Crise da meia-idade: um processo natural que pode trazer benefícios

Pelo menos é o que afirmam as pesquisas: após os questionamentos comuns da crise da meia-idade, entre os 35 e 42 anos, a vida se renova!

mulher de costas, pensativa, como se estivesse em crise da meia-idade
(Foto: Domain Public Pictures)

O termo crise da meia-idade foi usado pela primeira vez em 1965 pelo psicólogo Elliott Jaques, que chamou assim os momentos de tristeza vividos aos 40 anos, causados pela sensação da perda da juventude. Mas pesquisas recentes constataram que, depois de chegarem ao fundo do poço, as pessoas conseguem voltar a ser felizes. Então, nada de desânimo! Depois dessa idade, você ainda terá muito para viver e aproveitar.

Quando começa

O psicólogo Jaime Kahan garante que a crise da meia-idade ocorre, geralmente, entre 35 e 42 anos. É nesse período que acontece um grande número de separações e também mudanças profissionais. “As pessoas que procuram ajuda terapêutica relatam sentir uma carência inexplicável e insatisfação com suas conquistas materiais. Então, buscam abafar essa sensação incômoda de várias maneiras: trabalhando mais, se envolvendo em relações extraconjugais, etc.”, conta o especialista.

Questionar para crescer

O psicólogo explica que o sentimento faz parte de um balanço do que foi feito até aquele momento nos lados material e de desenvolvimento humano. É comum que haja questionamentos como: consegui realizar meus objetivos pessoais e profissionais? Como me sinto em família? Como sou visto pela comunidade? O que vou deixar no mundo de verdadeiramente importante?

“A morte de amigos e parentes nos coloca face a face com a transitoriedade de nossas vidas. Por isso, as respostas procuradas têm a ver com um amadurecimento psicológico e espiritual, muito mais do que apego a bens, status social e símbolos de poder. A crise de meia-idade é uma oportunidade de crescimento, na qual se deixa as ilusões da juventude de lado e percebe-se o que realmente é essencial nas nossas vidas”, afirma Kahan.

Luz no fim do túnel

A maneira mais eficiente de enfrentar essa etapa é permitindo que os obstáculos transformem mais do que depriem. E, segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, é isso mesmo que as pessoas estão fazendo. O estudo comprovou que, passada a época mais tensa da crise da meia-idade, os níveis de estresse caem e a felicidade passa a ser mais recorrente.

Para o especialista, isso representa uma vitória pessoal que beneficia toda a sociedade, que começa a compreender que as restrições físicas impostas pelo envelhecimento não precisam ser sinônimo de tristeza se for levado em conta o amadurecimento psíquico e espiritual vivenciado com o passar dos anos.

“Vale a pena prestarmos atenção a estes idosos que parecem ter uma aura luminosa e transmitem felicidade. Eles revelam desprendimento, generosidade e solidariedade em suas atitudes, o que lhes permite transformar a terceira idade num período fértil de colheita e realização”, analisa.

Medo de quê?

Para o especialista, o medo das pessoas de envelhecer está cada vez menos fundamentado, porque a atual geração da terceira idade está vivendo uma espécie de revolução silenciosa que ele chama de “envelhecimento ativo”.

Após criados os filhos e conquistados os principais objetivos profissionais, em vez de se esconderem, os idosos continuam estudando, aprendendo, viajando, vivendo mais e com melhor qualidade de vida. Aos poucos, a imagem preconceituosa que se criou sobre o envelhecimento dá lugar à noção de que essa idade proporciona a liberdade mais genuína possível: a que é acompanhada da possibilidade de vivê-la plenamente.

Texto: Bianca Camargo/Colaboradora Consultoria: Jaime Kahan, psicólogo especializado em desenvolvimento humano

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