Angústia: um sentimento delicado e difícil de se compreender

Sofrer de angústia pode até ser legal em páginas de livros e declamações de versos, mas na vida real não chega nem perto de ser belo

Por Bruno Ribeiro - 14/11/2017
foto em preto e branco de uma mulher colocando a mão em frente a câmera, tampando seu rosto, como se não quisesse mostrar que está sofrendo de angústia

(Foto: Pixabay)

Em poesias, músicas e outras manifestações culturais, falar de sentimentos ruins pode até soar bonito. Algumas delas falam da “dor no peito”, algo que se carrega dentro de si, uma sensação de sufocamento… Tudo isso é a angústia. Mas, por mais tocantes que sejam alguns versos, na realidade, viver com angústia passa longe de ser um poema. A inquietação promovida leva a uma opressão interna descontrolada, seguida de um aumento da introspecção, sofrimento, desencadeando problemas emocionais ou existenciais.

Tudo isso não parece nada bonito, não é mesmo? Ainda mais porque nem mesmo é possível saber o motivo real de se estar angustiado. “Na verdade, a angústia é indefinida porque ela não tem um alvo certo. As pessoas falam ‘estou triste porque aconteceu tal coisa’, a angústia não. Ela não tem nada definido, só existe aquele incômodo, aquele nó na garganta, aquela pressão no peito, e uma sensação de que alguma coisa vai acontecer, mas não tem nada muito claro”, elucida Cláudia Melo, psicóloga.

Indícios

Apesar de não se saber ao certo o motivo, a angústia apresenta indícios no comportamento de quem sofre com ela. O primeiro desses indicativos é a dificuldade de decisão, como conta Cláudia: “Uma pessoa que está sempre se sentindo oprimida, sente-se diferente das outras, não consegue compartilhar momentos e sentimentos, nem se colocar no lugar do outro porque a angústia toma conta total de suas ações.”

Outro comportamento que é sinal de angústia se mostra mais fácil de ser notado: o isolamento social. “A pessoa que sofre de angústia normalmente se mostra mais inquieta, como se não conseguisse controlar aquela sensação de opressão que está sentindo. Tende a se isolar, se irritar mais facilmente, ficar mais ansiosa, insegura e com pensamentos negativos”, explica a psicóloga Carolina Veras.

Se a externação do problema mostra um pouco das dificuldades do angustiado, imagina então o que acontece dentro da pessoa. Questionamentos sobre a vida, culpas e frustrações vêm à tona, gerando um sentimento de desamparo. O indivíduo fica em profunda tristeza, sem saber como sair do lugar. Entre as variações que podem existir desse sentimento, o psicólogo Roberto Debski apresenta duas importantes: “Caso ocorra por questões existenciais mal resolvidas, podem levar a outros quadros como a depressão, e se ocorrer devido a questionamentos sobre a vida e mudanças, podem ser o impulso que faltava para atitudes que farão a diferença”

Além dos indícios, o indivíduo pode desenvolver doenças que estavam silenciosas caso tenha certa predisposição. Problemas como desinteresse sexual, fadiga crônica, transtornos alimentares, insônia ou excesso de sono também podem aparecer. “O sofrimento mental e emocional leva a doenças físicas de toda sorte, incluindo problemas cardíacos e pulmonares e até câncer. A mente e o corpo estão ligados. Quando um fica ruim, o outro fica ruim”, aponta o mestre espiritual Giridhari Das. Em outros casos, a angústia faz parte de um transtorno maior, como depressão, transtorno do pânico ou esquizofrenia. Carolina Veras aponta que a descoberta do sentimento de angústia, muitas vezes, vem quando ele começa a afetar o dia a dia da pessoa, impedindo esta de trabalhar, sair de casa, ter relacionamentos. É aí também que ela precisa buscar uma ajuda profissional.

Texto: Fabio Toledo / Colaborador |Consultorias: Cláudia Melo, psicóloga; Roberto Debski, psicólogo; Carolina Veras, psicóloga; Giridhari Das, mestre espiritual e autor do livro O Caminho 3T – Autoaperfeiçoamento e Autorrealização em Yoga; Sônia A. F. Santos, analista junguiana, terapeuta integral e transpessoal, instrutora e terapeuta em mindfulness e terapeuta da compaixão.

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