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Aplicativos de paquera: você sabe como agem no cérebro?

Tinder, Badoo, Happn... São muitas opções para quem busca encontrar o crush pelos aplicativos de paquera. Descubra como esses aplicativos agem no cérebro

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FOTO: Shutterstock Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 03/10/2016 às 15:09
Atualizado às 14:56

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Aperta start, o jogo começou. As regras são simples – curtiu, vai pra direita; não curtiu, joga pra esquerda; e se curtirem de volta, há uma combinação! Ponto pra todo mundo. Aqui, alguns neurotransmissores entram em ação: a dupla da conquista, dopamina e ocitocina. Com eles ativados, você se sente confiante, importante e, o principal – finalmente recompensado depois de tantas deslizadas pra lá e pra cá. É por aí, como um videogame, que os aplicativos de relacionamento fazem sucesso entre seus usuários.

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FOTO: Shutterstock Images

A partir da gamificação da paquera, as pessoas dedicam mais do seu tempo para conseguir encontrar a recompensa final: a combinação baseada pela atração visual por fotos pré-selecionadas (com todo o cuidado do mundo). A aproximação destas redes de paquera aos jogos “é um processo ligado também ao vício, pois está conectado ao centro do prazer. Então, a pessoa que está se relacionando e buscando resultados nas redes sociais, em geral, pode viciar por conta desses mecanismos”, explica o neuropsicólogo Aristides Brito.

“Além disso, há um aumento da adrenalina quando a pessoa está sob tensão, e isso gera, também, uma sensação boa para quem está atrás de um(a) parceiro(a)”, completa o profissional. Podemos comparar esta onda de adrenalina ao primeiro encontro, com o frio na barriga, silêncio constrangedor e tudo mais. Mas, com o tempo, a relação perde, naturalmente, aquela grande emoção inédita, o que faz com que as pessoas recorram a plataformas como o Tinder para sentirem de novo, e de novo, o mesmo sentimento. Com isso, cria-se uma espécie de abstinência no cérebro do usuário.

Aplicativos do condicionamento operante

A ideia dos aplicativos de paquera não é tão inovadora assim. O psicólogo estadunidense Burrhus Frederic Skinner, antes mesmo da virada do século, já criava o conceito do condicionamento operante, muito semelhante ao sistema dessas novas plataformas. O estudo de Skinner consistiu em condicionar o cérebro de cobaias a movimentos repetitivos para uma recompensa final. Ou seja, basicamente os usuários dos aplicativos são também, de certo modo, coordenados a dar likes e mais likes para conseguir um prêmio.

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Texto e entrevista: Giovane Rocha/Colaborador – Consultoria: Aristides Brito, neuropsicólogo