Libido: entenda como o envelhecimento afeta o apetite sexual da mulher

Ginecologista explica que dentre as causas estão fatores biológicos, psicológicos e também socioculturais

Saiba mais sobre o envelhecimento da libido
Saiba mais sobre o envelhecimento da libido - Shutterstock

por Beatryz Gaia
Publicado em 22/08/2021 às 22:00
Atualizado às 22:00

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Embora assuntos ligados a sexualidade sejam pouco discutidos, ainda é de extrema importância trazê-los à tona, principalmente quando dizem respeito à saúde íntima da mulher. Um desses exemplos pouco abordados é o envelhecimento do desejo sexual feminino, que com o passar dos anos pode ser afetado, e até mesmo prejudicado.

Sim, o envelhecimento do organismo pode afetar o apetite sexual, e essa problemática pode ser por uma série de causas, como fatores biológicos, psicológicos e também socioculturais. O passar dos anos, a consequente queda dos hormônios sexuais e relacionamentos longos com scripts sexuais monótonos, pode influenciar a queda da libido.

Mas para entender um pouco mais sobre esse envelhecimento do apetite sexual feminino, primeiro é necessário entender o porquê da libido ser tão necessária ao longo da vida.

A importância da libido

Segundo Aline Ambrosio, ginecologista, obstetra e terapeuta sexual, a libido é uma energia de vida, que nos move para nos conectarmos com alguém ou com nós mesmos, e pode ter alguns objetivos ao nos impulsionar para contato sexual: procriação, prazer, estreitar laços de intimidade ou ate para expressão do masculino ou feminino.

De acordo com Ambrosio, se a maior motivação para sexo é reproduzir-se, problemas de fertilidade ou o envelhecimento podem reduzir o desejo sexual. "Alterações biológicas, como disfunção da tireoide, queda de hormônios masculinos e femininos, ou tratamentos para doenças crônicas que provocam queda da energia física, também alteram a resposta sexual adequada", explica.

Altos e baixos do apetite sexual ao longo dos anos

Na adolescência, por exemplo, o funcionamento do cérebro tem suas particularidades. "A liberação de dopamina apresenta picos mais proeminentes em situações de prazer, além de a atividade sexual ser uma novidade para o cérebro nesta faixa etária", explica Ambrosio.

O cérebro também tem maior intensidade emocional a partir do crescente desenvolvimento do eixo hormonal dessa fase, deixando o adolescente mais intenso nas reações emocionais e sexuais, e também mais explosivos.

Agora, aos 30 e 40 anos, se houver conhecimento do funcionamento sexual, a libido pode ficar mais potente. "Se tiverem situações que reduzam a autoestima, relacionamentos abusivos, ou com vínculo fraco, a libido pode cair", clarifica.

Já na gravidez, a libido é mais influenciada por questões emocionais e tabus. De acordo com Ambrosio, o medo de machucar o bebê no último trimestre, de abortar no início da gravidez e não encontrar posição adequada para estimular adequadamente o clitóris, podem ser causas da queda do desejo sexual. "Geralmente, o segundo trimestre é a fase em que a libido se encontra em alta para a maioria das gestantes", esclarece.

Logo após, quando mais maduras e também com a proximidade da menopausa, ainda há mulheres que sentem que não precisam mais ter relações sexuais porque “estão velhas” ou porque não podem engravidar. Porém, é importante relembrar que o sexo não serve somente para ter filhos, mas também para obter prazer e intimidade com a parceria ou consigo mesmo.

Além dos tabus em cima dessa fase da mulher, ocorre mudanças corporais intensas na menopausa, como a queda do metabolismo, e isto pode mexer com a autoestima. 

No entanto, um dos pontos mais relevantes para engajamento numa atividade sexual, segundo a ginecologista e terapeuta sexual, é trabalhar a autoestima, importante para estimular a resposta em relação ao sexo, pois a expressão da sexualidade ocorre naturalmente quando estamos bem com nosso corpo e nosso propósito de vida.

Fonte: Aline Ambrosio, ginecologista, obstetra e terapeuta sexual, é graduada pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em Sexualidade Humana pela USP (Universidade de São Paulo).

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