15 respostas para as principais dúvidas sobre fertilidade feminina

Entenda como os hábitos e o estado de saúde da mulher podem influenciar no sonho de ser mãe

dúvidas sobre infertilidade
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Quando o desejo de ter filhos bate à porta, muitas mulheres entram em pânico: “Será que vou conseguir engravidar fácil?”; “Tenho algum problema que possa comprometer a gestação?”; “O meu peso pode interferir nos resultados”. São diversas as dúvidas sobre infertilidade que povoam o imaginário de pessoas que não conhecem a fundo o assunto.

Para sanar essas questões, consultamos o especialista em reprodução humana e diretor médico da Primordia Medicina Reprodutiva, Isaac Yadid, que esclarece várias perguntas a respeito da fertilidade feminina, causas de uma possível complicação, melhores hábitos e curiosidades.

Tire todas as suas dúvidas sobre infertilidade

1. Qual a faixa etária na qual a mulher é considerada naturalmente fértil?

De um ponto de vista estritamente biológico, os 20 são a melhor década para engravidar. A idade feminina é um fator vital em relação à fertilidade. Ao nascer, a mulher possui cerca de um a dois milhões de óvulos, e não haverá produção durante toda a vida. Quando chega aos 37 anos, esse número cai para 25 mil óvulos; aos 51 anos, apenas mil.

Podemos dizer que até os 32 anos a mulher tem cerca de 50% a 60% de chances de engravidar. Aos 37, as chances caem para algo em torno dos 30%; aos 39, 25%; com 40, 15%; e 43, apenas 5%. Esses dados estão em vários estudos publicados até hoje.

2. Quais são as principais causas da infertilidade feminina?

Idade avançada, problemas ovulatórios, obstruções tubárias, miomatose (miomas) uterina e endometriose. Além disso, a interferência dos hábitos de vida na fertilidade é maior entre as mulheres. Ser muito magra ou muito acima do peso atrapalha, pois gera alterações no perfil hormonal.

Fazer muito exercício aeróbico de impacto, como maratonas, também interfere, porque o hormônio FSH, essencial para reprodução, é lançado no organismo, mas não encontra tecido gorduroso para ser sintetizado. O fumo é um fator que prejudica o ovário, fazendo com que ele envelheça mais rápido. O alcoolismo provoca o mesmo processo. Se a mulher já for geneticamente programada para menopausa cedo, esses fatores podem contribuir para a aceleração do processo.

3. Como saber se a mulher é fértil? Quais testes é preciso fazer?

Os exames são feitos para determinar quais fatores estão diminuindo a fertilidade do casal. No caso dos homens, o espermograma é o exame inicial e principal. No caso das mulheres, permeabilidade das trompas e cavidade uterina pela histerosalpingografia, ultrassonografia e a vídeo-histeroscopia. Para a avaliação do fator ovulatório, devem ser realizados exames hormonais em dias específicos do ciclo menstrual. Os mais importantes são Prolactina, TSH, FSH, LH, Estradiol, Progesterona e o hormônio antimulleriano.

4. Mulheres que têm endometriose podem ter a fertilidade prejudicada? Por quê?

A endometriose é sim uma causa de infertilidade. Dependendo do grau, pode provocar obstrução mecânica das trompas por conta das aderências. Quando comprometem os ovários (chamados endometriomas), podem diminuir a reserva ovariana, fazendo com que produzam menos óvulos.

5. Quem tem ovário policístico não pode ter filho?

As mulheres com ovário policístico não ovulam todo mês, por isso é mais difícil engravidar. No entanto, não é impossível. As mulheres com ovários policísticos podem ter uma dificuldade maior para engravidar, pois em alguns casos tem ciclos anovulatórios. Porém, isso pode ser tratado. Por isso a importância de tirar todas as dúvidas sobre infertilidade.

6. Mulheres que têm miomas apresentam mais dificuldade para engravidar?

Sim, pois eles ocupam a cavidade uterina. Dependendo da quantidade, tamanho e localização dos miomas, é recomendada cirurgia prévia para que a cavidade uterina esteja livre para a implantação embrionária.

