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Tratamentos para autismo: terapia ocupacional e Snoezelen / MSE

Conheça duas formas de tratamento que posem ser eficazes para o autismo: a terapia ocupacional e a metodologia Snoezelen / MSE

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Imagem: Shutterstock Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 01/09/2016 às 18:28
Atualizado às 20:58

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A terapia ocupacional contribui com a autonomia de pessoas com problemas de ordem física, mental ou educacional, para que estas acabem não permanecendo à margem da sociedade. O trabalho pode ser empregado tanto em crianças quanto em adultos e idosos. Além de atuar em clínicas, centros de reabilitação e empresas, alguns profissionais da área também atendem em residências. Sua preocupação vai além do próprio paciente, atentando-se ainda para aspectos externos a ele como as vias de acesso e a sinalização dos ambientes que este frequenta.

No caso de autismo, mais especificamente, o terapeuta ocupacional pode se concentrar nas áreas motora, perceptiva e cognitiva. No primeiro caso, o intuito é integrar corpo e mente, uma vez que o autista possui dificuldades de entender o corpo como uma extensão do seu pensamento.

Os cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) são o foco da abordagem perceptiva, que busca a integração do paciente com o ambiente ao seu redor – a metodologia Snoezelen / MSE é um bom exemplo. Da integração entre as áreas motora e perceptiva surge a cognitiva, direcionada sobretudo aos processos de interação social. Com a ajuda da terapia ocupacional, o autista não dispensa a sua curiosidade e torna-se capacitado para desenvolver laços sociais.

Imagem: Shutterstock Images

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Conheça o Snoezelen / MSE

A metodologia Snoezelen / MSE, formulada nos anos 1970 por dois terapeutas holandeses, é um dos mais inovadores que podem ser empregados em casos de autismo. O nome Snoezelen vem da junção das palavras snuffelen (que signfica explorar) e doezelen (relaxar). E é justamente a isso que se propõe, propiciando um ambiente com rico material multissensorial, ou seja, que estimule visão, tato, audição, olfato e paladar.

Os objetos no local devem estar disponíveis para serem livremente manuseados, eliminando qualquer forma de agressividade ou estresse. Eder Ricardo da Silva, coordenador do Centro Snoezelen/MSE do Estado de São Paulo e professor na APAE de Bauru (SP), relata que podem ser observadas nos pacientes diminuição na agitação e no isolamento ao longo do tempo.

Os benefícios ainda contemplam o aspecto comunicativo: “Percebe-se um aumento de comportamentos comunicativos intencionais e a diminuição de falas repetitivas, bem como evolução no nível de atenção e concentração durante a realização do atendimento”, descreve.

Trabalhando os sentidos

Os atendimentos são personalizados, já que uma mesma atividade não terá necessariamente efeitos iguais em dois pacientes diferentes. Em menor escala, algumas das iniciativas ali também podem ser estendidas para o ambiente doméstico: “O que se pode orientar é que a família promova novas sensações também em casa, propondo ouvir diferentes músicas e ritmos, trocando algum elemento do seu cardápio nas refeições e fazendo atividades simples como mexer em argila, tinta e tecidos, para que o perfil sensorial da pessoa com autismo também se amplie”, sugere Eder.

Não há uma idade delimitada para se fazer uso do método e, fora os portadores de autismo, o tratamento ainda é indicado para idosos, pessoas com lesões temporárias ou permanentes e quem sofre de estresse, hiperatividade, agressividade, depressão ou síndrome do pânico.

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CONSULTORIA: Eder Ricardo da Silva, professor de educação musical na APAE de Bauru (SP), coordenador do Centro Snoezelen / MSE do Estado de São Paulo (SP) e mestre em psicologia do desenvolvimento e aprendizagem.

TEXTO: Érica Aguiar e Marcelo Ricciardi

ENTREVISTAS: Érica Aguiar e Natália Negretti