Enovid: descubra quando foi criada a pílula anticoncepcional

Pílula chegou ao mercado farmacêutico norte-americano em 1957 e permitiu uma revolução sexual na época

Por João Paulo Fernandes - 10/07/2018
Na imagem, várias cartelas de pílula estão jogadas umas em cima das outras. Enovid.

(Foto: Reprodução/iStock.com/Getty Images)

A pílula chegou ao mercado farmacêutico norte-americano em 1957. Porém, como a venda de contraceptivos era proibida nos Estados Unidos, o remédio foi comercializado disfarçadamente sob a indicação de aliviar os sintomas da menstruação – a indicação de efeito colateral era a perda temporária da fertilidade. Apenas em 1960 foi oficialmente legalizada a distribuição do Enovid, o primeiro anticoncepcional administrado por via oral.

Invenção do Enovid

O projeto foi idealizado pela enfermeira e ativista do direito de controle de natalidade Margaret Sanger, financiado pela bióloga sufragista Katherine McCormick e pesquisado pelo cientista Gregory Pincus e o ginecologista John Rock – todos americanos. O quarteto divulgou o novo medicamento como um alívio para a menstruação, já que o contraceptivo era proibido em Nova York até então. A pílula chegou no mercado como um anticoncepcional em 1960 e, cinco anos depois, mais de seis milhões de mulheres tinham aderido ao método.

A criação da pílula permitiu uma revolução sexual na época. Juntamente com a difusão do movimento hippie e do feminismo, ajudou a consolidar a visão do sexo como algo além do ato reprodutivo e deu às mulheres o controle sobre a decisão de terem filhos ou não, sem abdicarem do ato sexual.

Problemas posteriores

Desde o início da comercialização do produto, o Enovid recebeu críticas de todos os lados, principalmente dos homens – que passaram a desconfiar da fidelidade da parceira –  e da Igreja. No entanto, era a preocupação com os efeitos colaterais que fez a Enovid sair do mercado e outras marcas, com doses significantemente mais baixas, a substituírem – bem como surgirem as minipílulas contendo somente progesterona, a pílula do dia seguinte e outros modelos.

Os efeitos do contraceptivo oral, que causou a discussão no passado e ainda faz as mulheres repensarem seu uso, envolvem: dores de cabeça, alteração no fluxo menstrual, diminuição da libido e outros mais sérios, como trombose e aumento do risco de desenvolvimento do câncer de mama.

Atualmente, com o surgimento de diversos métodos anticoncepcionais eficientes, como o DIU de cobre ou hormonal, muitas mulheres deixaram de depender apenas das pílulas para se protegerem contra uma gestação não-planejada, abrindo o leque na hora de decidir sobre seus corpos.

Cuidados com o uso do anticoncepcional

 

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Texto: João Paulo Fernandes/Colaborador

Edição: Camila Ramos/Colaboradora