Galã tipo importação: entrevista com Ricardo Pereira

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O português Ricardo Pereira é como um bom vinho, fica cada vez melhor com o passar dos anos. Disputado por duas musas na novela Aquele Beijo, ele confessa que já teve muitos amores. Hoje, é pai de primeira viagem. Aos 32 anos de idade, está melhor do que nunca. Lunna conversou com o galã para descobrir o que é que esse português tanto tem. Confira.

 

Quando esta entrevista for publicada, você já será pai. Ficou grávido junto com a Francisca? Teve enjoos e desejos também?

Não, mas procurei estar presente em todos os exames, consultas, em todas as coisas que um pai de primeira viagem tem de aprender. Aos poucos, comecei a perceber muitas coisas das quais não tinha noção. E olha que eu vivia sozinho há muito tempo. Sou um cara que fui, de certa forma, obrigado pelo mundo a ser adulto, bem mais cedo do que o normal…

Ricardo Pereira

Isso porque você saiu de casa aos 14 anos para trabalhar como modelo, não?

Sim. Saí de casa cedo para trabalhar e conhecer o mundo. Sei fazer um pouco de tudo, tive de me virar, aprender. Cozinho bem, gosto de arrumar a casa e também sei viver em comunidade. Trabalhando como modelo, morava com muitos outros em um mesmo apartamento, então, cada um precisava fazer a sua tarefa. Já convivi com muita gente que trabalha com moda, e fiquei em várias cidades.

 

Você morou em Madri, Barcelona, Milão, Munique, Frankfurt, Paris…

Isso mesmo. Morei em várias cidades da Europa, e também em Nova Iorque. Passava vários períodos e conhecia pessoas incríveis. Em um apartamento, às vezes, tinha italiano, suíço, alemão, tcheco, francês… Então, você fica com uma noção de que o mundo é grande demais, e dá ainda mais vontade de conhecer tudo. Isso me levou a ter esse espírito meio nômade, de sempre estar descobrindo um lugar diferente e conquistando de tudo um pouco.

 

O Rio de Janeiro é só mais uma dessas passagens?

Fixei residência aqui. Hoje em dia a minha base é no Rio e daqui saio para todos os lugares do mundo. Mas tenho certeza de que será só mais um lugar onde vou estar, ainda haverá outros mercados, outros países para explorar e para me aventurar, e que espero que deem certo também.

 

O que o Rio de Janeiro tem de tão especial?

A tranquilidade e a beleza natural, e essa paz de uma cidade de veraneio, descolada. Gosto disso. Corro, ando de bicicleta, surfo. E o Rio tem essa coisa de você poder ter uma vida de praia, de convívio, democrática e livre, além de uma vida de trabalho, de estar focado, de concentração. Eu me apaixonei pelo Rio, sou um dos seus grandes fãs e defendo a cidade perante tudo e todos. Foi isso que me fez ficar aqui.

 

Ser estrangeiro atrai mais as mulheres? Na época de solteiro, como era?

Tive muitos casos, vários amores e desamores, vivi muitas paixões. Vim para o Brasil totalmente solteiro, totalmente disponível… Era a primeira vez que um ator estrangeiro fazia um protagonista, isso foi muito marcante, deixou as pessoas muito curiosas sobre mim… Fora do Rio e de São Paulo, quando ia para outras cidades fazer eventos, as pessoas vinham até mim, pulavam e tinham que tirar umas duas mil fotos!

 

Você gosta mesmo de todo esse assédio?

Sou muito disponível. Acho que o ator não vive sem público, então, é muito bom receber o carinho e ver quanto as pessoas admiram o que você faz. Até hoje sou assim, sempre disposto a dar carinho às pessoas que assistem ao meu trabalho.

 

Qual o segredo de tanto sucesso com o público feminino?

Não sei… Sou alegre, bem encarado, genuíno. Quando alguma coisa me irrita, sou o primeiro a dizer. Raramente estou chateado. Também sou apaixonado pela minha profissão. Amo viver e sou viciado em pessoas, gosto de falar, sou extremamente extrovertido. Não sou uma pessoa tímida, de ficar quietinha no meu canto.

 

E por que, depois de seis novelas no Brasil, só agora você mudou o sotaque?

O mais engraçado é que nunca me pediram nada disso. Foi uma decisão minha e do meu empresário, que tem uma visão de que a carreira se constrói aos poucos. Como em tudo na vida, dei um passo devagar e consciente.

 

Você assistia novelas da Globo quando criança, e gravou todos os capítulos de Roque Santeiro em Portugal. Era um sonho ser ator de novela brasileira?

Não. Eu amava Roque Santeiro, como amava também Pedra sobre pedra. Via novela com o propósito de ver novela. Acho que aprendi a entender o que é uma novela porque assistia e viajava com aqueles personagens. Isso me levava para outro imaginário. Este é o propósito da novela: entreter.

 

Qual é o seu grande sonho?

Sinceramente, quero ter bons desafios, bons papéis. Falta-me fazer muita coisa aqui no Brasil, estou só começando. Tem muito papel, muito personagem que quero fazer em televisão, vários seriados, novelas e cinema. Quero, com certeza, dar continuidade a esses pequenos passos e, quem sabe, um dia olhar para trás e me sentir realizado.

Ricardo Pereira

Piada de português
Ao se mudar para o Brasil em 2004, Ricardo Pereira não fugiu do inevitável: ouvir piadas de português. Será que isso o irrita? “Não, dou muita risada! Até hoje escuto o tempo todo (risos)… Mas, olha, é mentira que português conta piada de brasileiro lá em Portugal, isso é uma lenda! A gente conta piada do alentejano, que é um povo do sul de Portugal. E são iguais às que os brasileiros contam sobre os portugueses”, esclarece, dizendo o que mais gosta no nosso povo: “É a capacidade de conseguir sorrir quando a situação não é tão favorável assim. É uma nobreza incrível, é o ‘vai melhorar’, é uma capacidade de superação única.”

RAIO-X:

Altura e peso: 1,85m e 80kg.
Signo: virgem.
Nacionalidade do coração: “Eu me sinto um cidadão do mundo, mas sou um português já muito brasileiro”.
Idiomas que fala: inglês, francês, espanhol e português.
Cinema: já fez 15 filmes portugueses, dois brasileiros, um holandês e um francês.
TV: são 18 novelas em sua carreira, 12 em Portugal (na RTB, SIC e TVI) e seis no Brasil (cinco na Rede Globo e uma
na Rede Record).
O que sempre faz: spinning.
O que sempre tem: bom humor.
Palavra que mais curte no Brasil: “irado”.
Seus pratos mais elogiados: arroz de pato, bacalhau com natas, bacalhau à Braz
e salsichas enroladas em couve portuguesa.

Sotaque brasilês
Em casa, Ricardo fala português de Portugal com a esposa. Na entrevista com a Lunna, português do Brasil. Nas gravações, também. Isso não causa uma confusão na cabeça? “(Risos) Fico tentado a falar como eles, mas tenho que me policiar toda hora. No dia a dia eu relaxo um pouquinho, mas na novela preciso estar muito focado porque trabalho o texto loucamente com a fonoaudióloga Leila Mendes”, explica, falando sobre as aulas diárias para neutralizar o sotaque. “Estou sempre estudando o brasilês e o guardo na cabeça como se fosse uma outra língua”, revela.

 

texto Janaina Medeiros fotos Marcelo Faustini styling Ana Hora beleza Regiane Celye
assistente de produção Giulia Hora

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