Restrição alimentar na escola. Como lidar?

Como pais e professores devem lidar com a situação de uma criança que sofre com restrição alimentar? Veja o que você pode e o que não deve fazer.

Criança comendo na mesa com os pais
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Se para os adultos já é difícil gerenciar a uma dieta com restrições alimentares, imagine controlar a alimentação de uma criança que tem doença celíaca, caracterizada pela alergia ao glúten; intolerância à lactose, que é a intolerância à proteína do leite;  ou diabetes. O desafio se torna ainda maior quando essa criança atinge a idade letiva e precisa frequentar a escola, um ambiente diferente, onde a exposição à comida foge do controle dos pais que, naturalmente, ficam com medo de que as crianças acabem ingerindo alimentos que desencadeiam sintomas desagradáveis e, na maioria das vezes, muito perigosos.

As crianças, além de muito curiosas, sentem necessidade de repetir o padrão de comportamento dos colegas para não ficarem excluídos do grupo social. E isso inclui compartilhar a merenda ou comer o mesmo tipo de alimento que os demais. Somado a isso, há sempre o perigo de contaminação por outras vias (utensílios e objetos que tiveram contato com os alimentos que desencadeiam a alergia) ou pelas substâncias “escondidas” nos alimentos.

Escola e professores despreparados

Devido à dieta restritiva, as crianças podem sentir-se isoladas, diferentes e até mesmo excluídas do grupo quando não são recebidas de forma inclusiva pela escola e seus funcionários. Por não saberem lidar com essa situação e por medo de a criança ingerir algum alimento proibido acidentalmente, alguns professores optam por isolá-la durante o recreio ou evitam que ela participe dos lanches coletivos, festas ou datas comemorativas. Essa conduta, apesar de parecer excesso de cuidado, pode acarretar consequências psicossociais traumáticas à criança.

A escola é um ambiente importante não apenas na educação da criança, mas também para o desenvolvimento da socialização, construção de identidade, autoestima e cidadania. Por isso, deve atuar de maneira inclusiva em todos os sentidos.

crianças sentadas na escola

Foto: Shutterstock

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A melhor maneira de agir

A criança com restrição alimentar é uma criança normal, que não pode e não deve ser tratada de forma diferente das demais. Há inúmeras estratégias que as escolas podem seguir para que elas sintam-se inseridas em momentos de refeições coletivas:

  • conscientizar o grupo sobre as questões alimentares e as diferenças, para que eles saibam que é perigoso oferecer certos tipos de alimentos aos coleguinhas com restrição;
  • avisar aos pais sobre as festas que serão realizadas para que estes possam, caso a escola não tenha condições, providenciar alimentos para a criança com restrições que sejam equivalentes ao que as outras vão comer;
  • oferecer, em alguns dias, dieta restritiva para todos os alunos da sala ou da escola.

A criança precisa sentir-se bem ao frequentar a escola, sentir-se parte dela, brincar, fazer amigos e manter suas atividades como qualquer outra. Em casa, é importante que os pais trabalhem no sentido de conscientização da criança, mostrando que cada pessoa tem suas próprias diferenças e que a dela é alimentar. É recomendado que os pais evitem vê-la como a diferente, a rejeitada, e reforcem sua autoestima por meio de olhares de admiração e de reconhecimento de suas boas qualidades.