Carlos Drummond de Andrade: a importância do mineirinho de Itabira

Aprenda sobre a vida e a obra de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros. Por isso, é um dos autores mais cobrados dos vestibulares

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(Foto: Commons Wikimídia)

por Redação Alto Astral
Publicado em 11/08/2017 às 07:00
Atualizado às 09:36

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Mineiro da cidade de Itabira (1902 – 1987), Carlos Drummond de Andrade foi um dos maiores poetas de toda língua portuguesa e símbolo máximo da poesia brasileira. Durante sua vida atuou em funções como jornalista, redator, funcionário público e professor. Sua formação acadêmica era na área de farmácia.

O autor era o nono filho de um casal de fazendeiros, Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade. Desde criança, viveu entre os eixos Minas – Rio de Janeiro. Quando pequeno, mudou-se de Itabira para estudar em Belo Horizonte. Mais tarde, migrou para Nova Friburgo (RJ) para dar seguimento aos estudos, voltando, posteriormente, para Minas Gerais. Foi neste Estados que Carlos Drummond de Andrade cursou sua faculdade de Farmácia, na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Quero ser escritor!

Seus primeiros trabalhos como escritor foram divulgados no jornal Diário de Minas, em 1921. Contudo, apesar de seu gosto pela escrita, Andrade cursa bacharelado em farmácia na universidade mineira por insistência de sua família.

Um ano depois de concluído seu curso na UFMG, porém não atraído por sua profissão de formação, Drummond vai para Belo Horizonte e, por intermédio de Alberto Campos, ocupa o posto de redator e, em seguida, de redator-chefe do Diário de Minas.

Em 1927, morre seu primeiro filho, Carlos Flávio, meia hora após seu nascimento; concebido em união com Dolores Dutra de Morais. No ano de 1928 nasce sua filha Maria Julieta, mesma época em que publica o poema No meio do caminho, para a revista Antropofagia, de São Paulo. Poema este que dá início a seu destaque na escrita.

De Itabira para o mundo

Em 1929, Drummond deixa a redação do Diário de Minas e passa a trabalhar no Minas Gerais, na época órgão oficial do Estado. Colaboraria ainda com outros jornais antes de se mudar para o Rio de Janeiro, no ano de 1934. Neste ano, assume o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, na época, novo ministro da Educação e Saúde Pública do país.

Suas maiores obras são publicadas quando mora na capital fluminense. É nela que poemas como Sentimento do Mundo, Poesias, Confissões de Minas, dentre tantos outros trabalhos notórios do autor, são divulgados, fazendo de Carlos Drummond de Andrade um símbolo da poesia modernista brasileira.

Importância de Carlos Drummond de Andrade

O mineiro viveu em uma época marcada por grandes conflitos. Presenciou a primeira e segunda guerra mundial, os atentados nucleares em Hiroshima e Nagasaki, a bipartição do planeta durante a guerra fria e seus conflitos decorrentes, além do período violento da ditadura militar nacional. Elementos esses que tornam os poemas de Andrade recheados de críticas sociais, desesperança, sentimento de impotência do eu-lírico e, por vezes, ironias escancaradas.

Suas obras fazem análises do cotidiano em que o autor vive e, por meio delas, elabora complexas reflexões sobre situações inusitadas e comuns do dia a dia da vida urbana. Pode-se ainda notar em seus versos a presença de questões como a individualidade humana e o egoísmo. Contudo, em alguns de seus textos, é comum encontrarmos desejos por mudanças e renovações sobre a sociedade.

Estilo de escrita

Carlos Drummond Andrade pertence, principalmente, ao segundo movimento modernista. Essa fase é caracterizada pela presença de temas como regionalismos e críticas sociais. Além disso, durante o modernismo, seus pensadores criam que era possível se fazer uma nova forma de arte, usando elementos inovadores nas suas obras. No caso de Drummond, a métrica livre de seus poemas, sem uso de rimas e ausência da uniformidade dos versos, são alguns dos fatores que o tornam diferenciado.

Por fim, sua poesia concreta (ou seja, aquela que usa das disponibilidades gráficas que as palavras possuem, sem preocupações com a estética tradicional de começo, meio e fim, anteriormente valorizadas) de linguagem objetiva e popular são mais alguns outros pilares que sustentam as obras de Drummond, presando sempre pela liberdade da escrita, temperada com certas pitadas de sarcasmo ácido.

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Texto e edição: Leonardo Guerino

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