ESTILO DE VIDA

Brasil tem queda recorde de mortes de mulheres em 2019, mas aumentou em casos de feminicídio

O feminicídio em 2019 aumentou ainda mais enquanto outros tipos de homicídio registraram queda no Brasil; Entenda o que isto significa

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Foto: Shutterstock

por Giulianna Lombardi
Publicado em 06/03/2020 às 13:32
Atualizado às 13:32

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Foram divulgados na última quinta (5), dados sobre os casos de feminicídio em 2019 no Brasil. A pesquisa foi uma parceria entre o G1, o NEV-USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo a análise do Monitor da Violência, o país teve uma queda histórica no número de homicídios (19%), porém, em contrapartida, a violência de gênero contra mulheres cresceu pelo terceiro ano consecutivo.

Feminicídio em 2019: um gráfico de ódio

Independente de suas motivações, os homicídios diminuíram no país de maneira expressiva, fato que deve ser, sim, comemorado. Porém, é importante ressaltar que mesmo em um cenário teoricamente tão positivo, existe um único grupo específico que registra taxas cada vez mais altas de mortes: as mulheres.

Quando o crime de assassinato é motivado pelo gênero, no caso em questão do sexo feminino, ele é denominado feminicídio. Em 2019, ele teve um aumento de 7,3% na incidência de casos em relação a 2018.

E, ainda que os números apresentados pelo Monitor da Violência possam parecer surpreendentes para muitos brasileiros, eles seguiram a tendência indicada pelos anos anteriores, já que o número de casos cresce desde 2015, quando o código de julgamento para esse tipo de crime mudou.

Um exemplo é a a lei que aumenta em dois anos a pena da condenação por feminicídio, que entrou em vigor no dia 9 de março de 2015. Ou seja, por um lado pode-se acreditar que mesmo assim o crime de gênero aumentou e por outro que essa distinção em relação a outros tipos de homicídio aumente a conscientização das motivações do assassinato. Isto é, não necessariamente os crimes realmente aumentaram, mas possivelmente eles não tinham suas estatísticas analisadas individualmente.

Ainda assim, a situação não deixa de ser preocupante e alerta sobre como o ódio à mulher pode ser velado e julgado erroneamente, fazendo com que algumas mortes deste cunho fossem praticamente invisíveis – fato que é escancarado com os números crescentes sobre o feminicídio em 2019.

De acordo com a pesquisa divulgada pelo G1, pelo menos 1.314 brasileiras foram mortas por feminicídio em 2019. Em 2018 o número chegou em 1.225 e, em 2017 foram registrados 1.047 casos. No total, 3.739 mulheres brasileiras foram assassinadas no ano passado, o que indica que uma em cada três morreu por conta do ódio ao gênero.

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