ESTILO DE VIDA

Brasileiros: os campeões mundiais em banho

Enquanto entre nós não há tempo ruim que sirva de desculpa para se esquivar do banho, muitos “gringos” acham essa mania de limpeza um exagero tremendo

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Foto; Shutterstock

por Redação Alto Astral
Publicado em 12/01/2017 às 06:00
Atualizado às 16:57

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Brasileiros amam banho: de rio, de mar, de cachoeira, de caneca – quem já não levou um balde para o banheiro e se virou com dois litros do líquido sagrado durante uma seca? O curioso é que, enquanto entre nós não há tempo ruim que sirva de desculpa para se esquivar do chuveiro (com exceções!), e confessar que um dia sem sabonete é motivo para bullying, muitos “gringos” acham essa mania de limpeza um exagero tremendo.

Foto de uma mulher tomando banho

Foto: Shutterstock

“Toda vez que vou para o Brasil fico me sentindo a pessoa mais imunda do mundo. Vocês têm esse poder de inferiorizar a gente com essa higiene toda”, brinca o irlandês Sean Donohoe, que apesar do complexo, visita o país com frequência para rever amigos. Não é segredo que a paixão pelo banho é coisa nossa mesmo, ou melhor, hábito que foi adquirido dos nativos. Quando chegaram, os portugueses teriam ficado surpreendidos com a beleza das etnias que aqui viviam. Com um ar muito mais saudável, os índios esbanjavam saúde porque, entre outros bons hábitos, se banhavam no rio com frequência – três, seis, nove vezes ao dia.
Contudo, há um ponto importante que é ignorado quando se fala da carência de banho na Europa: a religião. É preconceituoso e até muito raso supor que os europeus não tomavam banho por preguiça ou por falta de higiene. Mas, na Idade Média, o cristianismo era encarado de uma maneira muito mais rígida, os rituais eram severos e o menor sinal de vaidade era algo completamente pecaminoso. Era normal tomar banho uma vez por ano, e a prática era evitada nos outros 364 dias porque, além de ter propósitos relacionados à aparência, forçava a pessoa a tocar seu corpo nu, um escândalo para a sociedade da época.
Desse modo, as classes baixas foram as primeiras a se render aos prazeres do banho, enquanto a corte se manteve “pura”. Começaram devagarzinho, primeiramente apenas lavando os pés, depois se entregando à água corrente dos rios. A partir de 1700, as primeiras estruturas, como poços artesianos, passaram a ser construídas – mas não dá para ignorar que, passados três séculos, ainda existem comunidades sem infraestrutura mínima para usufruir de água corrente e potável.
Aos poucos, a Coroa foi baixando a guarda e deixando os pecados da vaidade falarem mais alto. Dali em diante, com o aval da metrópole, o brasileiro se tornaria um modelo internacional de asseio, despertando uma certa dor de cotovelo. Nada que mais banhos semanais não possam empatar a competição.
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