LSD: veja como a droga age no cérebro

Por anos a neurociência estuda os efeitos do LSD no corpo humano. Entenda como o psicodélico age no cérebro dos usuários da droga

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IMAGEM: Shutterstock.com

por Redação Alto Astral
Publicado em 26/10/2016 às 12:29
Atualizado às 11:49

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Uma das características identificadas em um estudo, publicado na revista científica norte-americana PNAS,  sobre os efeitos do psicodélico dietilamida do ácido lisérgico (LSD, sigla em inglês) no cérebro vem sendo chamada pelos cientistas de “dissolução do ego”.

Segundo o biomédico e neurocientista Eduardo Schenberg, único brasileiro do grupo de pesquisadores envolvidos na pesquisa, essas substâncias desencadeiam uma experiência de alteração da consciência, fazendo com que os usuários tenham a conectividade cerebral modificada temporariamente.

“Os psicodélicos ativam fortemente uma parte do sistema serotoninérgico (relacionado à serotonina, responsável, por exemplo, pelo humor e pelas funções perceptivas), mas o fazem de forma muito específica e diferente da neurotransmissão habitual”, explica o pesquisador.

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IMAGEM: Shutterstock.com

Como consequência, a ativação destes receptores gera uma cascata de efeitos neurais que dessincroniza as oscilações cerebrais. É como se, sob efeito do LSD, os usuários tivessem a percepção da própria personalidade alterada, sendo substituída por uma noção de reconexão consigo mesmo. “Dissolvendo a noção de ‘eu’, desintegram-se, pouco a pouco, essas identificações cristalizadas que restringem a atuação e a presença da pessoa no mundo”, destaca o psicólogo André Arcângelo Nunes.

Cérebro e o LSD

Segundo André, o uso de psicodélicos gera uma maior fluidez da atividade cerebral, integrando funções especializadas — que normalmente têm suas atividades segmentadas —, resultando um cérebro mais unificado. O estudo mostra que essa maior conexão transforma um cérebro adulto, mais solidificado, praticamente em uma mente de criança: livre e sem barreiras.

Os cientistas verificaram um maior fluxo sanguíneo no córtex visual, responsável por funções ligadas à visão, e uma maior ligação dessa área com outras regiões cerebrais. Isso explicaria os frequentes relatos de alucinações e, até mesmo, a possibilidade de se “enxergar com os olhos fechados”. Além da visão distorcida, essas conexões podem estimular a criatividade.

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Texto e entrevistas: Augusto Biason/Colaborador – Edição: Giovane Rocha/Colaborador

Consultorias: André Arcângelo Nunes, psicólogo e psicoterapeuta; Eduardo Schenberg, biomédico, neurocientista e diretor no Instituto Plantando Consciência

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