Sérgio Guizé conta como tem sido contracenar com um gavião

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Nascido em Santo André – SP e apesar da forte tendência da região para a carreira metalúrgica, Sérgio Guizé sempre adorou a arte. Formou-se pela Escola Livre de Teatro e pela Fundação das Artes de São Caetano e ingressou no teatro em 1988. Estreou na televisão bem depois, em 2004, em Da Cor do Pecado. Sérgio voltou para as telinhas ontem (24), com a estreia do remake de Saramandaia. Confira a entrevista completa com Sérgio Guizé!

Sérgio Guinzé conta como tem sido contracenar com um gavião

Foto: Roberto Filho / AgNews

Guia Astral – Está preparado para o assédio que Saramandaia pode trazer?

Sérgio Guizé – Já, por todos os outros trabalhos anteriores, mas prefiro que meus trabalhos respondam. Sou um pouco tímido.

 

GA – Fale de seu personagem.

SG – Faço o João Gibão, um homem alado. Ele teve um sonho de que a cidade teria que mudar o nome de Bole-Bole para Saramandaia, pois dessa forma haveria uma mudança radical.  Ele tem visões premonitórias, consegue mover as coisas com a força do pensamento e é um cara cheio de virtudes. As asas que ele esconde por medo da sociedade e da própria mulher que ele ama não o aceitarem trazem muito sofrimento. O povo o chama de aberração, de aleijado. É um personagem do bem, principalmente nos dias de hoje aqui no Brasil, que a gente está vivendo essa coisa do preconceito, de não aceitar o outro. Acho que ele traz isso. As asas que ele esconde representam a liberdade.

 

GA – Ele luta para mudar o nome da cidade?

SG – Ele meio que encabeça o movimento dos mudancistas. É uma mudança para um novo tempo, para a liberdade e liberdade de expressão. Ele prega bastante essas coisas. É um núcleo da virtude. O irmão dele, que é o Lua (Fernando Belo), é o prefeito da cidade e um cara cheio de virtudes.

 

GA – Você acredita em premonição?

SG – Nunca tinha pensado nisso, não.

 

GA – Já teve algum sonho que foi um aviso?

SG – Déjà vu(Já visto), já, já tive muito, muito.

 

GA – E depois aconteceu?

SG – É, mas geralmente eu não tinha noção se aconteceu ou não. Só pensava que já tinha passado por isso.

 

GA – Você viu vídeos do Juca de Oliveira, que era o intérprete do seu personagem na versão original?

SG – Vi tudo o que era possível sobre Saramandaia e  sobre realismo fantástico também. Li os autores Gabriel García Marques, Mário Vargas Llosa, consegui conversar com o Juca. Eu pensava que ele não se lembrava de mim, mas ele tinha visto uma peça que fiz em SP, A Senhora de Dubuque e foi uma emoção muito grande. Sou muito fã dele.

 

GA – Seu personagem é muito complexado. Na adolescência ou em algum momento da sua vida você teve algum complexo?

SG – Eu me considerava uma pessoa estranha por gostar de arte. Fui para a Faculdade de Artes Plásticas, em Santo André. Quem mora no ABC geralmente é induzido a virar metalúrgico e eu era artista. Sou músico também. Conheci o teatro através das Artes Plásticas. Enfim, eu me achava estranho por isso.

 

GA – Você tem uma banda…

SG – Eu tenho uma banda há 12 anos, o Tio Che, que é do ABC também. Toco guitarra e canto.

 

GA – Já gravou algum CD?

SG – Agora em julho vamos lançar um single e inclusive a edição do clipe é do André Abujanra, que também está no elenco.

 

GA – Você está com que idade?

SG – 33 anos.

 

GA – Você tem origem de família de metalúrgicos?

SG – Quem mora em Santo André é assim. Geralmente somos filhos de metalúrgicos, com muito orgulho. Meu pai é motorista de ônibus, meus tios todos metalúrgicos. E eu gostava de arte, de pintar, de tocar. Toco desde os cinco anos e ainda pinto.

 

GA – Já fez alguma exposição?

SG – Eu trabalhava em um grupo em SP, o Lado B, e a gente fazia intervenções pela cidade, pelo ABC. Agora estou pintando em cima do livro O Túnel, de Ernesto Sabato. Estou indo devagar, sem compromisso nenhum.

 

GA – Que outros trabalhos você fez na TV?

SG – Fiz Sessão Terapia(GNT), Tapas e Beijos, onde fazia a Lorraine, um travesti, e fiz Da Cor do Pecado, há 10 anos.

 

GA – Você está namorando alguém?

SG – Namoro, estou muito feliz, apaixonado por ela e é isso aí.

 

GA – O convite para Saramandaia surgiu a partir do Sessão Terapia?

SG – Não sei. A Denise Saraceni me chamou um dia depois do segundo episódio. Ela me ligou falando que ela e o Ricardo Linhares gostaram muito do que viram, que eram fãs do trabalho  e me convidou. Deve ser por isso, não sei. Eu também gostei muito de ter feito esse trabalho. O Selton(Mello) é um gênio. Foi um trabalho muito forte pra mim também e me transformou bastante. Eu sei que é piegas falar isso, mas foi.

 

GA – Tem mais algum trabalho em vista?

SG – Tem. Muita coisa. Não sei se vou conseguir fazer. Estou dedicado à Saramandaia. Estava fazendo três peças até 30 de junho em SP, mas deixei tudo.

 

GA – Falando em asas, já voou de asa delta?

SG – Nunca voei nem vou voar. Não tenho coragem. Só se eu ganhar asas mesmo. Mas seu eu fosse o João Gibão, eu teria muito orgulho em ter essas asas.

 

GA – Você grava com um gavião. Não dá medo?

SG – Todo mundo tem muito medo, mas eu acho um bicho incrível, muito inteligente. É adestrado. Estou me dando super bem com ele. Mas confiar num gavião, eu confio. No Gaviões da Fiel.

 

GA – Você gravou nos Lençóis Maranhenses. Como foi lá?

SG – Foi difícil, mas maravilhoso! Foi meu primeiro contato com a Chandelle, minha parceira. Tudo o que estou conseguindo do personagem devo a ela, porque é uma troca. Ela é excelente atriz. Mas lá estava muito calor e a gente levava horas para chegar ao lugar, porque pegava um quadriciclo para chegar  mais no meio das dunas. E aquela areia branca refletia o calor. Era difícil, mas foi muito bom.

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