Fé: como sua presença ou ausência determina aspectos de nossas vidas

O conceito e a importância da fé vão muito além das questões religiosas e psicológicas. Saiba como ela está intimamente ligada à essência dos seres humanos!

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(Foto: iStock/Getty Images)

por Redação Alto Astral
Publicado em 23/08/2017 às 16:32
Atualizado às 16:32

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A palavra fé é uma velha conhecida de todos nós. Estamos habituados a ouvi-la nas mais variadas situações, desde o contexto religioso até ditados e expressões populares. Naturalmente, isso se deve ao seu aspecto religioso: nossa sociedade, bem como a maioria das culturas ocidentais, foram criadas com uma relação estreita com o Cristianismo, que se fez presente não só na crença, mas em todo o cotidiano de uma civilização.

E como a usamos, não é mesmo? “Bota fé” que sim! E por ela se encaixar em tantos contextos e diálogos, em algum momento o seu significado pode se perder em nosso dia a dia. Ao consultarmos um dicionário, podemos encontrar algumas definições para ela. Por exemplo, em um deles, consta que fé é a “convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma asserção (afirmação); credulidade ou crença”. Outro dirá o seguinte: fé “é sentimento de total crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa”.

Observamos, então, que ter fé é algo que está muito próximo de acreditar, de ter uma crença. Mas, por outro lado, a primeira vai além da segunda. Isso porque tendemos a acreditar no que temos evidências, no que podemos verificar empiricamente. O olho humano enxerga o céu na cor azul, e essa cor pode variar no nascer e cair do dia. À noite, ele é escuro, como se lhe “faltasse” cor. Acreditamos nisso porque vemos e convivemos com isso.

E é aí que a fé pode transpassar o acreditar. Deus existe? Há vida após a morte? E os extraterrestres? Afirmar ou negar tais fatos depende, prioritariamente, da fé. Isso porque não podemos provar, tal qual a cor do céu ao olharmos para ele, que alguma dessas três afirmações se sustentam ou não.

Uma questão psicológica

Já parou para pensar, ou se perguntar, como o ser humano possui essa capacidade de crer em algo ou alguém para além dos fatos ou ausência deles? Conversamos com a doutora em psicologia clínica Márcia Tabone, que também é especialista em psicologia transpessoal, analítica e psicossomática, para compreendermos melhor essa questão.

Segundo Márcia, a fé é algo inato e intrínseco à natureza humana, ou seja, é algo próprio de nossa essência. No entanto, ela precisa ser despertada e desenvolvida. Para a doutora, fé “é uma força que faz buscar e agir. Um anseio que muitas vezes não sentimos porque está adormecido ou crenças materialistas bloqueiam ou reprimem”.

E se a fé é algo intrínseco, mas que precisa despertar dentro de nós, quais são as formas que isso pode ocorrer? Márcia explica que são de maneiras variadas: “Um fato ou uma experiência inusitada pode despertar ou motivar a fé. A cultura, o ambiente religioso ou familiar também podem contribuir para a manifestação da fé ou para uma atitude de resistência ou bloqueio a ela”.

Ainda segundo a perspectiva dos estudos da psicologia, a fé possui o poder de transformar a maneira com que uma pessoa enxerga e lida com a sua existência – para o bem ou para o mal. Ela pode afastar o medo da solidão através da sensação de pertencimento a um grupo ou a algo maior, além de representar um apoio nos momentos difíceis da vida. A especialista explica que a fé pode “compensar a fragilidade da natureza humana diante das forças que muitas vezes não compreendemos. Pode estimular também o desenvolvimento de ações altruístas e valores positivos e elevados.

Por outro lado, a fé pode ocasionar o oposto a um grupo de pessoas, como frequentemente encontramos ao longo da história. Preconceitos, fanatismo, falta de racionalidade e a “fé cega” já levaram pessoas às guerras, morte e segregação. De um modo ou de outro, a fé – ou sua ausência – se caracterizam como um fator importante para a construção individual e coletiva dos seres humanos e, portanto, não podemos menosprezá-la.

Uma reflexão para além do dicionário

Pergunta rápida e simples: fé e esperança são a mesma coisa? Pensou na resposta? São ou não são? O fato é que, como já dito, utilizamos com certa frequência a palavra “fé” em nosso cotidiano, o que pode ocasionar dúvidas como essa. Vimos que “ter fé” e “acreditar” são coisas parecidas, mas que em certo ponto, uma supera a outra. De forma semelhante, fé e esperança se encontram e desencontram em meio a significados e utilizações da linguagem

Um exemplo é contado por Giridhari Das, mestre espiritual que trabalha com o autoaprimoramento e autorrealização através da prática da yoga: “Fé é acreditar em algo que não se pode comprovar. Fé serve apenas para dar início a uma verdadeira prática espiritual”. O mestre ainda explica que, no caminho da prática da yoga, a fé se soma a outra palavra: experimentar. “Devemos ter experiência direta de Deus e não apenas acreditar nEle”, conclui.

Esperança, por sua vez e do ponto de vista de Giridhari, é outra coisa. “Esperança é uma visão que algo de bom virá acontecer no futuro. É bom, mas não devemos ficar com a mente no futuro. Nossa esperança deve apenas ser uma constatação de que o caminho que seguimos nos levará a experimentar coisas boas, da mesma forma com que alguém que está caminhando para uma praia pode ter a esperança de que logo estará vendo o mar.

Explicada as diferenças acerca de fé e esperança, Giridhari nos deixa uma mensagem: “A esperança não deve ser cega, ou uma fantasia sobre o futuro, pois isso trará ansiedade, medo e frustração”.

Uma outra perspectiva sobre o dom da fé

Ainda no campo das práticas e crenças da yoga, existe o próprio conceito sobre a capacidade das pessoas de possuírem e praticarem a fé em algo ou alguém. Giridhari novamente explica que todos os seres humanos têm a capacidade de desenvolver seus sentidos espirituais: “É um poder la – tente embutido na condição humana”. No entanto, este poder precisa ser despertado através do desenvolvimento da espiritualidade. “Em nossa tradição explicamos que isso só é possível com uma prática diária e disciplinada”, conclui o mestre acerca do assunto.

Já o incentivo ao despertar da fé no caminho da yoga se dá através de uma palavra: bakhti. Ela significa devoção e, segundo Giridhari, é o aspecto mais elevado do caminho da autorrealização. “E a autorrealização é o caminho mais elevado que o ser humano pode trilhar”, garante. Portan – to, a fé a partir da devoção leva à ligação amorosa com Deus e à todo o bem-estar de explorar seus sentidos espirituais. É a fé que leva a experimentar a experiência de Deus.

“Mesmo do ponto de vista do campo de pesquisas, a ciência comprova que aqueles que têm devoção se recuperam melhor de doenças, possuem índices bem menores de abuso de substâncias químicas, são mais felizes e possuem casamentos mais estáveis”, conclui Giridhari sobre o dom que a humanidade possui de ter e praticar a fé.

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