Equilíbrio hormonal é uma alternativa contra o envelhecimento? Entenda!

Entenda como funciona o processo de equilíbrio hormonal e os cuidados e proibições relacionados a essa alternativa contra o envelhecimento

A foto mostra um monte de comprimidos voltados para o equilíbrio hormonal
Foto: iStock.com/Getty Images

Hormônios são substâncias químicas que agem nas reações metabólicas do corpo. Cada hormônio tem uma função específica: tem hormônio para regular o sono, atuar nas funções mentais, agir no estado de humor, manter a saúde cardiovascular em dia, controlar o sistema imunológico, comandar as funções ginecológicas das mulheres, transformar a gordura em energia. Por isso, o equilíbrio hormonal no organismo desempenha um papel importante em relação à saúde no dia a dia.

Porém, em outubro de 2012, o Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou uma resolução que restringe a indicação de hormônios e outras substâncias com o objetivo de retardar o envelhecimento, com exceção dos casos de deficiência comprovada.

Foram proibidos

1. Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico-degenerativas;

2. Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;

3. Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados.

A restrição

De acordo com a resolução, publicada no Diário Oficial da União, “a falta de evidências científicas de benefícios e os riscos e malefícios que trazem à saúde não permitem o uso de terapias hormonais com o objetivo de retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento”.

Na opinião da médica Paula Cabral, autora do livro Em Busca da Longevidade, essa é uma forma de conter a divulgação inadequada desse tipo de tratamento: “as pessoas melhoram com a terapia de reposição para o equilíbrio hormonal, mas não interrompem o envelhecimento por causa dos hormônios. Passam a ter uma melhor qualidade de vida, portanto o nome antienvelhecimento tem conotação sensacionalista”.

A foto mostra uma mulher olhando com uma expressão séria para uma cartela de pílulas anticoncepcionais, usadas para o equilíbrio hormonal

Foto: iStock.com/Getty Images

Esclarecimentos

É importante ressaltar que o envelhecimento é um fato, um processo biológico natural do ser humano. Por isso, não acredite em nenhuma promessa de terapias antienvelhecimento, pois elas não existem.

O que existem são terapias hormonais que ajudam a melhorar a qualidade de vida durante o envelhecimento – essas com comprovações científicas –, como suporte hormonal ao hipotireoidismo, ao paciente diabético no uso da insulina ou a mulheres na menopausa.

Mas esses tratamentos só podem ser prescritos com comprovada necessidade, após realização de consulta médica, anamnese (ficha médica), exame clínico e laboratorial.

Riscos

Uma das preocupações do CFM se refere aos possíveis efeitos colaterais do uso indiscriminado de substâncias voltadas para o equilíbrio hormonal que pode, inclusive, levar ao desenvolvimento de doenças.

Assim, uma vez que a indicação de uso de hormônios exista, o paciente estará suplementando um déficit. Por isso não haveria contraindicações se esses hormônios mantivessem níveis fisiológicos e a terapia fosse feita com hormônios idênticos ao que o paciente produz (bioidênticos). “Hormônios com moléculas diferentes do hormônio natural podem trazer efeitos colaterais de modificação dela, por isso a terapia de reposição quase hormonal sofre restrição”, complementa.

Alerta!

Ainda segundo Paula, para ter qualidade de vida é importante ter acesso às informações corretas, sem depender dos interesses comerciais que alimentam a indústria da doença. Um exemplo conhecido foi a descrença com relação aos benefícios da penicilina, que precisou de muitos anos para estar acessível à população.

Acredito que sempre que a conotação errada é aplicada com sensacionalismo, leva anos para que a técnica original seja vista como evolução. Infelizmente não tem como controlar os interesses dessas pessoas”, finaliza.

LEIA TAMBÉM

Texto: Redação Alto Astral – Edição: Giovane Rocha

Consultoria:  Paula Cabral, médica e autora do livro Em Busca da Longevidade, editora Matrix