5 mitos sobre transtornos mentais esclarecidos por profissionais. Confira!

É normal que os transtornos mentais causem muitas dúvidas na população. Selecionamos alguns fatos para esclarecer sobre o tema. Confira!

Por Barbara Gatti - 15/09/2016
mão segurando um cérebro

Foto iStock.com/Getty Images

Principalmente por questões ligadas à prevenção e à cura ainda não serem totalmente definidas, é normal que os transtornos mentais causem muitas dúvidas na população. Selecionamos alguns fatos para esclarecer sobre o tema. Confira!

mão segurando um cérebro

Foto iStock.com/Getty Images

1. Todo psicopata é assassino ou pode matar.

Depende. Apesar de muitos filmes, livros e novelas retratarem os psicopatas como pessoas assassinas, não é bem assim na vida real, já que não necessariamente são destrutivos ou ameaçadores. A psicanalista Júlia Bárány destaca que, assim como há diferenças em uma pessoa normal, esses indivíduos também manifestam mais ou menos controle de suas ações. “Todo psicopata é capaz de matar, pois ele não tem nenhum impedimento moral ou afetivo para tal. A grande maioria não chega a matar fisicamente, no entanto, extermina sonhos, carreiras, relações, famílias, finanças e corações. Um psicopata sempre deixa um rastro de destruição por onde passa”, afirma a especialista.

2. Os psicopatas são pessoas superinteligentes.

Mito. O que acontece é que, ao deixar suas emoções de lado, agindo de forma mais racional e calculistas, eles se mantêm no controle da situação, focando nas ações para alcançarem seus objetivos. No entanto, alguns estudos apontam que esses indivíduos têm déficit de atenção e sentem tanto medo quanto qualquer outra pessoa, mas a falta de atenção o faz ignorar o que é assustador, focando somente no que ele deseja. “Enquanto vai crescendo, o psicopata aprende estratégias de manipulação cada vez mais eficientes e camufladas. Muitos escolhem profissões que lhes fornecem oportunidades para ter mais ferramentas de manipulação, como médicos, empresários, psicólogos, advogados, juízes e políticos”, ressalta Bárány.

3. A esquizofrenia é um tipo de loucura.

Mito. A definição de loucura é algo muito vago, usado de forma popular e nada científico. Por isso, não é correto usar o termo para definir a esquizofrenia, como explica Muller: “não existe na classificação internacional das doenças médicas, o diagnóstico de louco. Na ciência, a esquizofrenia é uma doença biológica de origem multifatorial, que leva a alterações cerebrais e resulta em uma incapacidade de associar os pensamentos e as emoções. Desta dissociação ocorre a psicose, que é caracterizada pela perda do contato com a realidade, presença de delírios e alucinações”.

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4. O transtorno de ansiedade não passa de frescura.

Mito. O transtorno de ansiedade generalizada é uma doença causada por múltiplos fatores em que há alterações funcionais em estruturas cerebrais, portanto, trata-se de algo sério e não somente algo “inventado” pelo paciente. Uma prova disso é que alguns sintomas surgem de forma intensa, como taquicardia, medo e sudorese.

5. Esquizofrenia é o mesmo que dupla personalidade.

Mito. “O paciente esquizofrênico não tem duas personalidades, e sim uma fragmentação do pensamento e uma inadequação do discurso”, destaca Muller. De acordo com Bárány, embora o esquizofrênico apresente uma confusão de identificação devido à personalidade fragmentada, não há uma identificação com outra personalidade como ocorre com pacientes de dupla personalidade. “Dupla personalidade, ou tripla, ou várias, é uma doença mental em que o paciente assume personalidades conforme sua necessidade e cada uma delas não tem consciência da existência das outras”, define a psicanalista.

 

Texto Natália Negretti | Consultoria Júlia Bárány, psicanalista; Vanessa Muller, neurologista e diretora médica da VTM Neurodiagnóstico, no Rio de Janeiro (RJ)