Padre Alessandro Campos: conheça o sacerdote que usa a música sertaneja para evangelizar

Em entrevista para a revista Malu, ele falou sobre carreira, música, algumas curiosidades com fãs e até cachaça!

Por Isabela Zamboni - 07/08/2017
Padre Alessandro Campos cantando, usando um paletó branco e um chapéu sertanejo branco

Foto: Globo/Zé Paulo Cardeal

O padre Alessandro Campos, recém contratado pela TV Gazeta, estreou ontem no canal (06/08)  com seu programa Festa Sertaneja, recebendo a dupla Rio Negro e Solimões, que relembrou seus maiores sucessos e contaram um pouco sobre a trajetória de sucesso. Claro que o padre aproveitou para soltar a voz e passar mensagens de amor e esperança para os telespectadores.

Alessandro Campos é natural de Guaratinguetá (terra do primeiro santo brasileiro, Frei Galvão) e conta com uma nova forma de evangelizar: por meio da música católica sertaneja. Ele conversou com a equipe da revista Malu e contou um pouco mais sobre sua carreira como padre e músico. Confira a entrevista!

Como descobriu sua vocação para o sacerdócio?

“Na primeira missa que eu fui, foi amor à primeira vista! A imagem de Jesus Cristo, naquele momento, parece que preencheu tudo. Fiquei louco por Ele e, quando o padre entrou para celebrar cantando: ‘me chamastes para caminhar na vida contigo..,’, todo vestido, iluminado, eu falei pra mim mesmo: ‘é isso que eu quero ser. Eu quero ser padre!’. E esse mesmo padre (padre Orfeu) foi quem descobriu a minha vocação e me enviou, aos 13 anos, para o seminário”.

E sua relação com a música?

“Quando eu era muito jovem, acho que aos 12, 13 anos, fui ao meu primeiro show. Estavam no palco Zezé Di Camargo e Luciano (na época, o padre Marcelo Rossi estava despontando na mídia). Eu fiquei vendo eles se apresentarem, fiquei vendo a comoção do povo, o delírio dos fãs e, no meu coração, pensei: ‘nossa, eu quero ser padre, vou ser! Mas como seria maravilhoso subir nesse palco e falar de Jesus Cristo assim, desse jeito, para todas essas pessoas. E conseguir ver todas apaixonadas por Ele’. 

Além de cantar, você toca algum instrumento?

“Olha, não toco, até por falta de oportunidade de estudar música. Ralo um pouquinho o violão e muito mal a sanfona, instrumento pelo qual sou apaixonado. Meu avô tocava muito bem sanfona, mas nunca me deixou por a mão nela… (risos). Vou denunciar a minha irmã também: ela foi a primeira a ter um violão e trancava ele no quarto pra eu não tocar (risos)”.

Fale um pouco sobre seu primeiro CD, O homem decepciona, Jesus Cristo jamais.

“É o meu primeiro CD profissional, lançado pela Universal Music através da Liga Entretenimento. Na paróquia, gravei um CD simples porque as pessoas pediam muito as músicas. Notei, então, que esse seria o caminho do meu chamado para evangelizar (aproveitando, quero aqui agradecer ao Marcelo Azevedo, meu empresário, e a toda a equipe da Liga e da Universal por acreditar!). Nesse novo trabalho tem muito de mim. É como se fosse um currículo, sabe, de tudo o que eu quero fazer – cantar, louvar, rezar… Tem músicas clássicas adaptadas para letras cristãs, como Telefone mudo e  Moreninha Linda; tem clássicos originais com mensagens maravilhosas, como Estrada da vida e Último Julgamento; tem músicas católicas do Pe. Zezinho, o precursor dessa forma de evangelizar muito do interior, como utopia; tem uma música em forma de oração, Alô, meu Deus; e tem duas inéditas: uma composição minha, que é título do CD, e a Quero ser Santo, composta pelo meu produtor André; que nunca tinha composto nada religioso, mas entendeu desde o início o significado desse trabalho.”

O que você deseja construir com os frutos desse trabalho?

“Com parte das arrecadações vou ajudar a minha arquidiocese em suas obras sociais. Com outra parte, eu tenho uma creche beneficente em Mogi das Cruzes (SP) para 72 crianças carentes – quem cuida é minha mãe. Eu quero dobrar, triplicar, se for possível, o número dessas crianças atendidas. A infância precisa de cuidados, precisa de amor. É o nosso futuro! E, também, todo sacerdote tem uma casa, um lar, uma comunidade! Eu desejo construir essa casa sobre a rocha, que é Jesus. O meu desejo é construir o ‘Santuário Nacional do Sertanejo’, em Brasília. Mas os caminhos são de Deus, e eu me entrego em Suas mãos para fazer o que for da Sua vontade. Sou um jovem, cheio de sonhos, vou deixar que Deus os alimente como quiser. É uma longa caminhada, o projeto é inovador e desafiador, mais eu sei da minha missão, do meu chamado.

(Malu) – Como você encara o assédio de fieis (que deve aumentar) que confundem o seu trabalho e se aproximam com outras intenções?

(Padre Alessandro) – “Eu escolhi ser de Jesus Cristo! Trato isso com muita naturalidade porque tenho convicção da minha escolha. Digo sempre: quando um não quer, dois não brigam (risos). Se o assédio fizer com que as pessoas venham aos shows, ficarei muito feliz porque irão lá para me ver, mas sairão totalmente seduzidas, apaixonadas por Jesus Cristo”.

Quais são seus argumentos para os conservadores que, por ventura, venham a criticar o seu trabalho?

“Respeito a hierarquia da Igreja e as músicas são corrigidas liturgicamente. A imagem da vestimenta de chapéu, bota e cinturão é uma forma de se vestir muito natural de quem é sertanejo, é estilo. E tenho que agradecer muito ao meu bispo, Dom Osvino Both, por apoiar, acompanhar, dirigir e me orientar nessa missão. Olha, Deus nos fez para sermos felizes, ele nos ama como somos. Se estamos anunciando Jesus através de canções que falam de amor, justiça e paz, estamos anunciando o Evangelho: amai-vos uns aos outros! Se a música sertaneja, o padre sertanejo for a maneira especial que me foi concebida para levar a fé  a todas as pessoas, vou fazê-lo porque foi Jesus mesmo quem disse: ‘ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura’”.

Faz mais algum trabalho?

“Temos distribuído programetes para rádios parceiras, que acreditam no trabalho. São cinco minutos de um encontro pessoal com Deus, onde a pergunta é: ‘o que você quer pedir para Jesus Cristo hoje?’. Tenho desejo de fazer televisão, de utilizar todos os meios de comunicação possíveis, impossíveis e imaginários para anunciar Jesus Cristo”.

Confira 3 curiosidades que o padre Alessandro Campos contou para a Malu:

 

 

Confira o clipe da canção O Que é que eu Sou sem Jesus?:

 

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