Luciano Huck fala sobre sonhos e dá dicas de filme e livro

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Luciano Huck fala sobre sonhos e dá dicas de filme e livro 

Guia da TV: Como você se imagina daqui a 10 anos?

Luciano: “10 anos mais velho (risos).”

Guia da TV: Além de 10 anos mais velho?

Luciano: “Se os 10 próximos anos forem tão divertidos e intensos quanto os 10 últimos anos da minha vida, eu acho que eu vou estar tão contente quanto. Eu não consigo planejar a longo prazo. É difícil… Eu espero estar feliz daqui a 10 anos.”

Guia da TV: Qual sonho ainda não realizou profissionalmente?

Luciano: “Eu nunca planejei muito as coisas. Se falassem: ‘o quê você quer ser quando crescer? Eu dizia: sei lá, deixa acontecer…’ As coisas vão rolando. Nunca imaginei que eu ia casar com a Angélica, por exemplo. Talvez lá na adolescência, no banheiro, mas não na vida real.”

Guia da TV: Dica de filme.

Luciano: “Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino.”

Guia da TV: Dica de livro.

Luciano: “O último que eu li foi O Símbolo Perdido, de Dan Brown.”

Guia da TV: O que vamos ter de diferente nessa edição do Soletrando?

Luciano: “A gente tá um pouco mais dinâmico esse ano. É o quarto ano, então a gente tem uma certa experiência agora, não só da parte das seletivas estaduais, como do palco propriamente dito. A gente tem uma parceria muito sólida com as afiliadas. A gente pode dizer que foram mais de duas mil escolas inscritas esse ano. Então você tem um universo de quase 500 mil alunos, que participaram direta ou indiretamente do processo seletivo. É muito próximo de duas mil escolas, 2093 se não me engano. Mas o número, em geral, é esse. Os alunos que vencem nas escolas têm que por conta própria ir pra final regional, vamos dizer assim, que a gente faz nas 27 capitais. Aí sim é um evento nosso, que a gente vai às afiliadas, a gente manda material de cenografia, manda as palavras, o “backstage” do Soletrando é tão interessante quanto o que vai ao ar. É uma produção de quase dez meses pra conseguir chegar aos 27 alunos. E de palco o que a gente vai mudar efetivamente esse ano é… Primeiro quero dar boas vindas à Thalita, que a gente acha que tem tudo a ver. Os livros dela são mais de 500 mil vendidos e é muito do “target” que a gente fala no Soletrando. A gente achou que tinha tudo a ver. O professor Sérgio continua firme e forte, meu fiel escudeiro. Toda vez que eu falo bobagem ele continua me corrigindo (risos). E a gente mudou a estrutura do programa um pouco. A estrutura do Soletrando, a gente tinha… Eram 9 semifinais… Na verdade, eram 27 alunos. A gente fazia 9 eliminatórias no palco e, por sorteio, três estados disputavam cada uma dessas eliminatórias. E no final dessas 9 eliminatórias você tinha três. Ou seja, você tinha 9 alunos para disputar as três semifinais. Nas semifinais, o que acontecia? Você tinha já uma relação muito forte do telespectador, que já conhecia mais profundamente aqueles 9 meninos e meninas e começava a torcer mais fortemente por algum. Então, a gente resolveu… Eu acho que a gente tem um… A gente adora fazer bons VTs no Caldeirão. A maioria dos nossos quadros – o Lata Velha, o Lar, Doce Lar, o Olha a Minha Banda tem VTS -, a gente é louco num VT. A gente gosta muito de contar histórias nos VTs. Então a primeira fase eliminatória do Soletrando agora, que é quando a gente sai de 27 alunos pra chegar aos 9 semifinalistas, vai ser um grande VT. A gente tá gravando ele hoje. E os 27 alunos… A gente montou dois cenários lá em cima, que vocês vão ver, completamente separados, então os alunos ficam os 27 com as bandeiras dos seus estados numa arquibancada e eles vão, um a um, todos soletrar a mesma palavra em cada rodada. Então pra deixar ainda mais justa essa primeira seletiva – vamos dizer assim – pra chegar aos 9 semifinalistas, todos vão soletrar a mesma palavra. E, nesse processo, quem for errando vai saindo, não tem mais chance, é a morte súbita, vamos dizer assim, até a gente chegar a 9 alunos. Vamos supor que a gente esteja em 14 alunos e 7 errem a palavra naquela rodada. Os sete que acertaram já são os 7 semifinalistas e as outras duas vagas serão disputadas pelos 7 que erraram. Eles voltam pra disputar essas duas vagas. Então hoje a gente sai daqui com os 9 semifinalistas”.

