Entrevista com Raul Gil

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Entrevista com Raul Gil  

Repleto de novidades, o Programa Raul Gil será transmitido pelo SBT e o apresentador revela seus projetos: aliar os tradicionais quadros com novas perspectivas.

“Há 50 anos, sempre procurei essa minha presença perante o público. Aí o meu filho falou: pai, vamos dar uma mudada nisso aí, vamos tirar essa gravata, vamos botar uma calça jeans, um blaser.”

Guia da Tevê: Os jurados como Messias e Marli Marley vão junto com você pro programa?

Raul: “Como nós estamos com os Jovens Talentos, nós procuramos jurados mais jovens, mas o Messias e a Marli vão entrar num outro quadro que a gente tá criando, e eles vão participar sim porque os dois fazem parte do Programa Raul Gil. Eles fazem parte há muitos anos já comigo, e eu não posso deixá-los de lado não!”

Guia da Tevê: Os calouros são a marca registrada do seu programa. Por que você só está trabalhando com a faixa etária dos jovens?

Raul: “O Raulzinho criou esse quadro, ele falou vamos fazer um programa só com jovens… O programa estava na Record, levamos pra Band, e vamos trazer pro SBT. Mas nós vamos voltar sim com o pessoal da velha guarda.”

Guia da Tevê: Como foi sua saída da Band?

Raul: “Vou dar um exemplo pra vocês: em novembro, dezembro, nós gravamos 5 horas de programa, e quando chegou em janeiro, eles colocaram o vôlei e tiraram duas horas do programa Raul Gil, então, tudo aquilo que eu gravei não foi pro ar. Então, eu percebi que eles estavam se dedicando mais ao esporte.  Mas a família Saad é espetacular, eu sai diante de um acordo. O SBT é um programa de muitos shows, muitos programas de auditório, e a gente se sente melhor porque você compreende todo mundo: a Hebe Camargo, o Portiolli, o Ratinho, o Silvio Santos… Então, você vê que o espaço pra show é bem melhor!”

Guia da Tevê: O SBT costuma fazer algumas adaptações na sua grade de programação e mudar frequentemente o dia e o horário de seus programas? Você não tem medo de perder o sábado? No seu contrato foi colocada alguma clausula pra evitar essas mudanças?

Raul: “Na verdade eu não botei clausula nenhuma… O Silvio tem programa de auditório também, além de ser o dono da emissora, e ele sabe das coisas, e sempre dá certo com ele. O que eu gosto do Silvio é isso: não deu certo esse horário, vamos botar naquele. A gente tem que ir tentando, né? Esse goleiro aqui está frangueando? Vamos botar outro goleiro. Tem que mudar as coisas. No sábado, tá inicialmente previsto que vamos iniciar o programa às 14h15 e vai até às 19 horas. Se o Silvio mudar daqui algum tempo, nós temos que acatar porque além de ele ser o dono da emissora, ele sempre deu certo! Tudo o que ele faz, dá certo!”

Guia da Tevê: Seu contrato é de um ano e prevê uma espécie de divisão de lucros e prejuízos, né? Como ele funciona?

Raul: “O contrato é como é feito com vários apresentadores… A verdade é uma só: não adianta eu querer ganhar três milhões e a emissora querer faturar dois, senão vai dar prejuízo. Empresa nenhuma vai contratar um cidadão que dê prejuízo. Essa é uma experiência que eu estou fazendo, e que eu tenho certeza que vai dar certo. Se der lucro nós ganhamos, e se der prejuízo, nós vamos  arcar com ele. É a mesma coisa que você abrir uma empresa, um restaurante… Você não sabe se vai gostar ou não, e o que vai acontecer. Isso permite que você trabalhe mais à vontade, e sabe que a empresa vai se dedicar à você.  É um jogo, vamos lá! Eu acho que daqui a pouco isso vai acontecer com todas as emissoras!”

Guia da Tevê: Seu programa vai continuar sendo gravado ou há possibilidade ser ao vivo?

Raul: “Eu vou gravar! É difícil hoje fazer um programa ao vivo.”

Guia da Tevê: Tem muita gente que depois que faz sucesso não vai mais no seu programa. Você guarda mágoa dessas pessoas?

Raul: “Olha, seu eu disse que não, você vai dizer: você é Jesus? Então, a gente guarda sim, guarda um pouco de mágoa. Você vê por exemplo o Edson e Hudson: eles ficaram morando na minha casa um tempão e o Raulzinho fez tudo pra eles. Todo sucesso de Edson e Hudson se deve ao Raul e não adianta falar que não. Outro domingo, eu estava sapeando a tevê um pouco e vi o Edson no programa da Ana Hickmann. E ele fez um lista das pessoas mais importantes da vida dele: botou Pelé, Zezi Di Camargo, e se esqueceu da gente. Você pensa que o cara ficou morando na minha casa, ajudamos durante tanto tempo, o Raul comprou um carro pra cada um, e agora o cara faz isso? Tanto é que o Raul não conversa com o Edson. Eu estou falando isso abertamente, pois eu quero falar isso com ele pessoalmente quando encontrá-lo.”

