Antibióticos na infância: quando usar e qual a forma correta?

O consumo indiscriminado de antibióticos pode causar graves danos à saúde do seu filho. Cuidado! Saiba quando e como usar esse tipo de remédio com crianças

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Foto: Glow Images/Latinstock

por Redação Alto Astral
Publicado em 13/04/2017 às 12:27
Atualizado às 13:42

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Os diagnósticos caseiros estão por todo lado. Se com os adultos isso já é um risco frequente, esse hábito não deve ser levado para as crianças. Os antibióticos, um dos campeões da automedicação, precisam de atenção especial. E não é porque tal remédio fez bem para o filho do vizinho, que irá servir para seu pimpolho também. Lembre-se: cada caso é um caso! Para esclarecer todas as suas dúvidas sobre os antibióticos, consultamos um especialista no assunto. Confira!

O uso de antibióticos na infância deve ser feito apenas com prescrição médica.

O uso de antibióticos na infância deve ser feito apenas com prescrição médica. Foto: iStock.com/Getty Images

As indicações

Em geral, os antibióticos são indicados pelos profissionais para tratar doenças causadas por bactérias, como amidalites purulentas (inflamação da amídala com pus), otites médias agudas (inflamação de ouvido), sinusites bacterianas, pneumonias bacterianas, infecção na pele, entre outras.

A febre é um sintoma muito comum em alguns casos e, por isso, não é raro os pais correrem para a farmácia mais próxima e logo dar um antibiótico para o filho, uma atitude errada. “Embora as doenças febris em crianças possam ter, e frequentemente têm, causas bacterianas, a imensa maioria delas é causada por vírus, principalmente nas crianças menores de cinco anos”, esclarece a médica Maria Clara de Magalhães Barbosa.

De acordo com a médica, as viroses têm um curso limitado, que não é alterado pelo uso de antibiótico. A exceção acontece se ocorrer alguma complicação bacteriana secundária durante uma doença causada por vírus. Traduzindo: se seu filho estiver com um resfriado (doença viral) e, durante esse período, tiver uma inflamação no ouvido, sinusite ou até mesmo uma pneumonia, aí sim pode ser indicado um antibiótico. Mas, somente um bom acompanhamento pediátrico pode detectar esses problemas conjuntos e recomendar o tratamento correto.

Quais são?

Os antibióticos mais receitados pelos profissionais para tratamento com crianças são a amoxicilina, a amoxacilina com clavulanato, a azitromicina, a cefalotina e o cefuroxime.

Uma recomendação importante é não interromper o tratamento. Mesmo que a criança já se sinta melhor logo nos primeiros dias após tomar o remédio, a interrupção pode fortalecer as bactérias causadoras da doença e aí, a cura se torna mais difícil. Por conta disso, muitas vezes os cuidados devem ser recomeçados.

É importante respeitar o tempo de medicação indicado pelo médico.

É importante respeitar o tempo de medicação indicado pelo médico. Foto: Glow Images/Latinstock

Também procure sempre respeitar os horários indicados na receita médica, pois estão de acordo com o tempo de ação contra as bactérias que, só para lembrar, são micro-organismos vivos e estão lutando por sua sobrevivência.

Tão importante como todas essas dicas, é perguntar para o pediatra se o medicamento receitado deve ser tomado próximo às refeições. Isso porque, algumas substâncias têm seu efeito reduzido quando tomadas na presença de leite e outros alimentos.

Perigo!

De acordo com Maria Clara, não são poucos os perigos para o uso incorreto do antibiótico, podendo causar consequências muito graves ao filhote. “Individualmente, corre-se o risco de efeitos adversos inerentes a todo medicamento. No caso dos antibióticos administrados por via oral, é comum o aparecimento de sintomas gastrintestinais que necessitam de orientações médicas para serem prevenidos e tratados”, alerta. “Entretanto, a consequência mais séria da automedicação com antibióticos é a seleção de bactérias resistentes no organismo individualmente e na comunidade”, complementa a profissional.

Resistência

Uma das preocupações da área médica é que, desde a descoberta da penicilina (primeiro antibiótico), em 1942, profissionais têm assistido ao aparecimento de diversas bactérias resistentes a todos os tipos de medicamentos com ação antibiótica, mesmo aos recém-introduzidos na sociedade. “Já existem bactérias multirresistentes a vários antibióticos e representam um desafio científico. Somente um uso judicioso dos antibióticos já disponíveis pode retardar este processo e evitar um esgotamento dos recursos da Medicina”, acentua Maria Clara. Portanto, muito cuidado ao medicar seu filho!

Consultoria: Maria Clara de Magalhães Barbosa, médica

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