7. E quem toma a pílula do dia seguinte muitas vezes ao longo da vida?

É importante lembrar que alguns métodos anticoncepcionais, ao contrário das pílulas tradicionais, exigem um pouco mais de tempo para a readaptação do organismo feminino. Os contraceptivos injetáveis de depósito podem dificultar, uma vez que o hormônio permanece circulante no organismo da mulher por um longo período. A pílula do dia seguinte é de uso emergencial, indicada somente em certas ocasiões.

8. O uso do Dispositivo Intrauterino (DIU) gera dificuldade para engravidar?

Não. Mas, no caso de uma inflamação pélvica causada pelo uso de DIU, a mulher pode ter problemas tubários (obstruções).

9. A obesidade interfere na fertilidade?

Uma as mais frequentes dúvidas sobre infertilidade. Sim, isso ocorre devido às mudanças hormonais, principalmente do estrógeno – um hormônio sexual produzido nas células adiposas. Se uma mulher tem gordura corporal demais, o corpo produz estrógeno em excesso e começa a reagir como se estivesse controlando a reprodução, limitando as chances de gravidez. Mulheres com excesso ou falta de peso têm ciclos menstruais irregulares onde a ovulação não ocorre ou é inadequada.

10. O diabetes pode influenciar na fertilidade?

Sim, mas afeta mais os homens. Se a glicose estiver mal controlada, a quantidade de espermas capazes de fecundar o óvulo diminui. A ejaculação retrógrada também influencia na fertilidade dos diabéticos. Isso ocorre quando ao invés do homem ejacular para fora, o sêmen vai para dentro da bexiga, devido a um distúrbio neurovascular.

11. As fumantes têm dificuldades para engravidar?

Com certeza. O consumo de cigarro pode ser responsável por até 10% dos casos de infertilidade. O fumo é prejudicial para a mulher e para o homem. As pacientes fumantes apresentam alterações na movimentação das trompas, no muco do colo uterino, nos óvulos e, ainda, maior chance de abortamento. Os homens podem apresentar piora da qualidade do sêmen. O consumo de cigarro deve ser interrompido, não apenas pensando na fertilidade, como também para a melhora da saúde geral do casal.

12. Quem já tem ou já teve DST pode ter a fertilidade prejudicada?

As DSTs podem causar inflamação no endométrio e nas trompas. Em casos mais graves pode ocorrer abscesso na pelve com necessidade de cirurgia. Em longo prazo, mesmo após tratamento adequado, a paciente pode apresentar obstrução das trompas devido a aderências nos órgãos pélvicos. As trompas também podem apresentar acúmulo de líquido, com necessidade de sua retirada para melhorar a chance de gravidez. Neste caso, é necessária uma fertilização in vitro.

13. O consumo de álcool afeta a fertilidade?

É possível que as pacientes que consomem grandes quantidades de álcool necessitem de mais tempo para conseguirem engravidar. De modo geral, aconselhamos a redução ou até mesmo a interrupção do consumo. Nos homens, o uso excessivo do álcool ocasiona alterações hormonais, com diminuição da testosterona, disfunção erétil e diminuição da produção de sêmen.

14. A pílula anticoncepcional, quando usada por muito tempo, pode prejudicar a reprodução?

Não. Por serem bastante similares aos hormônios naturais da mulher, o estrogênio e a progesterona da pílula anticoncepcional dificilmente podem trazer algum problema futuro à gravidez da mulher. Vários estudos mostram que não há evidência de que a infertilidade seja aumentada pelo uso da contracepção oral por qualquer período de tempo. Também não é necessário que se façam as pausas entre as cartelas. O retorno aos ciclos ovulatórios se dá já no primeiro mês após a interrupção do tratamento.

15. Quem já abortou uma vez terá mais dificuldade de engravidar?

Não. Mas, toda mulher que engravida tem 20% de chances de abortar. Abortos de repetição precisam ser avaliados com exames específicos para serem tratados adequadamente. Pacientes submetidas a curetagem pós-aborto devem ser avaliadas com vídeo-histeroscopia.

Agora que tirou suas principais dúvidas sobre infertilidade, não se esqueça de compartilhar esses e outros conteúdos sobre o tema com mulheres que ainda se cercam de questionamentos e crendices.

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