Guia da Tevê: Você guarda alguma mágoa do Ricky Vallen?

Raul: “Nenhuma. Ele é um tremendo de um cantor, um senhor intérprete… Ele quis ir pra Globo, vai! É igual a Maísa: os pais chegaram no Raul e disseram: a Maísa tá ganhando dois mil reais aqui no seu programa por mês, e o Silvio ofereceu 15 mil. O Raulzinho disse: vai com Deus! Não tem mágoa, eles foram cuidar da vida deles.. A Maísa morava em São José dos Campos, e hoje ela mora em Alphaville.”

Guia da Tevê: Além dos quadros já tradicionais do seu programa, haverá novidades?

Raul: “Temos outros quadros em mente e quando terminar os Jovens Talentos vamos ver o que fazer… Não posso adiantar nada pra vocês, mas temos quadros muito bons em mente. E o Silvio (Santos) também vai nos ajudar com os novos quadros, porque eu gosto do palpite dele, ele sabe das coisas!”

Guia da Tevê: Como é a sua participação na produção do programa?

Raul: “Eu largo mais pro Raulzinho que é ele quem coordena a produção, mas às vezes, eu falo: é melhor fazer isso do que aquilo. A gente até discute como pai e filho. O filho sempre acha que o pai tá meio quadrado, e eu vou na dele, e até hoje tem dado certo. Mas eu crio os quadros às vezes e passo pra ele que diz: esse eu gostei, esse eu não gostei. Então, eu tenho a facilidade de criar muitos quadros, todos os quadros do meu programa: a maioria foi eu que criei, junto com ele.. Ele dá uma lapidada!”

Guia da Tevê: O microfone dourado vem com você pro SBT?

Raul: “Claro, aquele eu não posso largar, foi o Raulzinho quem me deu!” (o presente na verdade foi da gravadora Warner Music, que mandou um microfone de ouro pelo reconhecimento do sucesso do programa na época na Record).

Sobre a despedida da Record, Raul abre seu coração:

“Em toda emissora onde eu trabalho, quando eu saio, fica um vazio, o pessoal chora, vai me abraçar… Isso aconteceu na Record, onde eu fiquei 5 anos, depois na Band foi outra choradeira… A forma como eles gostam do Raul Gil é incrível, e eu trato todas as pessoas com o maior respeito do mundo, desde porteiro até aquela senhora que limpa o corredor.  Eu trabalhei numa empresa de transporte onde eu lavava banheiro, então, quando o dono da empresa vinha me dar um abraço, eu ganhava o dia. Então, seu sei a importância daquela senhorinha limpando o corredor, os vidros, o banheiro, eu sei o que é isso aí. Então, eu vou direto nelas e dou um abraço, um beijo, porque já passei por isso! O jurado perguntava o que você vai cantar, e eu falava eu vou cantar um bolero, e ele falava: então, eu não vou te acompanhar não, e aí você ficava numa situação… em que era humilhado. E meu filho (referindo-se ao Raulzinho) dá ainda mais carinho e atenção porque está mais presente com os candidatos. Então, eu quero esse respeito!”

Raulzinho, fil
ho de Raul Gil, é produtor e diretor do programa do pai e conta sobre a trajetória e os objetivos na tevê

O tradicional quadro do Banquinho

“O Banquinho depende muito de um movimento musical que tem no Brasil. Se você tem um movimento forte, aí o banquinho fica fácil de fazer e ganha mais audiência, como na época que tinha sertanejo, pagode, e axé music. Os três gêneros faziam sucesso e tinham muitos grupos fazendo sucesso com suas músicas, então, o quadro ficava forte. E quando não há esse movimento, o quadro fica fraco.”

Caça talentos

“Todos nasceram no programa Raul Gil, e quem ainda tem um reconhecimento muito grande por nós é o Titãs. Então, estamos revivendo essa história, e levamos os Titãs no primeiro programa. Para você gravar um menino de 16 anos tocando sax e vender 350 mil CDs tem que ter um pouco de feeling, não é qualquer um que faz isso, modéstia parte! “Fama com Vanessa Jackson, por exemplo, não saiu do Fama, não sei onde ela está. Nós não ficamos com ninguém que não queira ficar com a gente, nós só queremos ajudar. É o caso do Ricky Vallen, Robson Monteiro, Leilah Moreno… Quem quer sair, sai, mas a gente tenta colocá-los na estrada, dando uma oportunidade pra eles. No meu entender, acho que o repertório do programa de calouros é muito importante. Nós somos um dos únicos que faz arranjo para os calouros nos moldes de um CD, eu não faço um arranjinho, eu faço o arranjo”.

A energia do pai

“Então, esse microfone na mão, olhar pro público, ver as pessoas crescendo, isso deve fazer ele ficar com essa energia toda, e ficar tão jovem, né?”

O Programa Raul Gil vai ao ar aos sábados, das 14h15 até 19hs, no SBT.

Entrevista: Eliane Calixto
Texto: Larissa Faria
Foto: Fábio Guinalz/AgNews

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