Assédio no trabalho: denúncias contra Marcius Melhem ganham detalhes

Caso volta à tona após declarações de Dani Calabresa. Saiba como lidar com a situação!

Assédio no trabalho: denúncias contra Marcius Melhem ganham detalhes
Foto: Shutterstock

O ator e ex-chefe do núcleo de humor da TV Globo, Marcius Melhem, teve o seu contrato rescindido após receber diversas denúncias de assédio no trabalho. O caso voltou à tona após as declarações da atriz e humorista Dani Calabresa para a revista Piauí, em que relata com mais detalhes as ações do companheiro de emissora desde a sua contratação.

Calabresa comentou sobre diferentes momentos em que foi assediada de forma moral e sexual pelo ator. Além disso, a revista também ouviu outras 43 pessoas, entre elas vítimas de Marcius e testemunhas dos casos. A maioria preferiu manter sigilo sobre sua identidade para evitar conflitos profissionais e judiciais.

No entanto, essa não foi a primeira vez que mulheres se pronunciaram sobre o ator. Em outubro, atrizes e produtoras se manifestaram publicamente na coluna da jornalista Monica Bergamo, na Folha de S.Paulo, com a advogada criminalista Mayra Cotta – descontentes com o desfecho das denúncias.

As vítimas, que preferiram não se identificar, relataram episódios recorrentes de abuso de poder, comportamento sexual inadequado, perseguição e assédio moral por parte de Melhem. As denúncias foram encaminhadas ao departamento de compliance da empresa e contam com o apoio de mais de 30 funcionários. Nas redes sociais, o diretor negou as acusações e disse que irá provar sua inocência.

Um dos motivos da nova repercussão é a falta de transparência da Globo em relação ao real motivo da demissão de Marcius Melhem após quase duas décadas de trabalho. Ao comunicar o encerramento do contrato, nenhuma das denúncias de assédio foram mencionadas, referindo-se apenas ao fim de uma “parceria de sucesso” por motivos familiares do ator.

Essa não é a primeira vez que um caso de assédio repercute na emissora, havendo outros como o de José Mayer. Entretanto, não é apenas no ambiente televisivo que esse tipo de comportamento ocorre. De acordo com levantamento da ONG Think Olga, 33% das mulheres brasileiras sofrem ou já sofreram algum tipo de constrangimento moral ou sexual em seu local de trabalho. Confira conselhos de especialistas para identificar o assédio e saiba como lidar com a situação!

Especialistas explicam como lidar com assédio no trabalho

Assédio no trabalho: denúncias contra Marcius Melhem ganham detalhes
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O que é assédio

O primeiro passo para se proteger de comportamentos como o de Marcius Melhem no ambiente de trabalho é entender no que consiste o assédio; e como isso é resguardado juridicamente. Segundo o Código Penal, o crime de assédio sexual pode ser definido como “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”. A pena prevista é de dois anos de prisão.

Por sua vez, o projeto de lei que classifica o assédio moral foi aprovado apenas em 2019. Pelo texto, o crime ocorre quando a sua dignidade é frequentemente ofendida em ambiente profissional, gerando dano ou sofrimento físico ou mental. A pena estabelecida também é de dois anos.

Como identificar o assédio no trabalho

Algumas atitudes comuns classificadas como assédio em ambiente profissional são: ameaças, insultos, agressão física e verbal, fazer críticas e brincadeiras de mau gosto em público, sobrecarga de tarefas, impor condições de trabalho inadequadas ou injustificadas e cobrança excessiva.

Além disso, comentários pejorativos em tom de brincadeira, violação física ou qualquer outro tipo de comportamento de cunho sexual que te deixe desconfortável podem ser considerados assédio.

Como reagir

É comum que muitas mulheres se sintam intimidadas em reagir contra o assédio sexual no trabalho, especialmente quando o abuso parte dos seus superiores. Antes de mais nada, saiba que a culpa do assédio nunca é da vítima e, independente da posição hierárquica, os assediadores devem ser punidos.

“Qualquer situação de desconforto deve ser tratada, independente da amplitude. É importante conversar francamente com os(as) superiores sobre qualquer incômodo. Mas como essa é uma conversa difícil, prepare-se: reúna fatos e dados, conecte-se com seus sentimentos e identifique como gostaria de ser tratada”, aconselha Beatriz Nóbrega, psicóloga e palestrante na área de Recursos Humanos.

Para denunciar

Segundo o advogado Bruno Mariosa, é fundamental “registrar os fatos e colher evidências que possam demonstrar ou dar indícios do assédio no trabalho e relatar tais fatos à direção de recursos humanos de empresa”. O profissional explica que, se a situação persistir, o órgão responsável pelo Direito do Trabalho poderá tutelar seus direitos e requisitar uma Rescisão Indireta que extinguirá a relação de emprego.

Assim, a trabalhadora fará jus a todas as verbas indenizatórias e reparação do dano moral sofrido. Além disso, o assediador poderá ser demitido por justa causa quando comprovada a situação. Apesar da revolta, sabemos que essa é uma decisão muito difícil de ser tomada. Se esse não for o seu caso, procure apoiar as colegas que estão passando pela situação. Lembre-se: mexeu com uma, mexeu com todas!

Consultoria: Beatriz Nóbrega, psicóloga e palestrante na área de Recursos Humanos; Bruno Mariosa, advogado| Texto: Redação Alto Astral e Milena Garcia | Edição: Mariana Oliveira e Renata Rocha

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