Beber a própria urina pode fazer bem?

Será que beber a própria urina faz bem? E se ela for o único líquido disponível em uma situação extrema ou de emergência?

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FOTO: SIEGFRIED KRAMER / SUPERSTOCK

por Redação Alto Astral
Publicado em 27/09/2016 às 19:36
Atualizado às 18:35

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Na verdade, não faz bem, apesar de a urina ter sido considerada uma bebida saudável por vários séculos. Os celtas na península Ibérica gargarejavam o líquido para branquear os dentes cerca de 50 anos antes de Cristo. Amaroli é uma palavra sânscrita que se refere à urinoterapia, que, na antiga prática Ayurvédica, significa beber urina pela manhã. Acredita-se que, na Bíblia, em Provérbios 5:15, há o conceito que dá suporte ao ato (“Bebe água da tua fonte, e das correntes do teu poço”).

J. D. Salinger cigarro urina

J. D. Salinger – Foto: Antony Di Gesu/San Diego Historical Society/Hulton Archive Collection/Getty Images

O escritor norte-americano J. D. Salinger (acima) notoriamente bebericou a sua, assim como o antigo primeiro ministro da Índia, Morarji Desai, que até apareceu no programa de TV norte-americano “60 Minutes” para defender o seu hábito. Ainda assim, beber sua própria urina não traz nenhum beneficio conhecido à saúde.

A urina consiste em, pelo menos, 95% água. Contudo, os 5% restantes não são muito bons – por isso, o seu corpo quer se livrar dela. Ela carrega o excesso de eletrólitos como cloreto, sódio e potássio (a urina também apresenta pequenos traços de toxinas em excesso na forma de ácido do seu rim, mas seria necessário beber um montão dela para chegar a causar algum dano).

girafa bebendo urina

FOTO: SIEGFRIED KRAMER / SUPERSTOCK

Animais podem beber a própria urina, não porque é saudável, mas por causa de seus feromônios. Os machos das girafas bebem urina antes de acasalar.

Os eletrólitos permitem que algumas de nossas células conduzam eletricidade. Contudo, o sódio em excesso extrai água de nossas células, desidratando nosso corpo. Já o potássio em excesso resulta num ataque cardíaco. “Pense nisso como o mesmo que beber água do mar”, diz Jeff Giullian, nefrologista (médico que cuida do rim) da Associação de Nefrologia do Sul de Denver, no estado do Colorado (EUA). “Vai causar desidratação e fazer, significativamente, mais mal do que bem”, rebate o especialista.

Dan Woolley discorda. Ele passou 65 horas preso sob os escombros do Hotel Montana, no Haiti, depois do terremoto em 2010. Ele atribui parcialmente sua sobrevivência a ter bebido sua própria urina – muitos sobreviventes fazem isso. Mesmo assim, especialistas em sobrevivência se dividem sobre essa questão. Bear Grylls, apresentador do programa de TV “Man vs Wild”, é favorável (Woolley diz que foi Grylls quem ensinou esse truque), mas a estrela do “Survivorman”, Les Stroud, diz que não é.

127 horas aron ralston urina

Aron Ralston foi representado pelo ator James Franco no filme 127 Horas. – Imagem: Divulgação

O manual de sobrevivência do Exército dos EUA coloca a urina na lista de item “não consumível”, mas Aron Ralston, aventureiro que ficou preso a uma pedra e foi forçado a cortar o próprio braço, também bebeu sua urina (esses atos foram representados no filme “127 Horas”).

Beber urina para sobreviver é ainda mais prejudicial, já que a desidratação a deixa ainda menos diluída e todos esses eletrólitos e ácidos aparecem em uma maior concentração. Ou seja, uma situação ruim fica ainda pior. Além disso, beber urina é nojento.

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Texto: Ryan Bradley – Edição: Ricardo Piccinato