José de Alencar: conheça mais da história e literatura do romântico indianista

Aprenda sobre o a trajetória e o modo de escrita de um dos autores mais relevantes e inovadores da língua portuguesa: José de Alencar. Veja!

- (Foto: Wikicommons)

Cearense de Messejana (1829 – 1877), José de Alencar foi um dos escritores mais importantes da literatura nacional, principalmente pelo seu pioneirismo no modo de escrita e abordagem de alguns temas. Além de autor, atuou como jornalista, cronista, político e advogado. Sua formação acadêmica era na área do direito.

Alencar era filho de um relacionamento escandaloso para a época, tendo em vista que seu pai, José Martiniano Pereira de Alencar, era membro da igreja católica quando se envolveu com a futura mãe de José de Alencar, Ana Josefina de Alencar, sua própria prima. Do relacionamento entre os familiares, nasceu o futuro autor, primogênito de 12 filhos do casal.

O pai de Alencar era político e, devido ao cargo, mudou-se com sua família para a então capital do país, o Rio de Janeiro. Alencar iniciou seus estudos na cidade fluminense, porém, foi em São Paulo que o futuro autor ingressou na universidade.

Vida e carreira

De volta ao Rio de Janeiro, José de Alencar começou a trabalhar no famoso jornal da época, o Correio Mercantil. É nesse periódico que o autor publicou seus primeiros trabalhos no formato de folhetins, pequenos textos literários contínuos de uma grande obra.

Seus textos começaram a se popularizar entre os fluminenses. Alencar trabalhou nos folhetins temas recorrente na sociedade da época, a corte, a política, entre outros assuntos que atraem interesse de seu público. Posteriormente, aliado a um grupo de amigos, comprou o Diário do Rio de Janeiro, no qual poderia publicar seus trabalhos de modo mais livre. Nesse jornal, Alencar tornou-se chefe de redação.

Foi contribuindo para os periódicos da época que o autor começou a fazer sucesso, quando publicou algumas de suas obras mais importantes no formato de folhetins que, só depois, foram editados e publicados como livros. Exemplo disso é a obra O Guarani (1857).

No ano de 1859, tornou-se chefe da Secretaria do Ministério da Justiça. Em 1860 ingressou na política, como deputado estadual no estado do Ceará, atuando pelo Partido Conservador. Já em 1868, sagrou-se ministro da Justiça do país, ocupando o cargo até janeiro de 1870. Em 1869, candidatou-se para ser senador do Império, cargo que lhe foi negado pelo então imperador do Brasil, D. Pedro II.

Imagem de um retrato de José de Alencar. José de Alencar

(Foto: Wikicommons)

Importância de José de Alencar

Durante seu período em atividade, Alencar escreveu sobre diversas temáticas. As relações interpessoais e o comportamento individual dos personagens sobre o ambiente em que vivem eram parte das histórias, que retratavam e criticavam a vida da burguesia na corte, a valorização material sobre o pessoal, as consequências de nossas escolhas, dentre outros tantos temas.

Contudo, o que tornou Alencar um nome celebrado foi sua busca por tentar criar uma literatura nacional de características e temáticas próprias, desligada da influência portuguesa, que antes ditava os assuntos a serem tratados nas obras. Além disso, Alencar tentou criar uma espécie de cultura própria, com o objetivo de exaltar o nacionalismo e o patriotismo nacional, criando mitos de como a pátria poderia ter surgido, expressando-a de modo próprio e grandioso. Essas características listadas podem ser encontradas de maneira evidente nos romances O Guarani e Iracema.

Sendo assim, apesar de seu destaque por seus trabalhos nas obras indianistas românticas, não se pode classificar Alencar meramente como um autor pertencente ao romantismo. Afinal, algumas obras suas permeiam por outros movimentos, como o realismo e o regionalismo.

Estilo de escrita

Principalmente em suas obras indianistas, Alencar tentou criar uma linguagem nacional diferente daquela imposta nos trabalhos portugueses. Tentou usar expressões regionais, metáforas comparativas e itens que aproximassem o leitor do que seria visto em sua pátria no dia comum. Apesar das críticas a essa opção feita pelo autor, reconheceu-se a inovação por ele proposta. Hoje, a iniciativa é vista como uma das principais contribuições feitas por seus textos.

Principais obras

  • Cinco minutos (1860);
  • A viuvinha (1860);
  • Lucíola (1862);
  • Diva (1864);
  • As Minas de prata (1865);
  • O Guarani (1870);
  • A pata da gazela (1870);
  • O gaúcho (1870);
  • O tronco do Ipê (1871);
  • Sonhos d’ouro (1872);
  • Til (1872);
  • A guerra dos mascates (1873);
  • Alfarrábios (1873);
  • Ubirajara (1874).
  • Senhora (1875);
  • Iracema (1875);
  • O sertanejo (1876).
  • Encarnação (1877);

 

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Texto e edição: Leonardo Guerino

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