ESTILO DE VIDA

Como o funcionamento do cérebro influencia a depressão?

A atividade dos neurônios está ligada ao desenvolvimento da doença. Entenda por que o cérebro têm influências sobre a manifestação de depressão.

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FOTO: Shutterstock.com

por Redação Alto Astral
Publicado em 19/08/2016 às 18:44
Atualizado às 21:00

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Sendo a central que comanda todas as nossas atividades corporais, é inevitável se questionar de que forma o cérebro e todo o sistema nervoso efetivamente se relacionam com a depressão. Além das causas, que envolvem genética e situações extremas como perdas, violência e grandes decepções, os estudiosos apontam certos fatores neurológicos que podem fazer com que a situação saia de controle e a depressão se instale.

O ponto inicial

A neurologista Vanessa Muller enfatiza como é importante nos voltarmos àquela microestrutura tão importante em se tratando de cérebro: os neurônios. “Estima-se que existam mais de duzentos bilhões dessas células somente em um cérebro, utilizadas para processar todas as informações, sejam elas motoras, sensitivas, cognitivas ou psíquicas”, resume a profissional.

CÉREBRO DEPRESSÃO

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“Portanto, para vermos, cheirarmos, sentirmos, tocarmos, andarmos, tomarmos decisão, memorizarmos, ficarmos tristes, felizes, com fome, com sede, com sono, enfim, precisamos das informações compartilhadas entre esses neurônios através de sinapse. Quando ela é química, se dá através de neurotransmissores como dopamina, serotonina, norepinefrina, acetilcolina, entre outros”, destaca.

E é justamente um desequilíbrio bioquímico nesses neurotransmissores que pode provocar o transtorno. Afinal, como cita o neurocientista Aristides Brito, “a serotonina facilita as ligações neuronais e é ela que, por exemplo, deixa a pessoa saudável para reagir diante das situações de estresse, o que ajuda — e muito — a evitar a depressão”.

O que se passa no cérebro

Questões ambientais, genéticas e experiências vividas podem colaborar para que essa doença apareça. De acordo com Aristides, na verdade esses fatores se convergem com as questões neurológicas. “A depressão acaba configurada, então, como mudanças químicas no cérebro. Mas é muito mais do que isso, já que se relaciona com as emoções — e essas são afetadas pelo meio ambiente, principalmente nos dias de hoje, com tanta pressão na vida moderna”, relata o profissional.

Assim, nas palavras do neuropsicólogo Fábio Roesler, “o transtorno de depressão, visto por uma questão neurológica e neuropsicológica, pode ser definido como um desequilíbrio de alguns neurotransmissores e de outras partes que compõem o sistema nervoso central”.

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Consultorias: Aristides Brito, neurocientista e diretor da Marca Pessoal Treinamentos; Fábio Roesler, psicólogo e neuropsicólogo da clínica de cefaleia e neurologia Dr. Edgard Raffaeli, em São Paulo (SP); Vanessa Muller, neurologista e diretora médica da VTM Neurodiagnóstico.

Texto: Victor Santos – Entrevistas: Ricardo Piccinato e Victor Santos – Edição: Augusto Biason/Colaborador