Guia da Tevê: Qual foi a edição mais marcante para você e por quê?

Luciano: “Olha, eu vou ser sincero: eu adoro quando chega essa época do ano e eu encontro vocês da imprensa. Porque é uma época do ano que eu adoro gravar. Porque cada ano tem um sabor diferente. Todos os vencedores – três até agora – são completamente diferentes de jeito, classe social, estado. Então todo ano é uma surpresa. Como a gente tá variando os times – cada ano é um diferente -, cada ano é uma surpresa diferente.
  
Guia da Tevê: Por conta de todas essas mudanças no Soletrando, você vai aproveitar para mostrar para o público a história de cada aluno desse, de onde ele vem, quais são suas expectativas?

Luciano: “Essa era uma dificuldade que eu tinha nas outras edições. No palco, como você tinha os 27 ali no primeiro momento, era muito difícil ter uma conversa olho no olho com cada um deles e tentar tirar alguma coisa pra começar a construir a história deles. Eu acho que como eles vão estar perto nesse primeiro “round” – vamos dizer assim -, eu vou ser o cara que vou entregá-los ao estúdio e recebê-los de volta, eu posso conversar com eles na entrada e na saída. E como a gente vai estar gravando muito, a gente vai construir essas histórias no VT, que eu acho que pode ficar mais rico com a individualidade de cada um desses 27 meninos e meninas. E também tem tricampeões estaduais. A Auricélia, por exemplo, é do Amapá. Ela ganhou o estadual três anos seguidos. O da Bahia também tá voltando. Mas ele é bicampeão”.
 
Guia da Tevê: E quais são os outros estados que tem esse tricampeão?

Luciano: “A gente tem uma tricampeã no Amapá, que é a Auricélia. Uma bicampeã na Bahia, um bicampeão no Acre, um bicampeão no Amazonas. São 5 bicampeões. Tem uma japonesinha que é do Amazonas. Essa japonesinha, no ano passado, eu fiquei louco nela. Porque o pai e a mãe dela não falam português. É muito bom! (risos) O pai veio pra trabalhar na Zona Franca de Manaus numa fábrica de tecnologia. E eles não falam português. E ela é louca na língua portuguesa. Ela tá no segundo ano consecutivo”.

Guia da Tevê: O quê que o Soletrando mudou na sua relação com o português? Você ficou mais cuidadoso ao escrever e falar depois que passou a apresentar o quadro?

Luciano: “Muito. Qualquer coisa eu pergunto pro professor Sérgio Nogueira (risos). Eu acho que, quatro anos depois, eu tô muito feliz com o Soletrando. Eu acho que todos somos muito orgulhosos do quadro no Caldeirão. Eu acho que a gente levantou uma bandeira interessante na molecada, que passou a aprender e a se preocupar com a língua portuguesa. Eu aprendi um monte de coisa. E esqueci algumas também”. (risos)

Guia da Tevê: Nessa edição vai ser uma prioridade a reforma ortográfica?

Luciano: “O troféu dessa edição chama Raquel de Queiroz, em homenagem ao centenário da Raquel de Queiroz. E a reforma ortográfica continua valendo. A diferença das outras edições é que não é só na primeira palavra. Teremos palavras reformadas em qualquer momento do jogo”. 
 
Guia da Tevê: Você acompanha a história dos ganhadores das outras edições?

Luciano:”A gente acompanha pel
a internet depois. Alguns mais e outros menos”. 
 
Guia da Tevê: Por quê a escolha da Thalita Rebouças como jurada do quadro?

Luciano: “A gente teve três colaboradores até hoje no Soletrando: o primeiro ano, foi o Tony Bellotto; no segundo ano, o Gabriel, O Pensador; ano passado, a Sandy, e agora a Thalita. Eu acho que esses nossos convidados dão um lado pop pro programa, mostram que pode ser divertido lidar com a língua portuguesa. Você pode ser um professor, que é o caso do Sérgio, que é a nossa base de dados, de responsabilidade, de seriedade do quadro. E pode ser como os convidados. Eu acho que os convidados mostram que você pode trabalhar com a língua portuguesa de várias maneiras diferentes. Você pode ser um roteirista e músico como o Tony, você pode ser um autor e cantor como o Gabriel, você pode fazer faculdade de Letras e ser uma cantora, uma intérprete como a Sandy, você pode escrever livros… Ou seja: você pode se divertir com a língua portuguesa”.

Texto e edição: Julia Dantas
Entrevista: Carla Pereira/Colaboradora
Foto: Alex Carvalho/Rede Globo

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