Automedicação: os perigos desse hábito para lidar com a enxaqueca

Evite a automedicação em casos de enxaqueca! Uso indiscriminado de analgésicos pode piorar a situação, ao invés de ajudar!

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Foto: Shutterstock

por Redação Alto Astral
Publicado em 12/12/2016 às 13:03
Atualizado às 12:56

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Surge aquela dor de cabeça. Então, a pessoa vai até a farmácia e volta com um analgésico, que pode ser adquirido sem qualquer tipo de receita médica. Em um primeiro momento, o remédio resolve. No entanto, a dor não demorar a retornar. E mais um vez o analgésico entra em ação. A automedicação é muito comum e chega ao ponto em que o medicamento não apresenta mais efeito. Nessa fase, tem-se dois os problemas: o verdadeiro motivo da dor não é identificado e nem combatido e, para piorar, podem ocorrer dores de cabeça pela abstinência do analgésico.

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Perda de sensibilidade

Sim, é possível se viciar em analgésicos. “Seu uso excessivo modifica a resposta química em determinadas áreas do cérebro que fazem o controle da dor. Assim, à medida em que a pessoa vai usando os medicamentos, esse sistema neurológico passa a interpretar que o organismo, para funcionar bem, precisa de doses maiores e de outras categorias de analgésicos”, explica o neurologista Marcelo Mariano da Silva.

A dependência é reflexo de um comportamento bastante criticado pelos especialistas: a automedicação — que, por sinal, não está relacionada somente aos casos de enxaqueca. Um estudo realizado pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), que ouviu 1.480 pessoas em 12 capitais brasileiras, mostra que a prática é relativamente comum. Um total de 76,4% dos entrevistados toma remédios por conta própria. Desse montante, 32% chega a procurar um médico, no entanto, sem consultá-lo resolve aumentar a dosagem prescrita, com o intuito de potencializar os efeitos terapêuticos. Entre quem se automedica, 72% confia nas indicações de um familiar, 42,4% na opinião de um amigo, 17,5% nos colegas de trabalho e 13% nos vizinhos. Para completar, 61,4% dessas pessoas são conscientes a respeito dos riscos envolvidos na automedicação.

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Remédio certo, na ocasião certa

Um dos fatores que estimula a automedicação é a dificuldade em se conseguir horários para uma consulta com o médico por meio do sistema público de saúde — dilema que, não raro, também afeta quem é atendido por algum convênio particular. Mesmo estimulando a prática danosa, o fato não pode ser usado como desculpa, sobretudo quando há alternativas disponíveis. “Dores de cabeça esporádicas, desde que não se enquadrem nos sinais de alerta (quando associadas a outros sintomas, por exemplo), podem ser tratadas com medidas não medicamentosas, trazendo bons resultados. Compressa fria, técnicas de relaxamento e acupuntura são alguns exemplos”, diz Marcelo. Tais medidas não serão suficientes para a enxaqueca, é verdade. Porém, se for mesmo esse o quadro, só os analgésicos também não irão bastar. Sendo assim, a solução é procurar ajuda especializada.

Texto: Redação Alto Astral

Consultoria: Marcelo Mariano da Silva, neurologista

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