Consumismo como recompensa: saiba os riscos que isso pode trazer!

No começo do século 21, a sensação é de estarmos emocionalmente exaustos e psicologicamente esgotados. Entenda como o consumismo faz parte desse processo!

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(Foto: Shutterstock)

por Redação Alto Astral
Publicado em 13/12/2017 às 10:15
Atualizado às 11:52

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De acordo com a psicanalista Virgínia Ferreira, professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase-RJ), a sensação de cansaço que as pessoas sentem nos tempos atuais não está ligada somente ao excesso de tarefas e informações, mas também pelo ciclo danoso de busca da felicidade através do consumismo.

“Na era em que vivemos, somos impelidos ao consumismo não reflexivo, acrítico. Consumimos para nos sentir bem, para nos sentir incluídos em um determinado grupo social. Hoje, valemos não pelo que somos, mas pelo que portamos. Esse consumismo tem um preço bastante elevado. Trabalhamos menos por amor à arte e para viver com conforto, do que para ter condições de consumir exacerbadamente”, declara a especialista.

Não é difícil entender o processo: ao adotarmos o mote de “missão dada é missão cumprida”, é natural que nos assemelhemos a meros “ciborgues” na arte de entregar demandas, muitas vezes sem sequer compreendê-las. E, assim, consideramos justo nos presentearmos, crendo que tal ato irá preencher os vazios e motivar-nos a vencer o cansaço para encarar novos desafios. “Quanto mais consumimos, mais nos sentimos merecedores de consumir. Somos escravos daquilo que a moda (aparentemente ingênua) dita e que a tecnologia (aparentemente benévola) apresenta”, complementa Virgínia.

Quadros como este podem, inclusive, evoluir para o que conhecemos como workaholism – o famoso vício no trabalho. Outrora celebrado em ambientes profissionais, a prática já é vista com maus olhos por conta de seus desdobramentos. Abandonar o convívio social pode ser apenas o primeiro estágio de uma série de problemas físicos que podem vir depois. Afinal, quando a postura se transforma em um distúrbio de comportamento, começam a aparecer outros sintomas: autoestima exagerada, insônia, mau humor, impotência sexual e atitudes agressivas em situações de pressão.

A situação pode ser tão grave que estudos recentes de alguns casos clínicos apontam que o vício no trabalho tem potencial similar à adição ao álcool ou cocaína, tornando-se uma obsessão doentia que prejudica todo o ambiente. “Para a empresa, a situação traz mais desvantagens do que vantagens. Inicialmente pode ser interessante, pois a velocidade dos resultados é satisfatória. Porém, há um desgaste emocional natural do profissional, pois ele estará isolado e restrito ao tema trabalho, bloqueando sua sociabilização, o que poderá resultar em sérios transtornos futuros para sua vida”, destaca Celso Bazzola.

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