nervo óptico e consequente perda do campo visual. Na maioria dos casos é sem sintomas, daí a necessidade de visitas anuais aos oftalmologistas” afirma a médica.

Fatores de risco para glaucoma primário de ângulo aberto

  • Pressão intraocular PIO basal acima da média 20-21mmHg: risco de desenvolver glaucoma é de 10% a 14% maior para cada 1mmHg acima da média da PIO basal para a popula- ção, durante um período de 5 a 9 anos
  • PIO basal maior que 25mmHg: risco relativo 13 vezes maior de desenvolver glaucoma Primário de Ângulo Aberto
  • O glaucoma desenvolve-se mais precocemente e progride mais rapidamente entre os negros americanos comparado aos brancos americanos
  • Histórico de familiares com glaucoma
  • Pessoas com enxaqueca
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Idade de prevalência dobra a cada década de vida
  • Miopia
O diagnóstico só pode ser feito por um oftalmologista.

O diagnóstico só pode ser feito por um oftalmologista. FOTO: Shutterstock

É urgente

No glaucoma primário de ângulo fechado, o toque entre a íris e o cristalino leva ao fechamento do ângulo, e a íris periférica obstrui a malha trabecular, o que impede a saída do humor aquoso. Pode ter desenvolvimento abrupto, associado à dor, embaçamento visual e olhos vermelhos. A crise aguda de glaucoma de ângulo fechado normalmente é unilateral, nesse caso deve-se procurar atendimento oftalmológico de urgência.

Fatores de risco para glaucoma primário de ângulo fechado

  • Idade, em geral, acima de 50 anos
  • Sexo feminino
  • Ascendência oriental
  • História familiar

Secundário, mas perigoso

O glaucoma secundário ocorre quando o ângulo de drenagem é afetado por lesões, tumores, inflamações, vasos sanguíneos anormais ou uso de esteroides.

Como diagnosticar

Em todos os casos o diagnóstico deve ser feito pelo oftalmologista através de exames clínico complementares, como a tonometria, que é a medida da pressão intraocular; a gonioscopia, exame do ângulo da câmara anterior do olho; campo visual; paquimetria, que é a medida da espessura da córnea; retinografia, que trata-se da fotografia da retina e do disco. Existem, ainda, outras tecnologias, como a tomografia de coerência óptica, que permite a avaliação estrutural da camada de fibras nervosas da retina e do nervo óptico. É uma doença crônica e lenta perfeitamente possível de se conviver, permanecendo muitas vezes estacionada com o controle oftalmológico adequado, mas se não for identificada e tratada na fase inicial, pode causar danos visuais graves e irreversíveis, pois é capaz de afetar o campo visual da periferia para o centro, de modo que o paciente só perceba numa fase bastante tardia.

Texto: Redação Alto Astral | Consultoria: Natália Pietra Papa, oftalmologista

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