Fim de relacionamento é um processo de luto que precisa ser vivido

Para curar um coração partido o ideal é vivenciar todas as etapas que envolvem a perda

Enfrentar fases como raiva e tristeza ajudam a lidar com o fim do relacionamento
Enfrentar fases como raiva e tristeza ajudam a lidar com o fim do relacionamento - Shutterstock

por Heloísa Noronha
Publicado em 14/11/2021 às 10:00
Atualizado às 10:00

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Assim como acontece por causa da morte de um ente querido, vivenciar os estágios do luto quando um casamento ou namoro chega ao fim é essencial para enfrentar a perda e seguir em frente. É comum, para muita gente, querer fugir da dor e do vazio procurando rapidamente um novo amor, se jogando no trabalhando ou distraindo-se de todas as formas possíveis. São maneiras de tentar convencerem a si mesmas e aos outros que estão bem, mas o sofrimento adiado pode dar as caras em algum momento e aí a agonia vai ser bem pior.

É importante processar a perda, conversar a respeito com os amigos e compreender seus sentimentos sem deixar de lado o desconforto da situação. Não é um processo fácil, mas tudo isso facilitará a superação. Por isso, é importante que as pessoas conheçam como é cada etapa do processo de luto para reconhecer qual delas está vivenciando e, assim, adotar estratégias saudáveis para lidar com cada uma. Muitas vezes a pessoa vai e volta algumas vezes em uma mesma fase, até que esteja se sentido emocionalmente.

O ideal é respeitar esse processo, dar espaço para sentir a dor da perda, não fazer cobranças nem achar que é preciso ficar bem logo. Muita gente aparenta ter refeito a vida em pouco tempo, mas ainda há muitas pendências, mágoas, ciúmes. O luto tem começo, meio e fim, portanto, não dura para sempre. Nada mais produtivo, então, do que entender os seus estágios.

Principais etapas do luto por um rompimento amoroso

Negação
É um estado de choque, costuma-se dizer que é quando ainda não caiu a ficha, como se a pessoa estivesse anestesiada. É mais intensa para quem leva o "cartão vermelho" ou sofre uma traição - por mais que a relação estivesse péssima, o ponto final sempre provoca um baque. Para algumas pessoas, o esse estágio pode ser marcado por fantasias e esperanças de que vão reatar. A negação é um mecanismo de defesa do ser humano. Diante da dificuldade de aceitar a dor, é melhor negá-la para tentar não sofrer.

Raiva
Fase em a pessoa pode ter raiva de si mesma, se estiver sofrendo, e concluir que a responsabilidade pela separação foi dela. A pessoa fica hostil, pode perder a confiança nos relacionamentos, sente-se injustiçada, vitimada, não merecedora de tanta dor. Outra situação comum é falar mal do ex para as pessoas, tentando provar para o mundo o quanto ele é ruim, e ligar para ele a fim de tirar satisfações, ofender, ameaçar, reclamar, acusar. É uma fase muito nociva em que toda a mágoa represada pode se manifestar. Por trás de tanta agressividade, há muita tristeza.

Barganha ou negociação
Nesse momento do luto a pessoa muda o tom, faz promessas de mudança de comportamento ao outro, perdoa traições, pede chances de tentar novamente, apela para amigos, parentes, advogados, psicólogos, cartomantes... A pessoa faz o que for preciso para que as coisas voltem a ser como eram. Há uma impressão equivocada de que todo sofrimento é pelo amor que sente pelo ex, mas outras circunstâncias podem estar envolvidas: dor da solidão, do abandono, da perda de uma posição social, mágoa pelo fim de uma idealização de relação ou família, entre outros fatores.

Tristeza
A pessoa admite a perda e aceita que não há volta. Entende, enfim, que terá que aprender a viver com o vazio, com as saudades, com a nova realidade. É uma etapa em que se chora muito e tem a impressão que a dor nunca será aplacada. É importante que amigos e familiares prestem atenção, se a própria pessoa não o conseguir, no fato de a tristeza se mostrar exacerbada, pois se for pode desencadear uma depressão.

Aceitação
Depois de lágrimas, dor, isolamento, raiva, sofrimento, começa a brilhar uma luz no fim do túnel e é hora de seguir a vida e aceitar a nova realidade, colocar ordem em tudo que foi deixado de lado ou que foi bagunçado durante esse processo. É hora de retomar a atenção dedicada ao trabalho, à casa, às finanças, à saúde física e mental. A partir da assimilação da nova realidade a pessoa estará pronta para preencher o vazio com outras amizades, planos, sonhos e até quem sabe, um novo amor.

Fontes: Joselene L. Alvim, psicóloga especialista em neuropsicologia pelo setor de neurologia do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e coordenadora do curso de especialização em neuropsicologia da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), e Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal de São Paulo (SP).

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