Elogios na medida certa: saiba como incentivar o desenvolvimento de quem está a sua volta

Importantes na sociabilidade, os elogios podem ser perigosos. Mas, se forem corretos e sinceros, melhoram a autoestima e ainda promovem outros benefícios

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(Foto: iStock)

por Redação Alto Astral
Publicado em 27/09/2017 às 15:10
Atualizado às 15:10

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“Parabéns, foi um bom trabalho!”, “você estava tão bonito hoje!” ou “continue assim e chegará longe!” são elogios possíveis de serem ouvidos no dia a dia. Contudo, você sabe quais são os benefícios desses atos para a sua evolução profissional e na formação da personalidade?

Desvendando a prática

Elogios nada mais são do que julgamentos (no caso, positivos) sobre a ação de outras pessoas. Ao parabenizar alguém, estamos transmitindo nossa opinião em relação a um comportamento específico, à aparência, ou ainda ao que foi obtido como resultado. Os elogios costumam ser mais efetivos quando expressam sentimentos verdadeiros, ou seja, o que realmente nos agrada em outra pessoa.

Contudo, não existe um segredo na hora de incentivar alguém. “A medida certa é quando o elogio é feito em cima das mudanças e das transformações observadas no elogiado, uma vez que os elogios são feitos após a percepção de mudanças no outro”, explica o psicólogo João Alexandre Borba. No entanto, o elogio só será efetivo caso venha acompanhado de sentimentos como respeito e admiração.

E se for superficial?

Embora gostemos de receber elogios, fazê-los descabidamente pode “sair como um tiro pela culatra”. Isso significa que, quando os incentivos fogem à realidade, podem fazer com que o elogiado acredite em algo que não é real ou não considere a opinião como verdadeira. “Você motiva o outro a ir por um caminho no qual você mesmo não acredita, construindo assim uma base falsa de relacionamento. Neste caso, a intimidade não se faz presente”, pontua João Alexandre.

A pessoa que elogia outras, de forma superficial e imprópria, acaba também por ter sua opinião desvalorizada e caracterizada, por exemplo, como o conhecido “puxa-saco” do chefe, da professora, ou mesmo dos amigos. O resultado disso pode ainda ser maléfico para quem for paparicado: há a possibilidade de se sentir inseguro ou desconfortável. “Uma coisa é você motivar a pessoa, outra é elogiar demais”, destaca o psicólogo.

Indiferença prejudicial

No âmbito profissional, o enaltecimento das qualidades de uma pessoa está muito envolvido com a busca pelo reconhecimento de um trabalho bem feito. Como visto anteriormente, a melhor saída não é exagerar na quantidade, pois pode soar como irreal. “Por outro lado, a falta de elogio pode desencadear a carência de quem não recebe elogios”, explica João Alexandre.

Além de soar como falta de atenção em relação ao trabalho que é desenvolvido diariamente, não incentivar pode desmotivar uma equipe de funcionários. Assim, esses últimos acabam por demonstrar menos responsabilidade e interesse pela função.

João Alexandre explica que, quando o chefe acredita e elogia a equipe, esta passa a render muito mais. “Há casos em que a melhora chega a três vezes mais do que o rendimento normal”, ressalta. De acordo com o psicólogo, todos precisamos de reconhecimento e, quando isso se torna uma prática comum entre as pessoas, elas tendem a retribuir e a se reconhecer dentro de uma equipe.

Contudo, a aceitação de um elogio também varia de indivíduo para indivíduo. Alguns são estimulados a aceitar reconhecimentos positivamente, enquanto outros não enxergam essas características internas. A forma como o enaltecimento é recebido depende do autoconhecimento (saber as próprias qualidades e defeitos) e da autoestima. Um elogio não age por si só.

Na infância

Quando crianças, recebemos diversos reforços positivos de nossos pais, professores e outros familiares. “O reforço positivo significa a validação de determinada atitude da crian- ça e do adolescente. Com isso, estimula-se a produtividade e o sentimento de alegria, o que contribui também para a formação de uma personalidade mais confiante”, explica o psicólogo. Assim, somos guiados a repetir certas atitudes.

Um exemplo é quando alcançamos a nota máxima em uma prova do colégio e, dessa forma, somos recompensados positivamente de diversas formas: um presente, uma viagem, um “parabéns” ou um abraço dos pais. No entanto, é preciso que a reação seja sempre a mesma para estabelecermos isso como um reforço positivo e continuarmos a praticar a ação (no caso, estudar para conseguir uma nota alta).

Foco no progresso

No entanto, o elogio não deve ser dirigido apenas ao resultado, mas principalmente ao processo. Os pais, familiares ou professores devem incentivar a maneira como a criança se esforçou e estudou para conseguir a nota máxima. Voltar a atenção apenas ao número ou tratar a criança como “inteligente”, pode fazer com que ela tenha receio de arriscar-se em uma tarefa mais difícil ou um desafio, com medo de decepcionar quem a elogiou por seu bom desempenho. Por isso, a motivação é mais bem aproveitada caso se atente ao processo.

Aprenda a ouvir

Apesar do perigo que os elogios feitos de maneira equivocada podem provocar, existem formas de aproveitá-los para a evolução de nossas habilidades e maturidade. “É preciso reconhecer que os elogios são verdadeiros, mas mantendo a preocupação de não deixá-los subir à cabeça”, salienta João Alexandre. Segundo o psicólogo, o ideal é que o indivíduo não se transforme em um personagem (para agradar um superior, por exemplo) e nem perca de vista quem de fato ele é. Se receber um elogio, não negue ou recuse. O ideal é aceita-lo e refletir, posteriormente, sobre como pode usá-lo em seu benefício.

A reflexão

Para aproveitar os elogios ao máximo devemos digeri-los e reconhecer seu papel como transformadores internos de quem nós somos. Por meio do enaltecimento de nossas qualidades, podemos promover um aperfeiçoamento dos talentos e habilidades que já possuímos. Segundo João Alexandre, a autoestima nos ajuda a ter mais noção de quem somos, fator fundamental na hora de absorver um elogio, ou nos atentarmos para possíveis mudanças que podem melhorar nossa qualidade de vida. “Quando a pessoa está coerente com quem ela é, ela passa a receber os elogios e sentir que estes pertencem, de fato, a ela”, conclui o psicólogo. Assim, é possível usufruir dos benefícios promovidos pelos elogios.

Texto: Érica Aguiar | Consultoria: João Alexandre Borba, psicólogo e CEO do Instituto Internacional Japonês de Coaching

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