Fobia é mais do que um simples medo

Enquanto o medo é um fator de sobrevivência natural do ser humano, a fobia pode se transformar em um grande problema no cotidiano da pessoa.

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FOTO: Shutterstock.com

por Redação Alto Astral
Publicado em 28/07/2016 às 19:09
Atualizado às 21:02

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Aquela pessoa que grita ao ver uma lagartixa pode não ter apenas aversão ao animal; talvez seja algo mais nocivo, como uma fobia. O medo parece um sinal de fraqueza, mas faz parte da vida do ser humano como um fator de sobrevivência em situações de possível perigo ou alerta. Porém, em um nível mais grave, no qual o indivíduo sinta o temor em momentos que não apresentam uma real ameaça, precisa ser diagnosticado e tratado, pois, caso contrário, pode se tornar um problema cada vez maior no cotidiano.

Entendendo as diferenças

O medo, por si só, não é um distúrbio. Ele precisa juntar-se à ansiedade para, assim, caracterizar um transtorno fóbico-ansioso: a fobia. Para a medicina, a fobia precisa ser diferenciada da aversão para o diagnóstico e possíveis tratamentos. É quando o medo ultrapassa o nível de uma repulsa por objetos, animais ou situações e o indivíduo não consegue apenas afastar-se e esquecer da sensação.

Segundo o psiquiatra João Jorge Cabral Nogueira, “a fobia é mais forte e aparecem sintomas que fazem mal, como ansiedade, nervosismo, falta de ar e taquicardia, que, quando associados, são denominados síndrome dopânico”.

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Origens

A fobia pode evoluir de um trauma gerado na infância, na adolescência ou até mesmo na fase adulta, sendo mais comum em crianças pelo raciocínio lógico não tão desenvolvido. E, ainda de acordo com Nogueira, o distúrbio “pode também vir de uma memória ancestral ou passado através de gerações pelo inconsciente coletivo ou familiar. Há fobias que várias pessoas na família têm; até brincamos dizendo que é genético”.

No cérebro, a fobia está ligada à região da amígdala, que, como explica a psiquiatra Maria Cristina de Stefano, “é responsável por regular os ‘alarmes’ e o quanto devemos ficar atentos a alguma situação”. Além disso, também está ligada à redução do hipocampo e a variações na região pré-frontal. A serotonina, responsável pelo estado de vigilância cerebral, é o neurotransmissor de principal relevância na fobia e, por isso, usado na medicação.

Para enfrentar a fobia

O transtorno fóbico-ansioso necessita da atenção de todos ao redor do paciente. Familiares e amigos precisam entender o medo e respeitá-lo por mais irracional que pareça.

Maria Cristina ressalta que “há cura para fobia por meio de psicoterapias específicas e do uso de medicamentos para tratar a reação da ansiedade”. Os medicamentos são reservados para casos graves do distúrbio e, segundo Jorge Nogueira, existem ainda “as técnicas de dessensibilização e técnicas hipnóticas regressivas na busca da origem do trauma e ressignificação, que são as melhores, embora exista uma infinidade de técnicas para fobias em várias linhas terapêuticas”.

O importante é não envergonhar-se do medo e, por mais difícil que seja, enfrentá-lo.“Ter medo de cobra e viver na cidade pode ser deixado para depois, mas ter medo de elevador e trabalhar no 10º andar é complicado”, finaliza o psiquiatra.

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Consultorias: João Jorge Cabral Nogueira, psiquiatra, hipniatra, autor do livro Autoscopia: terapia mente-corpo-quântica (Instituto Amanhecer, 2013) e presidente da Associação Brasileira de Hipnose (ASBH); Maria Cristina de Stefano, psiquiatra.

Texto e entrevistas: Giovane Rocha/Colaborador – Edição: Augusto Biason/Colaborador

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