O que é a possessão na visão da psicologia?

Descubra o que a psicologia tem a dizer sobre pessoas supostamente tomadas pelo mal

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Foto: Shutterstock Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 03/10/2016 às 15:53
Atualizado às 18:36

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Para a psicologia, a fé faz com que o indivíduo compreenda a realidade por meio de uma referência religiosa, capaz de interferir no rumo da realidade. Assim, os casos considerados possessão podem ser tratados com terapias e intervenção médica especializada.

Questão de crença

Segundo o psicólogo Wellington Zangari a fé nutrida por muitas pessoas  “trata-se de uma atitude sui generis (singular), frente à realidade na qual o indivíduo adota um referencial religioso para explicar a vida, a realidade de modo geral e, além disso, para lidar com aquilo que há de ‘difícil’ nessa realidade, como o mal”.

Portanto, para a psicologia, o mal é visto como o que provocaria uma ruptura do ideal de felicidade no ser humano. “Dentre as possibilidades da presença do mal, estão as perdas de todo tipo, sobretudo a morte, mas também a doença e os sentimentos de infelicidade, de tristeza, que acometem o ser humano justificada ou injustificadamente”, exemplifica Zangari.

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Lidando com o mal

Ainda de acordo com o psicólogo, as pessoas podem aceitar o mal como real e inescapável (com uma atitude de resignação) ou enfrentá-lo de modo ativo. “Uma das formas de lidar com o mal é antropomorfizando-o, ou seja, compreendo o mal como sendo resultado da ação deliberada de seres invisíveis. Ao concebê-lo como o resultado do capricho das vontades de espíritos, deuses ou demônios, o ser humano abriu a possibilidade de negociar com essas entidades”, explica o especialista.

Contudo, tal crença pode levar o indivíduo a acreditar que o mal é fundamental, diminuindo a importância da ação de forças biológicas, sociais e políticas que interferem na vida humana, o que aumenta o sentimento de impotência na pessoa. “Como resultado, pode até mesmo diminuir sua capacidade de lidar ativamente contra o mal. Dessa forma, a antropomorfização pode se tornar um tiro pela culatra!”, afirma Zangari.

Problemas mentais não são possessões

A possessão, então, para descrentes, não se passa da interpretação que um grupo de pessoas, crente de que aquilo seja uma ação de entidade espirituais sobre um corpo, dá a uma situação. Assim, muitos dos casos de exorcismos e dos sintomas de possessão relacionados a eles seriam decorrentes de problemas neurológicos e psicológicos que se manifestam em momentos de grande estresse ou raiva.

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Consultoria: Wellington Zangari, coordenador do Inter Psi – Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais e do Laboratório de Psicologia Social da Religião do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Texto: Érica Aguiar – Edição: Natália Negretti