7 de setembro: o contexto histórico que levou o Brasil à independência

Em 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, D. Pedro I declarou que a colônia que governava era agora um país oficialmente separado de Portugal

Ilustração de Dom João VI

No dia 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, D. Pedro I declarou que a colônia que governava era agora um país oficialmente separado de Portugal. Assim, com um processo pacífico, ocorrido basicamente através de uma negociação com seu pai – o rei D. João VI -, o Brasil estava independente.

Contexto histórico

Entretanto, as raízes deste processo já haviam sido plantadas muitos anos antes do fatídico 7 de setembro. Revoltas no território durante o século 18 e começo do 19, como Inconfidência Mineira, Conjuração Baiana e Revolta Pernambucana previam o desejo de distanciamento e independência da metrópole. Tais movimentos, aliados aos ideais da Revolução Francesa, aumentavam a pressão contra o absolutismo monárquico e o colonialismo do período.

Outro fator fundamental foi a vinda da família real portuguesa para o Brasil.  Fugindo da invasão francesa comandada por Napoleão Bonaparte, a rainha Carlota Joaquina e o então príncipe regente Dom João VI decidiram simplesmente transferir toda a corte de Portugal para a terra tupiniquim, numa fuga escoltada pela Marinha Britânica.

Durante o período, o Brasil teve seus portos abertos aos países amigos de Portugal – sendo a Inglaterra a nação que mais estreitara vínculos – diminuindo bastante o comércio lusitano. “Os acordos comerciais com a Inglaterra em 1810 e a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves, em 1815, foram circunstanciais para a Coroa Portuguesa no Brasil, pois estabeleceram uma aproximação com a Inglaterra e garantiram uma relativa paz à corte”, afirma Marcos Girotto, coordenador e professor de História da Rede Educacional Alub.

Contudo, no Velho Continente havia um país completamente abandonado e sem rei – o que resultou na chamada Revolução do Porto, cuja pressão popular obrigava Dom João VI a retornar ao país. Isso de fato aconteceumas ele deixou no Brasil seu filho mais velho, Pedro I, na condição de príncipe regente, para conduzir uma eventual separação política. Caso Dom Pedro fosse embora, o Brasil voltaria à condição de colônia de Portugal.

Momento decisivo

O príncipe regente recebeu uma carta de Lisboa exigindo seu retorno ao país. Os portugueses pretendiam recolonizar o Brasil e a presença dele os impossibilitava. Já os brasileiros, que sonhavam com a independência, organizaram-se para pedir que Dom Pedro I não deixasse o país. Foi assim que o líder, respondendo negativamente aos chamados de Portugal, tornou famosa a frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”.

Dom Pedro tinha interesses, não somente com o povo, mas também com a aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência e da não alteração na realidade socioeconômica colonial. No entanto, o Dia do Fico, como passou a ser lembrado o fato de 9 de janeiro de 1822, foi mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal.

No dia 7 de setembro, enquanto retornava de uma viagem até Santos, dois mensageiros reais trouxeram-lhe mensagens urgentes de José Bonifácio e da Princesa Leopoldina: ou Dom Pedro declarava o Brasil independente, ou seria refém das cortes de Portugal.

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