Saiba por que o Livro do Apocalipse é tão assustador

A descrição do fim do mundo pode ter várias interpretações, segundo o Livro do Apocalipse

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Os quatro cavaleiros, quadro Apocalypse, de Viktor Vasnetsov. (Imagem: Reprodução)

por Redação Alto Astral
Publicado em 19/10/2016 às 15:49
Atualizado às 18:49

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Os textos do Apocalipse hoje são vistos de maneira contraditória. De um lado, uma embasada crítica literária se debruça sobre a riqueza de seu linguajar e seu simbolismo particular. Acadêmicos e teólogos analisam com sobriedade a sua influência em diferentes aspectos da cultura ocidental, até mesmo na política. Ao mesmo tempo, a grande massa de leitores em geral, sejam meros curiosos ou seguidores de um cristianismo fundamentalista, garantem ao livro uma dimensão que ele nunca teve antes.

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Os quatro cavaleiros, quadro Apocalypse, de Viktor Vasnetsov. (Imagem: Reprodução)

Polêmico por natureza

Muita dessa atração é justificada por seu caráter enigmático – e por uma curiosidade meio mórbida da humanidade quando o assunto é a sua própria extinção. Acontece que a linguagem peculiar empregada por João de Patmos pode ser encarada também como uma solução para os primeiros cristãos salvarem o próprio pescoço: “Todo o livro do Apocalipse é escrito em alegorias. Essas cartas eram enviadas às comunidades.

Se o mensageiro fosse pego pelo exército romano com essas cartas, eles não iriam entender absolutamente nada, pois eram alegorias que somente eram entendidas pelos cristãos”, esclarece o teólogo e historiador Roberto Francisco Daniel, que usa de uma canção brasileira como comparação: “É como a música A Banda, do Chico Buarque, escrita durante o regime militar no Brasil. A canção era uma forma alegórica de chamar o povo para as manifestações, para a rua, ‘para ver a banda passar’. Foi uma forma de driblar a censura militar, do mesmo jeito que João queria enganar a censura romana. Não é uma mensagem para o futuro nosso, mas para aquelas comunidades”.

Mil metáforas

A besta de sete cabeças, por exemplo, pode ser vista como uma metáfora para os próprios perseguidores, já que a cidade de Roma estava localizada entre sete colinas. Uma opinião que merece destaque é a do filósofo Johann Gottfried von Herder, que publicou, em 1779, uma importante análise dos versos apocalípticos chamada Maranatha: “Em um livro que durante milhares de anos instiga o coração, desperta a alma e não deixa nem amigo nem inimigo indiferente, e dificilmente tem um amigo ou inimigo comedido, em tal livro deve haver algo de substancial, digam o que disserem”. Como se vê, a controvérsia é a alma do negócio.

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Consultoria: Roberto Francisco Daniel, historiador e teólogo

Texto: Marcelo Ricciardi / colaborador – Edição: Natália Negretti