Como reconhecer um psicopata?

Você pode encontrar psicopatas em qualquer lugar, mas é bem difícil reconhecer um. Conheça as características que ajudam a identificá-los

Imagem: fotomontagem sobre fotos de Shutterstock Images

Definir alguém como psicopata é quase uma arte, já que as características podem ser facilmente confundidas com pessoas que não apresentam nenhum transtorno psiquiátrico.

A psicóloga e psicanalista Cleunice Menezes enumera alguns traços da personalidade dos psicopatas, como a incapacidade de se colocar no lugar de outra pessoa e a falta do sentimento de culpa ou remorso. Além disso, são seres egocêntricos, desonestos e mentirosos. O psicopata também possui habilidades que facilitam a aproximação de outras pessoas, como a sedução, manipulação e inteligência para conquistar o que deseja.

 

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Usa e joga fora

Quem possui esse transtorno de personalidade consegue se relacionar socialmente e intelectualmente, mas vendo o outro meramente como um objeto. “As pessoas servem até que consigam alcançar o que desejam. Assim que o psicopata obtém o que quer, as descarta com facilidade”, explica Cleunice. Segundo a psicóloga, isso acontece porque o psicopata não possui senso crítico ou noção ética, o que possibilita que tire vantagem em qualquer situação.

“Os portadores dessa estrutura psíquica causam boa impressão e são considerados normais por aqueles que o conhecem superficialmente”, alerta Cleunice Menezes. Em relacionamentos amorosos, psicopatas são insensíveis e não gostam de compromissos, além de culpar outras pessoas por suas falhas e raramente aprenderem com seus erros.

 

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Sob disfarce

É importante ressaltar que sofrer de psicopatia não quer dizer que a pessoa é violenta. Ao contrário, existem casos de psicopatas que prejudicaram milhões de pessoas sem nunca ter derramado sangue.

O especialista Jô Furlan salienta que alguns psicopatas podem passar despercebidos por muito tempo, até pela vida toda. Segundo ele, se você aplicar o teste do psicólogo canadense Robert D. Hare (saiba mais abaixo), usado para identificar e avaliar tendências comportamentais antissociais e psicopatia, ficará surpreso com o resultado e poderá até ficar neurótico ou extremamente ansioso.

Inclusive, algumas pessoas se assustam ao encontrar um lado psicótico em alguém próximo a elas. “Por isso, se torna comum o questionamento sobre a veracidade dos fatos. As pessoas se perguntam: ‘Como eu nunca percebi nada?’”, conclui o médico.

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Como identificar um psicopata

Depois de 25 anos estudando o comportamento dos psicopatas, o psiquiatra canadense Robert D. Hare criou um método, chamado Escala Hare, que auxilia no diagnóstico do transtorno. Muito usada pela justiça de diversos países, consiste em uma lista semiestruturada que pontua em 20 itens, fazendo um exame dos aspectos da personalidade relacionados com seus sentimentos e comportamentos. A pontuação é dada por um psiquiatra e vai do número 0, para quem não apresenta característica nenhuma, até o 24, grau máximo de psicopatia.

Jô Furlan, médico e pesquisador na área de neurociência do comportamento, baseado na metodologia de Hare, destaca as possíveis características presentes em psicopatas:
• É simpático e conquistador no primeiro contato;
• Tem autoestima grandiosa;
• Possui necessidade de estimulação e fica aborrecido facilmente;
• É um mentiroso patológico;
• Manipulador;
• Possui sentimentos afetivos superficiais, mas consegue simular algo mais profundo se for necessário;
• Insensibilidade e falta de empatia;
• Tem controle comportamental fraco;
• Promiscuidade sexual;
• Problemas de comportamento precoce;
• Falta de metas realistas a longo prazo;
• Impulsividade;
• Age descontroladamente;
• É incapaz de aceitar responsabilidade diante de compromissos;
• Tem relações afetivas conjugais curtas;
• Ausência de remorso ou culpa;
• Tem um estilo de vida parasitária.

 

Consultorias: Cleunice Menezes, psicóloga e psicanalista; Julieta Guevara, psiquiatra; Jô Furlan, médico, professor e pesquisador na área de neurociência do comportamento; Sandra Monice, psicóloga; Douglas Motta Calderoni, psiquiatra.

 

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Texto e entrevistas: Karina Alonso / Colaboradora – Edição: Ricardo Piccinato